Orlando Orfei deixa legado na Baixada

O bispo de Nova Iguaçu, Dom Luciano Bergamin  celebrou uma missa durante o sepultamento Fotos: Davi Boechat/Conecta Baixada

O bispo de Nova Iguaçu, Dom Luciano Bergamin celebrou uma missa durante o sepultamento
Fotos: Davi Boechat/Conecta Baixada

O percursor do circo no Brasil foi sepultado na tarde de ontem no cemitério Jardim da Saudade, em Mesquita, na presença de parentes, amigos e familiares, além do bispo de Nova Iguaçu, Dom Luciano Bergamin que celebrou uma missa. O grande amigo e porta voz da família David Avelar, fez a leitura do poema escrito pelo Orfei “A morte de um palhaço” e anunciou que pretende preservar a memória de Orlando, através de alguns projetos, entre eles um museu. O prefeito de Nova Iguaçu, Nelson Bornier decretou luto oficial de três dias pela morte do artista, que tinha título de Cidadão Iguaçuano.
Orlando Orfei que fez carreira nos picadeiros e ficou famoso por domar animais selvagens morreu no último sábado, aos 95 anos, por causa de uma pneumonia, no Hospital do Coração de Duque de Caxias. O artista era da quinta geração de uma família circense italiana, começou no circo aos cinco anos de idade, como palhaço, mas também foi equilibrista, malabarista, mágico e domador.
Segundo David a ideia é conservar a cultura circense, que possui entre contos e textos, mais de cinco mil documentos do tipo, todos de autoria do artista italiano. Avelar também guarda fotos e pinturas feitas por Orfei e pretende reunir todo material para apresentá-lo ao grande público. “Vamos dar continuidade para alguns projetos idealizados por Orfei. Essas iniciativas serão planejadas e em breve vamos anunciar”, disse David, sem revelar muitos detalhes.
Orlando Orfei foi o pioneiro do circo moderno no Brasil. Chegou ao país através de um Festival Mundial do Circo e optou morar no Brasil. Em 2002 decidiu morar no bairro da Prata, em Nova Iguaçu. Em 2010 foi homenageado pelo vereador Carlos Moreira (Partido Solidariedade) com título de Cidadão Iguaçuano. “Orlando Orfei foi um ícone da cultura circense. Quando descobri que ele era morador do bairro da Prata fiz uma justa homenagem em vida de Cidadão Iguaçuano a um homem que fez muito pela cultura mundial”, declarou o vereador.
Orfeu deixa a esposa Herta Orfei e seis filhos. Seu neto, Michael Nicholas Orfei, que mora no Chile lembrou com carinho do avô. “Um dos melhores momentos foi ele, com 94 anos, ter ido até o Chile para o meu casamento. Só tenho boas lembranças, a alegria e o amor pelos animais. Ele é o grande ídolo da minha vida”, disse Nick Orfei. “A gente tenta na vida ser lembrado, meu avô é uma dessas pessoas. O mundo sabe da existência de Orlando Orfei. Hoje eu não estou triste, porque ele conseguiu o que queria ser lembrado e reconhecido. Quero eu chegar aos 95 anos como ele chegou”, finalizou ele.
Dono de um dos circos mais famosos do mundo, Orlando Orfei foi responsável por várias inovações no cenário circense. Substituiu a propaganda em folhetos por grandes outdoors, trocou as pesadas e perigosas lonas de algodão por plástico e criou um sistema para aquecer os circos durante o inverno europeu. Como domador, Orfei procurou dar humor ao ofício marcado pela crueldade. Sentava nos leões, simulava fazer a barba com o rabo de um, deitava ao lado de outro e conversava com os animais.
Empresário de sucesso, Orfei criou também o Tivoli Park, um dos mais procurados pontos de lazer do carioca, que funcionou durante 23 anos, até 1995, na Lagoa, zona sul do Rio. Em 1986, fundou o Luna Park, em Nova Iguaçu. O circo encerrou as atividades em 2008.

 

Por: Gabriele Souza (gabriele.souza@jornalhoje.inf.br)

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