Exército colocou homens na mata antes de operação que matou oito no Salgueiro

Moradores do Salgueiro fizeram protesto após operação Foto: reprodução

Quatro dias antes da operação da Polícia Civil e das Forças Armadas que terminou com oito mortos no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, em 11 de novembro do ano passado, o Exército colocou homens no topo de morros próximos à favela. O objetivo era monitorar rotas de fuga do tráfico durante uma ação conjunta das Forças Armadas com a PM, a Polícia Civil e a Força Nacional no dia 7 de novembro. A prática foi revelada pelo então comandante do Batalhão de Forças Especiais do Exército, coronel Paulo Edson Santa Barba, em depoimento ao Ministério Público Militar (MPM).

Essa é a primeira vez que um dos participantes da operação admite o uso de helicópteros e infiltração na mata em pelo menos uma das duas ações no Salgueiro naquela semana. Em entrevista,0 cinco dias após as mortes, um sobrevivente da operação que aconteceu quatro dias depois contou que os disparos que mataram as vítimas foram feitos por homens com fardas pretas de uma área de mata, mais elevada ao lado da Estrada das Palmeiras.

De acordo com o depoimento do coronel, o monitoramento de rotas de fuga no dia 7 foi feito “inclusive através de helicópteros e observadores que foram colocados no topo de algumas elevações de alguns morros”. No entanto, ele diz que “não havia militares do Exército na mata” quatro dias depois.

Em depoimento ao MP estadual, o delegado da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), Rodrigo Oliveira, negou ter conhecimento sobre homens do Exército na mata do Salgueiro no dia 11. Ele afirmou que “entende que seria imprudente que a Core não tivesse notícia de que na mata havia homens do Exército” e “que tal informação seria essencial até para prevenir ‘fogo amigo’”. Entretanto, Oliveira admite que, “do ponto de vista tático, faria sentido haver um contingente na mata para surpreender os traficantes quando estes empreendessem fuga, caso essa infiltração fosse possível”.

No relato ao MP, o delegado Rodrigo Oliveira não negou completamente a possibilidade de haver homens do Exército na mata, já que “normalmente não tem acesso a todas as informações relativas à preparação dos contingentes das Forças Armadas” antes de operações.

O depoimento do delegado ao MP não foi o primeiro prestado por ele. À Polícia Civil, um dia depois da ação, ele afirmou que os mortos encontrados no Salgueiro eram “homens armados disparando contra forças de segurança”. O relato do delegado contradiz os demais agentes que participaram da ação, que só disseram que avistaram homens baleados, sem informar em quais circunstâncias.

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