Operação do Comando Conjunto deixa oito mortos no Complexo da Penha

Os militares revistam um grupo de pessoas Foto: reprodução

Oito pessoas morreram no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, durante a operação deflagrada pelo Comando Conjunto na madrugada desta segunda-feira. Além da Penha, há equipes também nos complexos do Alemão e da Maré, também na Zona Norte.

De acordo com o Comando Militar do Leste (CML), os militares realizam retirada de barreiras, além de revistas de pessoas, de veículos e checagem de antecedentes criminais. Já os policiais checam denúncias relativas ao tráfico de drogas e podem cumprir mandados judiciais. Ao todo, 4.270 agentes participam da operação.

Em redes sociais, moradores do Complexo da Penha falam em intensos tiroteios na comunidade. Há relatos, também, de que telefones celulares estão sendo revistados durante a ação. Os moradores contam que militares estão detendo pessoas que estão em grupos de WhatsApp da comunidade, onde são trocadas informações sobre a movimentação das equipes.

Uma moradora ouvida pelo EXTRA disse estar indignada com a revista, que classificou como abusiva:

— Esses abusos de autoridade me deixam revoltada. Esse negócio de querer prender quem está nos grupos é absurdo. Os grupos existem para a segurança dos moradores.

“Chegando informações que eles estão parando e mexendo nos telefones e levando pessoas q estão em grupo de monitoramento. E agora veio a confirmação o primo da minha mulher foi detido devido a um grupo de monitoramento”, disse um morador.

“Pegaram o sobrinho da minha amiga de trabalho por ter no zap grupo que avisou sobre a hora que o Exército estava entrando”.

Uma moradora contou que teve a casa invadida por agentes:

— A polícia abriu meu portão e ainda veio dizer que estava aberto. Revirou meu armário. Que absurdo. Somos trabalhadores. Estou revoltada com essa situação.

Por causa da operação na região da Vila Cruzeiro, algumas escolas não estão tendo aulas. Procurada, a Secretaria municipal de Educação ainda não se pronunciou.

No Alemão, tropas ao longo da Avenida Itararé

Na Estrada do Itararé, uma das principais vias que cortam o Complexo do Alemão, militares fazem o patrulhamento. Eles também estão posicionados nas ruas que dão acesso à comunidade.

No Morro do Adeus, uma das favelas que integram o Alemão, militares se concentram em uma das estações do teleférico que funcionava na região. O ponto de encontro funciona como um posto de descanso e de revezamento da tropa responsável pelas incursões na comunidade.

De acordo com o responsável por coordenar os 400 homens que atuam nos morros do Adeus e da Baiana, coronel Viana, a ação nessas duas áreas não teve registro de confrontos. Apesar disso, moradores comentam que ouviram disparos desde o fim da madrugada, quando teve início a operação de segurança:

— A gente acordou sob o som dos tiros. Nem levei o meu filho para a escola hoje. Essas operações não têm hora para acabar, aí fico com medo de deixar ele sozinho durante a tarde. Preferi levar para a minha mãe — conta uma moradora que preferiu não se identificar.

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