Governo não tem base para aprovar CPMF, diz Cunha

Criar a CPMF de novo, o governo vai ter dificuldade, segundo Eduardo Foto: Agência Câmara

Criar a CPMF de novo, o governo vai ter dificuldade, segundo Eduardo
Foto: Agência Câmara

Na última terça (20), o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que o governo deverá enfrentar dificuldades para aprovar a recriação da CPMF. Segundo ele, a dificuldade é resultado da falta de apoio da sua base parlamentar. “Tem pautas que, sendo do governo, não têm apoio na Casa. Criar a CPMF de novo, o governo vai ter dificuldade. Não tem apoio na Casa para isso”, disse.
O parlamentar, que anunciou em julho o seu rompimento com a base do governo e que defende abertamente que o PMDB deixe a coalizão de apoio a Dilma, disse que sua posição política não significa que ele vai atrapalhar as votações de interesse do governo. “De minha parte, não sou eu que vou impedir a votação, mas também não sou que tenho que ganhar a votação”, disse.
A recriação da CPMF é uma das medidas propostas pela equipe econômica liderada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para equilibras as contas do governo. Estima-se que a volta da CPMF, extinta em 2007, poderia gerar R$ 32 bilhões em arrecadação. A volta do novo tributo é alvo de polêmicas e ataques por parte da oposição, que se manifestou contra a medida.
Para Cunha, o governo ainda não testou a nova composição da sua base aliada após a reforma ministerial anunciada no início de outubro. Na ocasião, o governo cortou oito ministérios e ampliou a presença do PMDB no governo, que saiu de seis para sete ministérios. “Eu acho que o governo ainda não enfrentou o teste para saber se sua base está reformada. O governo tem dificuldade com sua base aqui dentro e todos nós sabemos disso”, afirmou Cunha.
Desde a reforma ministerial, o governo não conseguiu aprovar no Congresso Nacional, por falta de quórum, os vetos da presidente Dilma a projetos que ficaram conhecidos como “pautas-bomba”. Entre eles estão o reajuste de até 78% nos salários de servidores do Judiciário, que teriam um impacto de até R$ 36 bilhões até 2019.

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