22 de julho de 2024

Brasília (DF), 31-05-2023 - O Advogado-Geral da União, Jorge Rodrigo Messias, a Procuradora-Geral da Fazenda Nacional, Anelize Lenzi, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participam da abertura do 7º Congresso Anual do Contencioso Tributário da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Foto Valter Campanato/Agência Brasil.

Wellton Máximo – Agência Brasil – O crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) no primeiro trimestre está em linha com as projeções do Ministério da Fazenda, disse, na tarde desta quinta-feira (1º), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Embora o número tenha vindo acima de estimativas do mercado financeiro, Haddad pediu cautela e disse que os dados foram inflados pelo desempenho do agronegócio.

O ministro pediu foco no desempenho da economia em 2024, para que o país possa iniciar o próximo ano criando empregos em um cenário provável de queda de juros. “Precisamos começar a pensar em 2024 para manter a economia gerando emprego. Precisamos ter clareza de que temos uma oportunidade muito boa, com inflação controlada e juros futuros caindo bastante sensivelmente”, declarou o ministro.

Segundo Haddad, a combinação de emprego e inflação em queda abre uma “janela importante” para o Banco Central (BC) reduzir os juros nos próximos meses. O ministro almoçou nesta quarta-feira com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, em um compromisso não informado nas agendas dos dois.

Haddad evitou cravar o momento que considera ideal para que o BC comece a reduzir os juros básicos. “Minha opinião já é conhecida”, afirmou. Segundo ele, o Ministério da Fazenda está fazendo a sua parte com a aprovação do novo arcabouço fiscal e com o compromisso de reduzir o déficit primário (resultado negativo nas contas do governo sem os juros da dívida pública).

“O esforço fiscal continuará sendo feito até o fim do ano para garantir os resultados do novo marco fiscal. Tudo isso vai se combinando para entrarmos em um ciclo de desenvolvimento sustentável”, acrescentou o ministro. Haddad disse ter conversado com Campos Neto sobre uma possível mudança no regime de metas de inflação.

No próximo dia 29, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definirá a meta de inflação para 2026 e revelará se mantém as metas para 2024 e 2025, fixadas em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

Planejamento

O pedido de cautela de Haddad contrasta com as previsões do Ministério do Planejamento. Em nota, a pasta informou que o desempenho do PIB no primeiro trimestre indica que a economia pode crescer mais que o previsto pelo mercado financeiro neste ano.

“Se não houver elevação da atividade para os outros trimestres em 2023, o PIB brasileiro vai crescer pelo menos 2,3%, superando significativamente a projeção de mercado”, informou o Planejamento em nota. Vítima de covid-19, a ministra Simone Tebet está de repouso nesta quinta-feira.

A nota do Planejamento destacou que o crescimento do PIB no primeiro trimestre é o maior desde o último trimestre de 2020, quando a economia começava a recuperar-se do início da pandemia de covid-19. Além do resultado do setor agropecuário, que teve o maior crescimento desde 1996, a pasta ressaltou a recuperação do setor de serviços, que cresce há 11 trimestres seguidos e tem desempenho 6,5 ponto percentual a mais que no início da pandemia.

No primeiro trimestre, o setor agropecuário cresceu 21,6% e o de serviços avançou 0,6% no trimestre. O destaque negativo foi a indústria, que recuou 0,1%, com retração pelo segundo trimestre consecutivo.

Edição: Nádia Franco