16 de julho de 2024
"Ninguém aguenta mais aliança com o PT. Todos estão doidos para cair fora", disse o presidente da Câmara dos Deputados a jornalistas Foto: Alex Ferreira/ Câmara dos Deputados
“Ninguém aguenta mais aliança com o PT. Todos estão doidos para cair fora”, disse o presidente da Câmara dos Deputados a jornalistas
Foto: Alex Ferreira/ Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fez um primeiro balanço de seu trabalho à frente da Casa. Ontem, em conversa com jornalistas, ele deixou clara a perspectiva da aliança entre PT e PMDB e destacou que a decisão do Congresso sobre as pedaladas fiscais da presidente Dilma Rousseff (PT) será “política”.
Cunha disse que “todos do PMDB estão falando a mesma língua” em relação à ruptura entre PT e PMDB para as eleições de 2018. “Ninguém aguenta mais aliança com o PT”, contou. “Todos estão doidos para cair fora.”, acrescentou.
Ele afirmou que, por compromisso com a governabilidade de Dilma, o seu partido não vai deixar o governo agora. Mas acredita que as legendas podem se distanciar oficialmente antes mesmo de 2018. Eduardo elogiou o vice-presidente, Michel Temer, que assumiu a articulação política com o Congresso. “Sem Michel, o caos estaria instalado”, opinou.
Sobre o pedido de impeachment de Dilma, apresentado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) no fim de maio, Cunha afirmou que está consultando assessores e juristas. Ele disse que terá uma opinião sobre o tema em 30 dias: “Só posso falar com fato real. Na tese, minha posição é que o impedimento tem de ser tratado na Constituição e não como recurso eleitoral”.
Coincidentemente, falta um mês para o novo protesto contra Dilma, que está sendo organizado pelo MBL.

>> Motivação para impeachment – A prática das pedaladas fiscais — maquiagem de contas do governo, com atrasos propositais de repasses do Tesouro Nacional para bancos públicos e INSS — é um dos principais argumentos da oposição para pedir o impeachment de Dilma.
O Tribunal de Contas da União (TCU) está analisando as contas de Dilma. Para Eduardo Cunha, a chancela do TCU deve ser técnica, e cabe ao Congresso Nacional aprovar os cálculos do governo. “A decisão é política”, concluiu Cunha, que planeja colocar em votação a prestação de contas do governo Dilma na primeira semana de agosto.

Delator foi obrigado por Janot
a mentir, acusa Eduardo

Rodrigo Janot é acusado por Cunha de incentivar “delação mentirosa” Foto: José Cruz/Agência Brasil
Rodrigo Janot é acusado por Cunha de incentivar “delação mentirosa”
Foto: José Cruz/Agência Brasil

Eduardo Cunha reagiu na tarde de ontem, à informação de que o delator da Operação Lava Jato Júlio Camargo disse à Justiça Federal que ele teria pedido US$ 5 milhões em propina por contrato.
Após reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para tratar da agenda legislativa do segundo semestre, Cunha disse que Camargo foi obrigado a mentir pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
“O delator foi obrigado a mentir. E acho muito estranho ser na véspera do pronunciamento que estou citando e em uma semana que a parte do Poder Executivo envolvido no cumprimento dos mandados judiciais tenha agido com aquela fanfarronice toda. Ou seja, há um objetivo claro de constranger o Poder Legislativo e que pode ter o Poder Executivo por trás em articulação com o procurador-geral da República”, acusou.
Cunha disse achar “estranho” que, num período de aprofundamento de discussão de um eventual pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, queiram, nas suas palavras, “constranger o Poder Legislativo”. “Acho isso um absurdo e não vou aceitar ser constrangido”, avisou.
O peemedebista criticou o “estardalhaço” feito na Operação Politeia, “com helicóptero em prédio de senador”. O presidente da Câmara disse que não se deixará fragilizar pelo episódio.
Sobre o depoimento de Camargo, Cunha reiterou que se trata de “ilação” e que sua fala não traz nenhum fato concreto. “Esta delação que foi feita dele não existe. Ela é nula porque foi homologada por autoridade incompetente. Se eu faço parte da delação dele, não é o juiz que poderia homologá-la”, concluiu.
Cunha terá um pronunciamento em cadeia de rádio e TV amanhã e não pretende alterar seu discurso. Ele explicou que o pronunciamento será sobre as atividades da Casa e não para sua defesa pessoal.
Ele se dispôs a retornar na CPI da Petrobras para prestar esclarecimentos, se for necessário. Também se colocou à disposição para participar de acareação com o delator, que já foi convocado. “Eu faço olho no olho com quem quiser, não tenho dificuldade nenhuma de rebater quem quer que seja. Quem não deve não teme. E ele está mentindo. E o delator tem que provar sua mentira. O ônus da prova é de quem acusa”, afirmou.
O peemedebista não demonstrou preocupação com os depoimentos dos representantes da Mitsui e da Samsung Heavy Industries, que estavam marcados para esta semana e serão reagendados. “Que investiguem tudo”, disse.