22 de julho de 2024

Por Arnaldo Bittencourt / Fotos: Marcus Lauria

A Chevrolet S10 foi lançada nos Estados Unidos em 1981 com uma opção compacta de picape (a “quarter-ton pickup”, ou picape capaz de carregar um quarto de tonelada). No Brasil, a S10 foi lançada em 1996, em sua segunda geração, inaugurando o segmento de picapes médias.  A pícape comercializada aqui era conhecida nos Estados Unidos como Isuzu Hombre e vinha equipada com o motor 2.2 EFI de 106cv e 19.2kfgm do Chevrolet Omega, sendo assim a primeira picape brasileira com injeção eletrônica. 

Em 2012 o Brasil recebeu a segunda geração da S10, baseada em um novo projeto global da General Motors. Chamada de Chevrolet Colorado nos Estados Unidos, aqui no Brasil foi mantido o nome “S10” por uma questão de marketing.  A versão que testei é a Z71, uma versão equipada com um pacote de mais de 20 itens exclusivos de personalização, que deixam a picape com um visual mais fora-de estrada. Dentre esses itens destacam-se o robusto santo-antônio, que é funcional e pronto para auxiliar o proprietário a controlar o deslocamento da carga, a grade frontal exclusiva com o emblema Z71, os estribos em formato tubular, as rodas aro 18 com acabamento em preto fosco e alargadores, pneus do tipo “All Terrain” e as imponentes molduras de proteção dos paralamas , além dos adesivos exclusivos do modelo.

Vale destacar que a versão Z71 é baseada na intermediária LT, ficando portanto atrás das versões LTZ e High Country, que permanecem os modelos topo de gama. Fruto de um trabalho conjunto entre os times de engenharia do Brasil e dos Estados Unidos, no mercado americano a sigla “Z71” é bastante conhecida e associada à robustez, sendo um pacote bastante procurado pelo consumidor das picapes Colorado e Silverado.A S10 Z71 é feita para quem está buscando uma picape robusta para todo tipo de aventura, seja na cidade ou no campo, e confia na tecnologia, segurança e potência que a marca Chevrolet é capaz de oferecer em uma picape.

Externamente, além dos adesivos exclusivos da versão, destacam-se a grade frontal exclusiva, os faróis com máscara negra e iluminação halogena, os estribos laterais com design diferenciado, que facilitam o acesso à picape e protegem a carroceria, e os parrudos alargadores de roda, que além de oferecer mais proteção para a S10, deixam a picape com um visual mais agressivo.   No interior, chamam a atenção os detalhes escurecidos com o logo “Z71” e os bancos com uma bela forração em couro.

A caçamba, com capacidade de carga de invejáveis 1200kg, vem com protetor e capota marítima de série, felizmente. A tampa conta com um sistema de abertura com amortecimento, que facilita a abertura. Não há, entretanto, travamento elétrico para a caçamba. O parachoque traseiro tem acabamento preto fosco e conta com o essencial sensor de ré, que facilita as manobras, atuando em conjunto com a útil câmera de ré presente no modelo. A chave da S10 Z71 é do tipo canivete. Chave presencial está disponível apenas para os modelos superiores. 

Na motorização a Z71 vem com todas as evoluções mecânicas disponibilizadas recentemente em toda a linha S10, como a nova calibração do motor 2.8 turbo diesel de 200cv e 51kgfm de torque, mas também da transmissão automática AT6, de seis velocidades. A turbina redimensionada também se faz presente no modelo. Com esse motor, a picape acelera de 0 a 100 km/h em aproximadamente 10 segundos e atinge velocidade máxima de 180 km/h. Todo esse conjunto garante boas ultrapassagens na estrada, bastando uma acelerada mais forte para que tudo ocorra de forma rápida, limpa e segura.

O som do motor invade a cabine em giros mais altos, vale ressaltar. A bem da verdade, tal característica, que pode ser vista como um problema para um comprador de um Sedã ou SUV de luxo, não costuma incomodar os fãs das picapes. Na Z71, inclusive, o material publicitário da montadora salienta que o som do motor é um chamado à aventura. O sistema de tração 4×4, com marcha reduzida, é o mesmo disponível em outros modelos da S10.

Por falar em segurança, a Z71 conta com alerta de pressão de pneus, além de 6 airbags (2 laterais, 2 frontais e dois de cortina). Infelizmente frenagem automática, alerta de colisão frontal com detecção de pedestres, sensores de luz e chuva e assistente de saída de faixa não estão no pacote. Tais itens são reservados para as irmãs mais caras. A suspensão trabalha macio em asfalto liso, transmitindo muita segurança tanto na estrada como nos centros urbanos. Não há nenhum “setup” especial na Z71, tal como ocorre lá fora. De toda forma, conforme já dito, a dirigibilidade é muito boa, permitindo à S10 cumprir com competência a sua proposta aventureira em qualquer tipo de ambiente, seja na cidade ou no campo.

Quando o assunto é consumo, de acordo com o Inmetro, a Z71 faz 8,3 km/l na cidade e 10,6 km/l na estrada. Durante o teste consegui fazer médias ligeiramente melhores. É satisfatório rodar muitos quilômetros e constatar que o ponteiro indicador do nível de combustível praticamente não se mexeu. O acabamento interno, com apliques exclusivos em black piano e logo Z71, é de boa qualidade. O espaço interno é bom, acomodando 5 ocupantes com conforto (considerando as limitações comuns a qualquer picape).

De série, a lista de equipamentos inclui assistente de descida em aclives, piloto automático (convencional), ajuste elétrico dos faróis, e luz diurna em LED. Dado que a versão é baseada na LT, o ar-condicionado é analógico e o painel de instrumentos conta apenas com uma pequena tela central monocromática. O modelo conta ainda com central multimídia MyLink com tela de sete polegadas e conexão com smartphones via Android Auto e Apple CarPlay (necessita de cabo, infelizmente).

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Ao lançar uma picape intermediária com um visual mais aventureiro e o mesmo consagrado conjunto mecânico das demais versões, a Chevrolet buscou tornar a S10 mais atraente junto ao público jovem. Como principais concorrentes temos a Nissan Frontier Attack e a Ford Ranger Storm, ambas mais baratas (R$274 mil contra R$263 mil da Nissan e R$246 mil da Ford). Em desempenho, a S10 se sobressai um pouco em relação às duas concorrentes: mais torque (51kgfm contra 45,9kgfm da Nissan e 47,9kgfm da Ford), mais potência (na Ranger é equivalente). A S10 bate as duas concorrentes em mais de 1 segundo no 0 a 100 km/h. Em capacidade de carga a S10 também leva a melhor (1200kg contra aproximadamente 1000kg na Nissan e na Ford).

A verdade é que as diferenças são pequenas entre os três modelos, com vantagens para um ou outro modelo de acordo com o quesito observado. Por isso afirmo que, antes de fechar negócio, é importante visitar o distribuidor de cada montadora para conhecer os modelos ao vivo, tirar dúvidas e fazer o indispensável “test-drive”. 

*FICHA TÉCNICA:

Mecânica

Motorização 2.8

Combustível             Diesel

Potência (cv)            200

Torque (kgf.m)         51

Velocidade Máxima (km/h)           180

Tempo 0-100 (s)      10,1    N/D

Consumo cidade (km/l)      8,3

Consumo estrada (km/l)    10,6

Câmbio          automática com modo manual de 6 marchas

Tração           4×4

Direção          elétrica

Suspensão dianteira          Suspensão tipo braços triangulares e dianteira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.

Suspensão traseira            Suspensão tipo eixo transversal (beam), roda tipo rígida e molas feixe de lâminas.

Dimensões

Altura (mm)   1.786

Largura (mm)           1.874

Comprimento (mm)             5.356

Peso (Kg)      2.030

Tanque (L)    76

Entre-eixos (mm)     3.096

Ocupantes    5

*Dados do fabricante