{"id":112079,"date":"2019-12-15T16:07:00","date_gmt":"2019-12-15T19:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=112079"},"modified":"2019-12-15T16:07:00","modified_gmt":"2019-12-15T19:07:00","slug":"pesca-plastico-aquecimento-global-e-oleo-sao-ameacas-para-tartarugas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/pesca-plastico-aquecimento-global-e-oleo-sao-ameacas-para-tartarugas\/","title":{"rendered":"Pesca, pl\u00e1stico, aquecimento global e \u00f3leo s\u00e3o amea\u00e7as para tartarugas"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<h3>Cinco esp\u00e9cies que desovam no Brasil correm risco de extin\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_112080\" aria-describedby=\"caption-attachment-112080\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-112080\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/tartarugas-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/tartarugas-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/tartarugas-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/tartarugas-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/tartarugas.jpg 1140w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-112080\" class=\"wp-caption-text\">Soltura de filhotes de tartarugas monitorados pelo Projeto Tamar<\/figcaption><\/figure>\n<p>Cinco das sete esp\u00e9cies de tartarugas marinhas desovam na costa brasileira e todas elas est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Foi com a meta de reverter esse cen\u00e1rio que um grupo de estudantes de oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) criou em 1980 o Projeto Tamar, que deu in\u00edcio neste fim de semana \u00e0s\u00a0<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT280_com_zimbra_url\" role=\"link\">comemora\u00e7\u00f5es de seus 40 anos<\/span>. Mesmo diante de amea\u00e7as cotidianas, estudos cient\u00edficos j\u00e1 s\u00e3o capazes de apontar uma melhora do cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>De acordo com dados do Projeto Tamar, h\u00e1 uma tend\u00eancia de recupera\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es de tartaruga-cabe\u00e7uda, tartaruga-de-pente, tartaruga-oliva e tartaruga-de-couro. J\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o de tartaruga-verde apresenta atualmente sinal de estabilidade. Ainda assim, a tartaruga-de-couro e a tartaruga-de-pente est\u00e3o em estado cr\u00edtico, conforme a lista vermelha de esp\u00e9cies amea\u00e7adas elaborada pela Uni\u00e3o Internacional Para Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). Entre as outras quatro, algumas s\u00e3o classificadas como em risco de extin\u00e7\u00e3o e outras como vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Pesca incidental<\/strong><\/p>\n<p>A pesca incidental, sobretudo durante o arrasto do camar\u00e3o, \u00e9 considerada atualmente a principal amea\u00e7a a essas popula\u00e7\u00f5es. Estudos realizados pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Conserva\u00e7\u00e3o Internacional (CI) em parceria com universidades dos Estados Unidos j\u00e1 estimaram que 85 mil tartarugas marinhas capturadas em todo o mundo incidentalmente morreram ao longo das d\u00e9cadas de 1990 e 2000.<\/p>\n<p>No Brasil, uma pesquisa conduzida na Universidade Federal Fluminense (UFF) pela bi\u00f3loga Suzana Machado Guimar\u00e3es acompanhou quatro barcos entre julho de 2010 e dezembro de 2011. Foram capturados nesse per\u00edodo 44 animais, o que aponta para uma taxa de 5,3 tartarugas afetadas a cada mil horas de pesca.<\/p>\n<p>O Tamar desenvolve programa espec\u00edfico que inclui educa\u00e7\u00e3o ambiental e orienta\u00e7\u00e3o aos pescadores, al\u00e9m de desenvolver novos recursos e petrechos que possam minimizar as mortes. Foi desenvolvido, por exemplo, o chamado anzol circular em substitui\u00e7\u00e3o ao anzol em forma de J.<\/p>\n<p>&#8220;Fizemos um corpo a corpo com as empresas de pesca industrial que trabalham, por exemplo, com captura de atum. Conseguimos que elas aderissem antes mesmo que viesse a regulamenta\u00e7\u00e3o.\u00a0N\u00f3s provamos que n\u00e3o afetava a pesca da esp\u00e9cie alvo, al\u00e9m de ser ben\u00e9fico a elas\u00a0j\u00e1 que\u00a0faziam um esfor\u00e7o grande\u00a0quando capturavam tartaruga. Essa mudan\u00e7a reduz em 70% a captura das tartarugas neste tipo de pesca. Ent\u00e3o, todo mundo ganha&#8221;, diz a ocean\u00f3grafa Neca Marcovaldi, coordenadora de pesquisa e conserva\u00e7\u00e3o do Projeto Tamar e uma das fundadoras da iniciativas.<\/p>\n<p>Medidas normativas tamb\u00e9m buscam enfrentar o problema. O anzol circular se tornou obrigat\u00f3rio na costa brasileira em novembro de 2018, conforme portaria do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio). J\u00e1 o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) pro\u00edbe em algumas localidades do Nordeste o arresto do camar\u00e3o durante a temporada reprodutiva de tartarugas.<\/p>\n<p><strong>Outras amea\u00e7as \u00e0s tartarugas<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a pesca que amea\u00e7a as tartarugas. A coleta de ovos nas praias para alimenta\u00e7\u00e3o durante muito tempo colocava em risco as esp\u00e9cies, mas com a conscientiza\u00e7\u00e3o e o\u00a0<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2019-12\/comunidades-locais-protegem-tartarugas-que-desovam-na-costa-brasileira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span id=\"OBJ_PREFIX_DWT282_com_zimbra_url\" role=\"link\">envolvimento das comunidades no trabalho de conserva\u00e7\u00e3o<\/span><\/a>, esse h\u00e1bito j\u00e1 n\u00e3o acontece nos pontos onde h\u00e1 presen\u00e7a do Tamar. A polui\u00e7\u00e3o, por outro lado, \u00e9 um problema que demanda maior aten\u00e7\u00e3o: envolve desde os pl\u00e1sticos, que uma vez descartados no oceano podem ser ingeridos e causar sufocamento, at\u00e9 derramamento de \u00f3leo, como o ocorrido recentemente na costa brasileira, que j\u00e1 levou \u00e0 morte mais de 20 tartarugas.<\/p>\n<p>Curiosamente, um dos tipos de polui\u00e7\u00e3o mais amea\u00e7adores a essas esp\u00e9cies \u00e9 a fotopolui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que se tratam de animais sens\u00edveis \u00e0 luz. O excesso de luminosidade nas praias pode afugentar f\u00eameas que chegam para desovar. Por\u00e9m, ainda mais agravante, \u00e9 o risco de morte de ninhadas inteiras. Quando rec\u00e9m-nascida, ap\u00f3s sair do ovo, a tartaruga se dirige ao oceano se orientando para o horizonte de maior claridade.<\/p>\n<p>Se houver um holofote na praia, por exemplo, os filhotes v\u00e3o se locomover em dire\u00e7\u00e3o a ele. O dono de uma casa de praia em \u00e1rea de desova, se usar ilumina\u00e7\u00e3o excessiva, poder\u00e1 se surpreender pela manh\u00e3 com dezenas de tartarugas rec\u00e9m-nascidas mortas em sua casa. Por esta raz\u00e3o, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabelece, por meio da Resolu\u00e7\u00e3o 10\/1996, normas a serem observadas. Na Bahia, tamb\u00e9m foi definida em lei estadual restri\u00e7\u00f5es de incid\u00eancia de luz artificial em praias onde ocorrem desova.<\/p>\n<p><strong>Aquecimento global<\/strong><\/p>\n<p>Pesquisas ainda est\u00e3o em desenvolvimento para se compreender efeitos do aquecimento global sobre as tartarugas marinhas. Sabe-se que o sexo dos animais \u00e9 definido pela temperatura da areia onde est\u00e1 a ninhada: por volta de 29 \u00b0C, cerca de metade dos filhotes ser\u00e1 formada por f\u00eameas e a outra metade por machos. Acima dessa temperatura, mais f\u00eameas s\u00e3o geradas, e abaixo dela, nascer\u00e3o mais machos.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O receio \u00e9 de que uma simples mudan\u00e7a de 1 \u00b0C na m\u00e9dia global impacte a distribui\u00e7\u00e3o dos sexos nas popula\u00e7\u00f5es de tartarugas. Estudos preliminares, no entanto, revelam que isso ainda n\u00e3o est\u00e1 ocorrendo. Pesquisadores do Tamar lembram que as tartarugas s\u00e3o seres de milh\u00f5es de anos, que j\u00e1 enfrentaram eras glaciais. Com uma grande capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, poderiam, por exemplo, mudar as \u00e1reas de desova para preservar a composi\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>&#8220;Temos aparelhos monitorando as temperaturas nas praias, para que possamos sempre pensar em poss\u00edveis a\u00e7\u00f5es. Mas eu sou otimista, acho que tudo tem jeito. Esses animais j\u00e1 passaram por muitas mudan\u00e7as e conseguiram sobreviver&#8221;, diz Neca.<\/p>\n<p>No entanto, outros desdobramentos do aquecimento global podem ser mais preocupantes. &#8220;A mudan\u00e7a clim\u00e1tica pode ocasionar o desvio de correntes marinhas. E o fluxo das tartarugas tamb\u00e9m \u00e9 gerido pelas correntes. Altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas podem impactar ainda na disposi\u00e7\u00e3o de alimentos em \u00e1reas onde elas visitam&#8221;, observa a ocean\u00f3grafa.<\/p>\n<p><strong>Recupera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Estudos coordenados pelo projeto Tamar revelam um crescimento populacional da tartaruga-cabe\u00e7uda de cinco vezes entre as temporadas reprodutivas de 1988\/1989 e 2003\/2004. Trata-se da esp\u00e9cie que mais se reproduz na costa brasileira. O litoral do pa\u00eds \u00e9 seu terceiro destino predileto, atr\u00e1s apenas das praias da Fl\u00f3rida, no Estados Unidos, e de Masirah, em Om\u00e3, no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>A tartaruga-oliva aumentou o n\u00famero de ninhos em 15 vezes, passando de 252 na temporada de 1991\/1992 para 3.742 na temporada 2002\/2003. A menor esp\u00e9cie de tartaruga marinha do mundo, que historicamente tem as praias de Sergipe como ponto de desova, expandiram sua presen\u00e7a para boa parte da Bahia, o que levou os pesquisadores do Tamar de cunharem o apelido de &#8220;novas baianas&#8221;.<\/p>\n<p>As ninhadas de tartaruga-pente cresceram sete vezes entre as temporadas 1991\/1992 e 2005\/2006, passando de 199 para 1.345. Tamb\u00e9m para esta esp\u00e9cie, o Brasil \u00e9 um dos principais destinos para desova, sendo que Bahia e Rio Grande do Norte s\u00e3o seus estados preferidos. J\u00e1 a tartaruga-couro concentra suas ninhadas na regi\u00e3o de Reg\u00eancia, distrito de Linhares (ES). No local, h\u00e1 um n\u00famero reduzido de desovas, mas que aumentou. O salto foi de uma m\u00e9dia de 25 ninhos por temporada no final dos anos 1980 para uma m\u00e9dia de 90 nos \u00faltimos cinco anos. Esta esp\u00e9cie \u00e9 a maior do mundo e pode medir at\u00e9 dois metros de comprimento e pesar at\u00e9 750 quilos.<\/p>\n<p>J\u00e1 a tartaruga verde, cujas popula\u00e7\u00f5es apresentam sinal de estabilidade, desova principalmente em ilhas e arquip\u00e9lagos como Atol das Rocas e Fernando de Noronha. Na costa continental, encontrar ninhos \u00e9 raro, mas ela marca presen\u00e7a para se alimentar, principalmente pr\u00f3ximo a corais.<\/p>\n<p>Cada ninhada costuma\u00a0<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT284_com_zimbra_date\" role=\"link\">ter<\/span>\u00a0cerca de 120 ovos e a f\u00eamea desova de tr\u00eas a sete vezes em cada per\u00edodo reprodutivo, geralmente sempre retornando \u00e0 mesma praia. &#8220;O animal pode transitar e ir se alimentar em outro pa\u00eds. Mas na \u00e9poca da desova ele retorna ao mesmo local do ano anterior&#8221;, diz Neca. Essa caracter\u00edstica da esp\u00e9cie faz com que a contagem das ninhadas sejam um bom referencial para medir o aumento populacional.<\/p>\n<p>Apesar do grande n\u00famero de filhotes que nascem a cada ano, o desafio da conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simples. Isso porque apenas uma em cada mil tartarugas consegue chegar \u00e0 fase madura, iniciada por volta dos 30 anos.<\/p>\n<p>* Rep\u00f3rter e rep\u00f3rter fotogr\u00e1fico viajaram a convite da Petrobras<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cinco esp\u00e9cies que desovam no Brasil correm risco de extin\u00e7\u00e3o &nbsp; Cinco das sete esp\u00e9cies de tartarugas marinhas desovam na costa brasileira e todas elas est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. 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