{"id":116169,"date":"2020-05-26T16:57:52","date_gmt":"2020-05-26T19:57:52","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=116169"},"modified":"2020-05-26T16:57:52","modified_gmt":"2020-05-26T19:57:52","slug":"trinta-e-um-anos-da-reserva-biologica-do-tingua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/trinta-e-um-anos-da-reserva-biologica-do-tingua\/","title":{"rendered":"Trinta e um anos da Reserva Biol\u00f3gica do Tingu\u00e1"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-116170\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/tingua-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/tingua-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/tingua-768x576.jpg 768w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/tingua-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/tingua.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Poucos moradores das seis cidades que a Reserva Biol\u00f3gica do Tingu\u00e1 faz limite reconhece a tamanha import\u00e2ncia que essa \u00e1rea tem para a humanidade. Abrangendo boa parte de seu territ\u00f3rio na Baixada Fluminense &#8211; a maior parte da REBIO Tingu\u00e1 fica na cidade de Nova Igua\u00e7u, mas tamb\u00e9m faz parte das cidades de Duque de Caxias, Petr\u00f3polis e Miguel Pereira e Engenheiro Paulo de Frontin -, a grande diversidade social e as dificuldades econ\u00f4micas da popula\u00e7\u00e3o destes munic\u00edpios de entorno, no decorrer dos anos, se transformaram em uma amea\u00e7a para essa parte t\u00e3o preservada da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Apesar de todos os desafios, gra\u00e7as ao tombamento como reserva biol\u00f3gica, a regi\u00e3o do Tingu\u00e1 ainda consegue manter alto grau de preserva\u00e7\u00e3o de sua biodiversidade e mananciais, sendo at\u00e9 hoje fornecedora de \u00e1gua pot\u00e1vel de alt\u00edssima pureza. Ali\u00e1s, deve-se destacar que estas nascentes foram a motiva\u00e7\u00e3o que o imperador D. Pedro II, em 1883, assumisse pelo governo brasileiro a prote\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o com a desapropria\u00e7\u00e3o das fazendas da Concei\u00e7\u00e3o, Tabuleiro e Provedor pelo Poder P\u00fablico, que &#8211; junto com a doa\u00e7\u00e3o feita por Francisco Pinto Duarte, o Bar\u00e3o de Tingu\u00e1 -, configurando o que atualmente \u00e9 um corredor ecol\u00f3gico entre as \u00e1reas protegidas da Mata Atl\u00e2ntica de regi\u00e3o sudeste, perfazendo uma das \u00e1reas mais ricas em diversidade biol\u00f3gica da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Outro a\u00e7\u00e3o governamental de prote\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o somente aconteceu na d\u00e9cada de 1980, quando os movimentos sociais e ambientais da Baixada Fluminense, com apoio de universidades como a UFRRJ e a UFRJ, reivindicaram o reconhecimento estatal da \u00e1rea de Tingu\u00e1 como \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental. O que se concretizou em 23 de maio de 1989, pelo Decreto Federal n\u00ba 97.780, categorizando como Reserva Biol\u00f3gica. Logo depois, no dia 15 de fevereiro de 1993, foi reconhecida como Patrim\u00f4nio Natural da Humanidade e como Reserva da Biosfera pela UNESCO. Iniciativa que visava buscar a preserva\u00e7\u00e3o das comunidades de esp\u00e9cies existentes na biosfera da Mata Atl\u00e2ntica e prote\u00e7\u00e3o da \u00e1rea para pesquisas cient\u00edficas.<\/p>\n<p>Recentemente visitei a regi\u00e3o e vi de perto que prosseguem funcionando, em perfeitas condi\u00e7\u00f5es, represas e aquedutos mais de 100 anos depois de sua constru\u00e7\u00e3o. As 32 capta\u00e7\u00f5es de \u00e1guas continuam sendo distribu\u00eddas pelas chamadas \u201clinhas pretas\u201d para parte da cidade do Rio de Janeiro e Baixada. A REBIO continua abra\u00e7ando estes mananciais assim como sua biodiversidade, mas tamb\u00e9m segue impactada pela amea\u00e7a de ca\u00e7adores que matam animais silvestres, passarinheiros, palmiteiros, pedreiras clandestinas, ladr\u00f5es de areia, carvoeiros e &#8211; para n\u00e3o dizer principalmente -, explora\u00e7\u00e3o do turismo predat\u00f3rio nos n\u00facleos urbanos de entorno da Reserva Biol\u00f3gica do Tingu\u00e1, como Jaceruba, Rio D&#8217;ouro, Santo Ant\u00f4nio, Tingu\u00e1 e Xer\u00e9m.<\/p>\n<p>No ano passado outra amea\u00e7a recaiu sobre a Reserva Biol\u00f3gica do Tingu\u00e1, a proposta de recategoriza\u00e7\u00e3o para Parque Nacional abrindo a \u00e1rea para a visita\u00e7\u00e3o. Tal movimento partiu de determinados segmentos da regi\u00e3o da Baixada e estava alinhados a vontade de mudan\u00e7a de categoria por parte do Ministro do Meio Ambiente. Sem comprova\u00e7\u00e3o de melhoras para a prote\u00e7\u00e3o da \u00e1rea e desenvolvimento com sustentabilidade das comunidades do entorno, diante da pandemia, o assunto permanece adormecido.<\/p>\n<p>Nestes trinta e um anos este patrim\u00f4nio da Baixada sobrevive apesar de tudo. Da falta de reconhecimento, de valoriza\u00e7\u00e3o, de investimento e gest\u00e3o enquanto pol\u00edtica p\u00fablica ambiental. Mas segue enquanto um dos maiores tesouros da Baixada Fluminense.<\/p>\n<p>| Emanoelle Cavalcanti \u00e9 integrante da ONG Com Causa e acad\u00eamica de psicologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucos moradores das seis cidades que a Reserva Biol\u00f3gica do Tingu\u00e1 faz limite reconhece a tamanha import\u00e2ncia que essa \u00e1rea tem para a humanidade. 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