{"id":123264,"date":"2021-06-15T13:51:55","date_gmt":"2021-06-15T16:51:55","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=123264"},"modified":"2021-06-15T13:51:55","modified_gmt":"2021-06-15T16:51:55","slug":"justica-marca-para-julho-julgamento-da-morte-de-musico-e-catador-fuzilados-por-militares-em-guadalupe-entenda-o-caso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/justica-marca-para-julho-julgamento-da-morte-de-musico-e-catador-fuzilados-por-militares-em-guadalupe-entenda-o-caso\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a marca para julho julgamento da morte de m\u00fasico e catador fuzilados por militares em Guadalupe; entenda o caso"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-123265\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/baleados-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/baleados-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/baleados.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Carro onde Evaldo e a fam\u00edlia estavam foi atingido por 62 tiros. Ao todo, foram mais de 200 disparos feitos na a\u00e7\u00e3o Foto: Jos\u00e9 Lucena \/ Futurapress<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a Militar marcou para o dia 7 de julho \u2014 quando a trag\u00e9dia completa dois anos e tr\u00eas meses \u2014, \u00e0s 9 horas da manh\u00e3, o julgamento dos militares envolvidos na a\u00e7\u00e3o que terminou na morte do m\u00fasico Evaldo dos Santos Rosa e do catador de latinhas Luciano Macedo, na Estrada do Camboat\u00e1, em Guadalupe, na Zona Norte do Rio. At\u00e9 agora, as investiga\u00e7\u00f5es mostraram que foram disparados, no total, 257 tiros de fuzil e de pistola naquele dia 7 de abril de 2019, e que 62 atingiram o carro de Evaldo, onde tamb\u00e9m estavam sua esposa, Luciana Nogueira, o filho pequeno, uma amiga, e, no banco do carona, o sogro, que foi ferido de rasp\u00e3o nas costas e no gl\u00fateo direito. Luciano passava a p\u00e9 pelo local com seu carrinho de m\u00e3o e tentou socorrer os ocupantes do ve\u00edculo, que pediam ajuda, quando, num segundo momento, tamb\u00e9m acabou baleado. S\u00f3 o tenente \u00cdtalo da Silva Nunes Romualdo, que comandava a a\u00e7\u00e3o, teria disparado 77 vezes.<\/p>\n<p>Em suas considera\u00e7\u00f5es finais, entregues em fevereiro deste ano, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Militar (MPM) pediu a condena\u00e7\u00e3o de oito dos doze militares r\u00e9us no processo pelos dois homic\u00eddios qualificados, de Evaldo e Luciano, e pela tentativa de homic\u00eddio qualificado contra a fam\u00edlia: o 2\u00ba Tenente \u00cdtalo da Silva Nunes Romualdo, o 3\u00ba Sargento F\u00e1bio Henrique Souza Braz da Silva, o cabo Leonardo Oliveira de Souza, e os soldados Gabriel Christian Honorato, Matheus Sant&#8217;Anna Claudino, Marlon Concei\u00e7\u00e3o da Silva, Jo\u00e3o Lucas da Costa Gon\u00e7alo e Gabriel da Silva de Barros Lins. Os promotores pediram a absolvi\u00e7\u00e3o de outros quatro militares, alegando n\u00e3o haver provas de que eles teriam efetuado os disparos contra as v\u00edtimas. O MP pediu ainda a absolvi\u00e7\u00e3o de todos da acusa\u00e7\u00e3o de omiss\u00e3o de socorro, que tamb\u00e9m fazia parte da den\u00fancia original.<\/p>\n<div id=\"pub-in-text-1\" class=\"dfp publicidade outstream clearfix\" data-extra-advertising-format=\"in-text\" data-extra-advertising-index=\"1\"><\/div>\n<p>Nas alega\u00e7\u00f5es, o MPM argumenta ainda que a pena do tenente \u00cdtalo dever\u00e1 ser fixada acima do m\u00ednimo legal pelo fato de ser o oficial comandante daquele grupo de combate, de ter sido o primeiro a atirar &#8220;sem certificar-se de que n\u00e3o sofriam amea\u00e7a ou agress\u00e3o, tendo os demais subordinados aderido a sua conduta&#8221;, e por ter sido quem fez a maior quantidade de disparos de fuzis contra as v\u00edtimas quando o ve\u00edculo estava parado pr\u00f3ximo ao Minhoc\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o r\u00e9us no processo:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u00cdtalo da Silva Nunes Romunaldo (2\u00ba Tenente do Ex\u00e9rcito)<\/li>\n<li>F\u00e1bio Henrique Souza Braz da Silva (3\u00ba Sargento do Ex\u00e9rcito)<\/li>\n<li>Paulo Henrique Ara\u00fajo Leite (Cabo do Ex\u00e9rcito)<\/li>\n<li>Gabriel Christian Honorato (Soldado do Ex\u00e9rcito)<\/li>\n<li>Gabriel da Silva de Barros Lins (Soldado do Ex\u00e9rcito)<\/li>\n<li>Jo\u00e3o Lucas da Costa Gon\u00e7alo (Soldado do Ex\u00e9rcito)<\/li>\n<li>Leonardo Delfino Costa (Soldado do Ex\u00e9rcito)<\/li>\n<li>Leonardo Oliveira de Souza (Cabo do Ex\u00e9rcito)<\/li>\n<li>Marlon Concei\u00e7\u00e3o da Silva (Soldado do Ex\u00e9rcito)<\/li>\n<li>Matheus Sant&#8217;Anna Claudino (Soldado do Ex\u00e9rcito)<\/li>\n<li>Vitor Borges de Oliveira (Soldado do Ex\u00e9rcito)<\/li>\n<li>Willian Patrick Pinto Nascimento (Soldado do Ex\u00e9rcito)<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Trag\u00e9dia narrada pela den\u00fancia e confrontada pelas investiga\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Na den\u00fancia feita em 10 de maio de 2019, o MPM narrou dois momentos distintos em que foram feitos disparos naquela tarde do dia 7 de abril. De acordo com os promotores, por volta de 14h30, o comboio, chefiado pelo tenente \u00cdtalo Romualdo, transitava pelo bairro de Guadalupe quando se deparou com um roubo de carro, onde o motorista estava sendo amea\u00e7ado por criminosos com uma pistola. Foi a\u00ed que, num primeiro momento, os militares teriam atirado \u2014 em plena \u00e1rea urbana \u2014 contra os assaltantes, num Honda City Branco roubado, e contra o Ford Ka branco de Evaldo, que passava pelo local.<\/p>\n<p>Em 10 de maio de 2019, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Militar ofereceu den\u00fancia contra 12 militares pelos crimes de tentativa de homic\u00eddio qualificado pelo fato de terem agido com excesso ao atuarem em leg\u00edtima defesa do dono de um carro roubado; homic\u00eddios qualificados por terem causado a morte de um m\u00fasico e de um catador de recicl\u00e1veis; tentativa de homic\u00eddio qualificado por terem atentado contra a vida do sogro do m\u00fasico e omiss\u00e3o de socorro \u00e0s v\u00edtimas feridas.<\/p>\n<p>A den\u00fancia narra dois momentos distintos em que foram feitos os disparos dos militares naquele dia 7 de abril de 2019. Por volta das 14h30, um grupo de combate composto pelos militares, sob a chefia do tenente acusado, deslocava-se em uma viatura do 1\u00baBatalh\u00e3o de Infantaria Motorizada Escola para os Pr\u00f3prios Nacionais Residenciais (PNR) quando se deparou com um roubo de autom\u00f3vel no qual o seu propriet\u00e1rio estava sob amea\u00e7a de uma pistola. Nesse contexto, os acusados, a fim de repelir a amea\u00e7a ao dono do ve\u00edculo roubado, efetuaram disparos de fuzis, em regi\u00e3o urbana, na dire\u00e7\u00e3o dos autores do roubo, que embarcaram no ve\u00edculo roubado, um Honda City branco, e num Ford Ka branco. Foi nesse momento, segundo o MPM, em persegui\u00e7\u00e3o na Estrada do Camboat\u00e1, que dois dos disparos feitos pelos militares atingiram o carro de Evaldo, tamb\u00e9m um Ford K\u00e1 branco, que acessava a pista, vindo da Travessa Brasil. Foi a\u00ed, que o m\u00fasico come\u00e7ou a perder os sentidos e o carro acabou parando.<\/p>\n<p>O documento conta que, em seguida, o carro de Evaldo parou, pois o m\u00fasico estava inconsciente, e sua esposa, o filho e uma amiga da fam\u00edlia sa\u00edram do carro em busca de prote\u00e7\u00e3o e pedindo por socorro para o m\u00fasico. O sogro dele, no banco do carona, continuou no carro. O catador Luciano, ent\u00e3o, se aproximou para socorrer Evaldo no lado do motorista. A den\u00fancia conta que, neste momento, os militares j\u00e1 tinham perdido de vista os carros usados pelos bandidos no assalto, e, ao encontrarem o carro de Evaldo parado e com as portas abertas, fizeram os disparos, que acabaram atingindo tamb\u00e9m o catador, que tentou correr, mas foi baleado no bra\u00e7o direito e nas costas e caiu no ch\u00e3o. Na \u00e9poca, acreditava-se em cerca de 80 tiros disparados.<\/p>\n<p>O laudo feito mostrou que, al\u00e9m das 62 balas que atingiram o carro da fam\u00edlia, outros tantos atingiram ainda um bar, uma oficina e outros ve\u00edculos estacionados pr\u00f3ximos ao local, em frente a um conjunto habitacional conhecido como Minhoc\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A prova da responsabilidade criminal dos oito acusados que atiraram \u00e9 robusta, cabal e incontest\u00e1vel, materializada por depoimentos de testemunhas presenciais, provas periciais e o v\u00eddeo com a filmagem do momento dos fatos que comprovam a grande quantidade de disparos efetuados e a aus\u00eancia de qualquer agress\u00e3o ou amea\u00e7a por parte das v\u00edtimas\u201d, conclui o MPM, ao comentar sobre as afirma\u00e7\u00f5es da defesa, de que os militares acreditavam que o carro do m\u00fasico fosse o dos assaltantes e, inclusive, de que o catador de latas estaria armado .<\/p>\n<p><strong>&#8220;Desejavam executar as pessoas que estavam no ve\u00edculo&#8221;, diz MPM<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com as alega\u00e7\u00f5es do MPM, a vers\u00e3o dos acusados n\u00e3o tem fundamento nas provas dos autos. O documento ressalta o fato de que os moradores do Minhoc\u00e3o presenciaram o momento em que a fam\u00edlia sai do carro desesperada, em busca de socorro, e tamb\u00e9m quando o catador se aproxima para ajudar. &#8220;Al\u00e9m disso, a suposta arma atribu\u00edda ao catador pelos acusados n\u00e3o foi encontrada, nenhum estojo percutido e deflagrado foi localizado no local onde estava o catador e o m\u00fasico, n\u00e3o foi identificado nenhum vest\u00edgio de disparo na viatura militar e o dono do autom\u00f3vel roubado n\u00e3o reconheceu o m\u00fasico ou o catador com um dos assaltantes&#8221;.<\/p>\n<p>\u201cMesmo que o carro fosse o dos assaltantes, o que comprovadamente n\u00e3o era, ainda assim, os acusados n\u00e3o poderiam ter disparado seus fuzis sem estarem sofrendo agress\u00e3o ou amea\u00e7a. E ainda que sofressem uma amea\u00e7a de um agente com uma pistola naquele contexto, n\u00e3o poderiam violar o padr\u00e3o legal do uso da for\u00e7a, em especial o emprego da for\u00e7a progressiva e proporcional e a tomada de todas as precau\u00e7\u00f5es razo\u00e1veis para n\u00e3o ferir terceiros, ainda mais em \u00e1rea urbana densamente povoada&#8221;, diz o texto do MPM. &#8220;Os acusados definitivamente, por prova segura e inconteste dos autos n\u00e3o estavam em situa\u00e7\u00e3o de leg\u00edtima defesa. Os militares apertaram os gatilhos de seus fuzis sem previamente certificarem-se de quem eram as pessoas \u00e0 sua frente. E o fizeram \u2013 que fique claro \u2013 porque desejavam executar as pessoas que estavam dentro do ve\u00edculo, acreditando que ali se encontravam os criminosos com quem haviam trocado disparos anteriormente\u201d, consta nas alega\u00e7\u00f5es finais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carro onde Evaldo e a fam\u00edlia estavam foi atingido por 62 tiros. 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