{"id":126649,"date":"2021-09-13T17:21:22","date_gmt":"2021-09-13T20:21:22","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=126649"},"modified":"2021-09-13T17:21:22","modified_gmt":"2021-09-13T20:21:22","slug":"disputa-por-clientes-da-oi-cresce-no-call-center-e-tambem-no-cade-com-conflitos-concorrenciais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/disputa-por-clientes-da-oi-cresce-no-call-center-e-tambem-no-cade-com-conflitos-concorrenciais\/","title":{"rendered":"Disputa por clientes da Oi cresce no call center e tamb\u00e9m no Cade, com conflitos concorrenciais"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p align=\"left\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-thumbnail wp-image-126650\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/acesso-da-internet--150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois meses, clientes da Oi v\u00eam recebendo propostas de pacotes de internet e telefone fixo de TIM, Claro e Vivo. Na conversa, os atendentes explicam que a tele carioca foi comprada e sugerem a contrata\u00e7\u00e3o de um novo combo que inclui oferta de celular por pre\u00e7os atraentes e maior velocidade de conex\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa disputa pelos clientes da Oi traz mais uma\u00a0pol\u00eamica em torno da venda da opera\u00e7\u00e3o m\u00f3vel\u00a0da operadora para as tr\u00eas principais rivais do setor, um neg\u00f3cio de R$ 16,5 bilh\u00f5es, que n\u00e3o inclui os servi\u00e7os de internet e telefone fixos.<\/p>\n<div id=\"pub-in-text-1\" class=\"dfp publicidade outstream clearfix\" data-extra-advertising-format=\"in-text\" data-extra-advertising-index=\"1\"><\/div>\n<div class=\"widgetGenericoInline\">\n<div id=\"widget-generico\">\n<div class=\"extra-oferta-globo-elo\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>No Cade, \u00f3rg\u00e3o que regula a concorr\u00eancia no pa\u00eds, a opera\u00e7\u00e3o est\u00e1 em an\u00e1lise desde fevereiro e longe do fim. A expetativa \u00e9 que o parecer saia entre o fim deste ano e o primeiro trimestre de 2022, de acordo com fontes do mercado. A concretiza\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio tamb\u00e9m depende do aval da Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es (Anatel), onde o processo ainda est\u00e1 em fase de instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nessa altura dos acontecimentos, as liga\u00e7\u00f5es de telemarketing para os clientes da operadora carioca geraram mal-estar entre as empresas a ponto de TIM, Claro e Vivo receberem da Oi uma representa\u00e7\u00e3o criticando a iniciativa, dizem fontes das empresas.<\/p>\n<p>Nos bastidores, as operadoras argumentaram com a Oi que as chamadas foram feitas por empresas de telemarketing sem autoriza\u00e7\u00e3o. Isso porque os departamentos de marketing das teles fazem uma esp\u00e9cie de roteiro para o call center, que nem sempre seria seguido \u00e0 risca.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<h2 align=\"left\">Riscos da concentra\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Oficialmente, Vivo, TIM e Claro dizem manter pr\u00e1ticas comerciais legais e \u00e9ticas. J\u00e1 a Oi destaca que \u201co processo de aliena\u00e7\u00e3o trata exclusivamente da sua opera\u00e7\u00e3o m\u00f3vel e ainda se encontra em fase de an\u00e1lise concorrencial e regulat\u00f3ria\u201d. E acrescenta ainda n\u00e3o ter \u201cqualquer acordo com as operadoras concorrentes para nenhum tipo de abordagem comercial de nenhuma natureza \u00e0 sua base de clientes\u201d, acrescentando que o setor \u00e9 \u201caltamente competitivo e pautado pelo respeito \u00e0s pr\u00e1ticas concorrenciais e regulat\u00f3rias\u201d.<\/p>\n<p>Camila Leite Contri, pesquisadora de telecomunica\u00e7\u00f5es e direito digital do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), classifica esse epis\u00f3dio como \u201ccompeti\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria\u201d:<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 desleal e preocupante, pois induz o consumidor ao erro, j\u00e1 que sequer a compra da Oi foi legitimada ainda. Tememos que a venda da Oi m\u00f3vel para essas tr\u00eas operadoras, com o consequente aumento de concentra\u00e7\u00e3o desse mercado, perpetue os problemas de qualidade e de pre\u00e7o que j\u00e1 temos. At\u00e9 porque a Oi era a que mantinha pacotes mais populares \u2014 destaca.<\/p>\n<p>A competi\u00e7\u00e3o pelos quase 15 milh\u00f5es de clientes que t\u00eam servi\u00e7os fixos da Oi ocorre em um momento em que Idec, concorrentes (como Algar e Sercomtel) e associa\u00e7\u00f5es de companhias de telecom de menor porte (Telcomp e Neo) foram\u00a0inclu\u00eddos como partes interessadas no processo de venda da opera\u00e7\u00e3o m\u00f3vel da Oi pelo Cade. No fundo, o objetivo dessas institui\u00e7\u00f5es \u00e9 desfazer o neg\u00f3cio para que haja uma nova oferta do servi\u00e7o m\u00f3vel da Oi.<\/p>\n<p>\u2014 Se fizessem a oferta da Oi como se estruturou a do 5G, com regionaliza\u00e7\u00e3o, poderia dar oportunidade a pequenas e m\u00e9dias empresas ganharem musculatura e gerar mais competi\u00e7\u00e3o. Claro que isso \u00e9 bom para as empresas, mas certamente tamb\u00e9m \u00e9 para o consumidor\u2014 diz Alex Jucius, diretor-geral da Neo, associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane 200 empresas do setor.<\/p>\n<p>A Neo apresentou ao Cade estudo que mostra o efeito do aumento da concentra\u00e7\u00e3o de mercado sobre pre\u00e7o e qualidade assinado pelos economistas Camila Cabral Pires Alves, ex-economista-chefe Adjunta do Cade, Eduardo Pontual Ribeiro e Luiz Carlos Delorme Prado, ambos ex-conselheiros do Cade.<\/p>\n<p>\u2014 Comparamos dados de pa\u00edses europeus em que houve esse processo de consolida\u00e7\u00e3o, de 2000 para c\u00e1, e nos quais isso n\u00e3o aconteceu. A conclus\u00e3o \u00e9 que nos pa\u00edses com mercado mais concentrado a queda de pre\u00e7os, natural nesse segmento pelo desenvolvimento da tecnologia, \u00e9 mais lenta, assim como a melhora da qualidade \u2014 afirma Pontual.<\/p>\n<p>Quem tamb\u00e9m foi ao Cade questionar o processo foi o F\u00f3rum 5G, uma inciativa que re\u00fane cerca de 300 provedores de servi\u00e7o de internet. Em carta enviada ao \u00f3rg\u00e3o, e obtida pelo GLOBO, eles dizem que \u201co poder econ\u00f4mico concentrado pelos grandes conglomerados internacionais estabelecidos no Brasil representa um retrocesso na competi\u00e7\u00e3o, concorr\u00eancia e livre mercado\u201d.<\/p>\n<p>Para o F\u00f3rum 5G, a maior concentra\u00e7\u00e3o pode causar a extin\u00e7\u00e3o de pequenos provedores de internet no Brasil em um momento em que o pa\u00eds se prepara para fazer o leil\u00e3o 5G, previsto para outubro. Para eles, as frequ\u00eancias atuais de 2G, 3G e 4G da Oi ser\u00e3o divididas entre Vivo, Claro e TIM,impossibilitando companhias menores de prestarem servi\u00e7os.<\/p>\n<p>\u201cSem acesso \u00e0s redes j\u00e1 instaladas, os pequenos prestadores precisar\u00e3o investir na instala\u00e7\u00e3o de uma imensa rede de tecnologia 5G em m\u00faltiplas regi\u00f5es\u201d, explicaram.<\/p>\n<p>A expectativa do mercado \u00e9 que a compra da Oi M\u00f3vel seja aprovada com diversas condicionantes pelo Cade. Segundo fontes, a ideia \u00e9 que Vivo, Claro e TIM dividam as cerca de 37 milh\u00f5es de linhas m\u00f3veis da Oi por DDD de forma que as tr\u00eas empresas mantenham fatias semelhantes \u00e0s que j\u00e1 ostentam hoje Brasil afora.<\/p>\n<p>Procurado, o Cade disse que \u201cn\u00e3o comenta processos em an\u00e1lise\u201d. A Anatel, disse que o processo encontra-se em fase de instru\u00e7\u00e3o, \u201co que compreende a apura\u00e7\u00e3o dos reflexos da opera\u00e7\u00e3o e sua adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Perguntada sobre as pr\u00e1ticas comerciais, a ag\u00eancia disse ressaltar a representantes de Claro, Vivo e TIM que o cuidado com os clientes atuais da Oi \u201cdeve ser uma das prioridades\u201d quando se fala da aliena\u00e7\u00e3o dos ativos da operadora. E acrescenta que \u00e9 preciso que as a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o respeitem a liberdade do consumidor da Oi durante toda a opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dois meses, clientes da Oi v\u00eam recebendo propostas de pacotes de internet e telefone fixo de TIM, Claro e Vivo. Na conversa, os atendentes explicam que a tele carioca foi comprada e sugerem a contrata\u00e7\u00e3o de um novo combo que inclui oferta de celular por pre\u00e7os atraentes e maior velocidade de conex\u00e3o. Essa disputa pelos clientes da Oi traz mais uma\u00a0pol\u00eamica em torno da venda da opera\u00e7\u00e3o m\u00f3vel\u00a0da operadora para as tr\u00eas principais rivais do setor, um neg\u00f3cio de R$ 16,5 bilh\u00f5es, que n\u00e3o inclui os servi\u00e7os de internet e telefone fixos. &nbsp; No Cade, \u00f3rg\u00e3o que regula a concorr\u00eancia no pa\u00eds, a opera\u00e7\u00e3o est\u00e1 em an\u00e1lise desde fevereiro e longe do fim. A expetativa \u00e9 que o parecer saia entre o fim deste ano e o primeiro trimestre de 2022, de acordo com fontes do mercado. A concretiza\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio tamb\u00e9m depende do aval da Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es (Anatel), onde o processo ainda est\u00e1 em fase de instru\u00e7\u00e3o. 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A competi\u00e7\u00e3o pelos quase 15 milh\u00f5es de clientes que t\u00eam servi\u00e7os fixos da Oi ocorre em um momento em que Idec, concorrentes (como Algar e Sercomtel) e associa\u00e7\u00f5es de companhias de telecom de menor porte (Telcomp e Neo) foram\u00a0inclu\u00eddos como partes interessadas no processo de venda da opera\u00e7\u00e3o m\u00f3vel da Oi pelo Cade. No fundo, o objetivo dessas institui\u00e7\u00f5es \u00e9 desfazer o neg\u00f3cio para que haja uma nova oferta do servi\u00e7o m\u00f3vel da Oi. \u2014 Se fizessem a oferta da Oi como se estruturou a do 5G, com regionaliza\u00e7\u00e3o, poderia dar oportunidade a pequenas e m\u00e9dias empresas ganharem musculatura e gerar mais competi\u00e7\u00e3o. Claro que isso \u00e9 bom para as empresas, mas certamente tamb\u00e9m \u00e9 para o consumidor\u2014 diz Alex Jucius, diretor-geral da Neo, associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane 200 empresas do setor. A Neo apresentou ao Cade estudo que mostra o efeito do aumento da concentra\u00e7\u00e3o de mercado sobre pre\u00e7o e qualidade assinado pelos economistas Camila Cabral Pires Alves, ex-economista-chefe Adjunta do Cade, Eduardo Pontual Ribeiro e Luiz Carlos Delorme Prado, ambos ex-conselheiros do Cade. \u2014 Comparamos dados de pa\u00edses europeus em que houve esse processo de consolida\u00e7\u00e3o, de 2000 para c\u00e1, e nos quais isso n\u00e3o aconteceu. A conclus\u00e3o \u00e9 que nos pa\u00edses com mercado mais concentrado a queda de pre\u00e7os, natural nesse segmento pelo desenvolvimento da tecnologia, \u00e9 mais lenta, assim como a melhora da qualidade \u2014 afirma Pontual. Quem tamb\u00e9m foi ao Cade questionar o processo foi o F\u00f3rum 5G, uma inciativa que re\u00fane cerca de 300 provedores de servi\u00e7o de internet. 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Segundo fontes, a ideia \u00e9 que Vivo, Claro e TIM dividam as cerca de 37 milh\u00f5es de linhas m\u00f3veis da Oi por DDD de forma que as tr\u00eas empresas mantenham fatias semelhantes \u00e0s que j\u00e1 ostentam hoje Brasil afora. Procurado, o Cade disse que \u201cn\u00e3o comenta processos em an\u00e1lise\u201d. A Anatel, disse que o processo encontra-se em fase de instru\u00e7\u00e3o, \u201co que compreende a apura\u00e7\u00e3o dos reflexos da opera\u00e7\u00e3o e sua adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel\u201d. Perguntada sobre as pr\u00e1ticas comerciais, a ag\u00eancia disse ressaltar a representantes de Claro, Vivo e TIM que o cuidado com os clientes atuais da Oi \u201cdeve ser uma das prioridades\u201d quando se fala da aliena\u00e7\u00e3o dos ativos da operadora. 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