{"id":136891,"date":"2022-05-13T14:17:53","date_gmt":"2022-05-13T17:17:53","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=136891"},"modified":"2022-05-13T14:17:54","modified_gmt":"2022-05-13T17:17:54","slug":"entidades-pedirao-a-reconstrucao-de-monumento-no-jacarezinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/entidades-pedirao-a-reconstrucao-de-monumento-no-jacarezinho\/","title":{"rendered":"Entidades pedir\u00e3o a reconstru\u00e7\u00e3o de monumento no Jacarezinho"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n\n<p>Akemi Nitahara \u2013 Ag\u00eancia Brasil &#8211; <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2022-05\/policia-civil-derruba-monumento-vitimas-da-chacina-do-jacarezinho\" target=\"_blank\">Ap\u00f3s a derrubada<\/a>, pela Pol\u00edcia Civil, do monumento em homenagem aos 28 mortos na chacina do Jacarezinho, ativistas, vereadores e entidades ligadas aos direitos humanos repudiaram o ato e pedir\u00e3o a reconstru\u00e7\u00e3o do memorial.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1459570&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1459570&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>O advogado Jo\u00e3o Tancredo, representante das fam\u00edlias de 14 v\u00edtimas, disse que n\u00e3o havia nenhuma decis\u00e3o judicial ou administrativa para a retirada do monumento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o pode ser o meu julgamento dizendo o que \u00e9 ilegal e o que \u00e9 legal. Eu tenho que ter uma resposta da justi\u00e7a e se a justi\u00e7a diz que \u00e9 ilegal, eu tenho que tomar, como autoridade, provid\u00eancias. N\u00e3o h\u00e1 ilegalidade nenhuma na coloca\u00e7\u00e3o de um memorial \u00e0s v\u00edtimas da chacina, lembrando que foi a mais letal do Rio de Janeiro\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>O monumento foi inaugurado na sexta-feira passada (6), para homenagear as&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2021-05\/operacao-policial-no-jacarezinho-deixa-pelo-menos-25-mortos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">v\u00edtimas da Opera\u00e7\u00e3o Exceptis<\/a>, da Pol\u00edcia Civil, ocorrida no dia 6 de maio do ano passado. A constru\u00e7\u00e3o consistia em uma parede com cerca de 1,7m de altura e 1,5m de largura, pintada de azul, onde foram fixadas placas com o nome dos 28 mortos, incluindo o policial Andr\u00e9 Leonardo de Mello Frias. O memorial n\u00e3o atrapalhava a circula\u00e7\u00e3o de pedestres nem de ve\u00edculos.<\/p>\n\n\n\n<p>O memorial tinha uma placa com os dizeres: \u201cHomenagem \u00e0s v\u00edtimas da chacina do Jacarezinho. Em 06\/05\/2021, 27 moradores e um servidor foram mortos, v\u00edtimas da pol\u00edtica genocida e racista do estado do Rio de Janeiro, que faz do Jacarezinho uma pra\u00e7a de guerra, para combater um mercado varejista de drogas que nunca vai deixar de existir. Nenhuma morte deve ser esquecida. Nenhuma chacina deve ser normalizada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tarde de quarta-feira (11), policiais civis entraram com blindados na comunidade, na zona norte do Rio de Janeiro, e derrubaram a pequena constru\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s retirar as placas com p\u00e9-de-cabra e depois quebraram o memorial a marretadas. A pol\u00edcia alegou que o monumento n\u00e3o tinha autoriza\u00e7\u00e3o da prefeitura e fazia apologia ao tr\u00e1fico de drogas, al\u00e9m da fixa\u00e7\u00e3o do nome do policial \u201cjunto com o nome dos traficantes\u201d n\u00e3o ter sido autorizada pela vi\u00fava.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado Jo\u00e3o Tancredo informou que se reunir\u00e1 na pr\u00f3xima semana com entidades que atuam no Jacarezinho e com familiares das v\u00edtimas para discutir as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para pedir a reconstru\u00e7\u00e3o do memorial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente tem que come\u00e7ar a dar um fim a isso, porque arbitrariedade n\u00e3o interessa a ningu\u00e9m. Criminosos deve estar sujeito ao processo legal, e n\u00e3o \u00e0 execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria. A autoridade tem homenageado muito escravocratas, ditadores, com monumentos e at\u00e9 vias p\u00fablicas, e nega aos enlutados pela viol\u00eancia um espa\u00e7o para lembrar seus mortos\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>A vereadora Thais Ferreira se reuniu ontem (12) com representantes de organiza\u00e7\u00f5es sociais e informou que ir\u00e1 propor um projeto de lei para a constru\u00e7\u00e3o de um novo memorial, no mesmo local do que foi destru\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse memorial \u00e9 para as fam\u00edlias, para a gente ter essa dignidade humana do luto garantida para todas as pessoas. A gente tamb\u00e9m j\u00e1 estava fazendo um mapeamento, desde quando a chacina aconteceu, sobre a quest\u00e3o de como o Jacarezinho est\u00e1 entregando pol\u00edticas p\u00fablicas para crian\u00e7as e adolescentes, j\u00e1 que a opera\u00e7\u00e3o teve essa justificativa, de colocar o aliciamento de crian\u00e7as e adolescentes como o motivo para que a opera\u00e7\u00e3o acontecesse\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Thais, presidente da Comiss\u00e3o da Crian\u00e7a e do Adolescente da C\u00e2mara de Vereadores, o levantamento at\u00e9 agora aponta para a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a inf\u00e2ncia e juventude. Ela adiantou que vai convocar uma audi\u00eancia p\u00fablica para debater a quest\u00e3o com os movimentos sociais e fam\u00edlias de v\u00edtimas de viol\u00eancia do Jacarezinho.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a secret\u00e1ria Municipal de Conserva\u00e7\u00e3o, Anna Laura Freire, a prefeitura n\u00e3o teve conhecimento da constru\u00e7\u00e3o do memorial e n\u00e3o foi consultada sobre a derrubada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Secretaria de Conserva\u00e7\u00e3o desconhecia esse monumento, nada passou por n\u00f3s, n\u00e3o temos ci\u00eancia de nada, nem de que foi colocado nem que a pol\u00edcia retirou. N\u00e3o temos nenhum acesso a isso, n\u00e3o sabemos de nada. Foi uma opera\u00e7\u00e3o policial, nada tem a ver com a gente\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rep\u00fadio<\/h2>\n\n\n\n<p>Entidades de direitos humanos se manifestaram em rep\u00fadio \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do memorial. A Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e Assist\u00eancia Judici\u00e1ria (CDHAJ) da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ) lembrou que a opera\u00e7\u00e3o na comunidade foi a mais letal registrada no estado e que 24 inqu\u00e9ritos para apurar as circunst\u00e2ncias das mortes foram arquivados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO memorial propunha a cr\u00edtica sobre o motivo de tantas pessoas morrerem, ao mesmo tempo em que reafirmava a obriga\u00e7\u00e3o do Estado na prote\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 vida e do devido processo legal. Ignorar esse fato e classific\u00e1-lo como apologia ao crime s\u00e3o iniciativas incompat\u00edveis com o Estado democr\u00e1tico de direito\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Nota p\u00fablica assinada pelo GT Interinstitucional de Defesa da Cidadania, composto por 11 entidades, entre elas o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, as defensorias p\u00fablicas da Uni\u00e3o e do Estado do Rio de Janeiro, o Mecanismo Estadual de Preven\u00e7\u00e3o e Combate \u00e0 Tortura, o F\u00f3rum Grita Baixada e a Frente Estadual pelo Desencarceramento, destaca problemas nas investiga\u00e7\u00f5es do caso Jacarezinho, com dez pontos cr\u00edticos, incluindo o descumprimento de condena\u00e7\u00e3o do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Favela Nova Bras\u00edlia. Na ocasi\u00e3o, foram mortas 26 pessoas, al\u00e9m de tr\u00eas mulheres, sendo duas menores de idade na \u00e9poca, terem sofrido abusos sexuais, em duas incurs\u00f5es policiais na comunidade do Complexo do Alem\u00e3o, na zona norte do Rio de Janeiro, em outubro de 1994 e em maio de 1995.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO ponto resolutivo n\u00ba 16 da senten\u00e7a estabelece que todas as investiga\u00e7\u00f5es de mortes, tortura ou viol\u00eancia policial devem ser conduzidas, diretamente, por um \u00f3rg\u00e3o independente e diferente da for\u00e7a policial envolvida no incidente e que eventual aux\u00edlio seja prestado por for\u00e7a policial, t\u00e9cnica e administrativa alheia ao \u00f3rg\u00e3o de seguran\u00e7a a que perten\u00e7a o poss\u00edvel acusado. Assim, todo o material probat\u00f3rio produzido no \u00e2mbito do inqu\u00e9rito policial a cargo da Pol\u00edcia Civil deveria ter sido considerado imprest\u00e1vel para a tomada de decis\u00e3o sobre o in\u00edcio da persecu\u00e7\u00e3o criminal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00f4nica Cunha, integrante da Coaliz\u00e3o Negra por Direitos, disse que a destrui\u00e7\u00e3o do memorial impede m\u00e3es negras de exercerem um direito b\u00e1sico ao luto pela perda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA chacina do Jacarezinho veio mais uma vez comprovar, at\u00e9 pela proximidade do dia 13 de maio, que essa aboli\u00e7\u00e3o n\u00e3o existiu, que essa liberdade ainda n\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s, n\u00f3s n\u00e3o somos um povo livre, ainda continuamos na luta, mais de 500 anos buscando esse aquilombamento e essa liberdade. Ter destru\u00eddo essa homenagem \u00e9 ter assassinado novamente todos os filhos dessas mulheres. O Estado arranca nossos filhos, dizima a nossa fam\u00edlia e n\u00e3o deixa a gente ter o direito do luto e nem da mem\u00f3ria\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Akemi Nitahara \u2013 Ag\u00eancia Brasil &#8211; Ap\u00f3s a derrubada, pela Pol\u00edcia Civil, do monumento em homenagem aos 28 mortos na chacina do Jacarezinho, ativistas, vereadores e entidades ligadas aos direitos humanos repudiaram o ato e pedir\u00e3o a reconstru\u00e7\u00e3o do memorial. 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