{"id":152885,"date":"2023-04-25T18:15:23","date_gmt":"2023-04-25T21:15:23","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=152885"},"modified":"2023-04-25T18:16:11","modified_gmt":"2023-04-25T21:16:11","slug":"classe-c-gasta-um-terco-dos-rendimentos-com-alimentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/classe-c-gasta-um-terco-dos-rendimentos-com-alimentacao\/","title":{"rendered":"Classe C gasta um ter\u00e7o dos rendimentos com alimenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n\n<p>Daniel Mello &#8211; Ag\u00eancia Brasil &#8211; As fam\u00edlias da classe C, que ganham entre R$ 5,2 mil e R$ 13 mil mensais, gastam em m\u00e9dia um ter\u00e7o, o equivalente a 33,3%, dos rendimentos com alimenta\u00e7\u00e3o, segundo pesquisa divulgada nesta ter\u00e7a-feira (25) pelo Instituto Locomotiva. Entre as fam\u00edlias da classe B, com rendimento de R$ 13 mil a R$ 26 mil, o percentual da renda comprometida com alimenta\u00e7\u00e3o cai para 13,2%.<\/p>\n\n\n\n<p>Para as fam\u00edlias com rendimentos entre R$ 1,3 mil e R$ 5,2mil, classificadas como classes D e E, mais da metade do dinheiro recebido mensalmente (50,7%) \u00e9 gasto com comida.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo foi encomendado pela empresa de benef\u00edcios VR.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o estudo, para a classe C, os benef\u00edcios como vale-refei\u00e7\u00e3o e vale-alimenta\u00e7\u00e3o representam, em m\u00e9dia, entre 3% e 8,5% dos gastos com alimenta\u00e7\u00e3o. Para as classes D e E, esses benef\u00edcios chegam a cobrir 33% dessas despesas.<\/p>\n\n\n\n<p>A classe C, segundo a pesquisa, representa no Brasil aproximadamente 109 milh\u00f5es de pessoas, a maioria negras (60%). Quase a metade dessas fam\u00edlias s\u00e3o chefiadas por mulheres (49%) e 52% dessa popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o concluiu o ensino m\u00e9dio. \u201cChefiados por mulheres porque parte \u00e9 m\u00e3e solteira\u201d, detalha o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Poder de compra<\/h2>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, em um processo agravado pela pandemia da covid-19, Meirelles disse que houve perda do poder de compra dessas fam\u00edlias. \u201cH\u00e1 cinco anos, com 40% do valor de um sal\u00e1rio m\u00ednimo dava para comprar uma cesta b\u00e1sica. Hoje, 59% do valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo d\u00e1 para comprar uma cesta b\u00e1sica. Ou seja, o poder de compra de alimentos, dos itens b\u00e1sicos, diminuiu\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, de acordo com ele, esses consumidores se tornaram ainda mais atentos aos produtos que consomem. \u201cUma radicaliza\u00e7\u00e3o do custo-benef\u00edcio, que passa a ser muito mais exigente nos produtos que ele est\u00e1 comprando, na rela\u00e7\u00e3o qualidade versus pre\u00e7o do que ele t\u00e1 comprando\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa camada da popula\u00e7\u00e3o, estrat\u00e9gias, como adotadas por v\u00e1rias marcas, de reduzir o tamanho das embalagens ou a qualidade da composi\u00e7\u00e3o dos produtos como forma de disfar\u00e7ar aumento de pre\u00e7os tendem, segundo Meirelles, a ser especialmente mal vistas. \u201cO custo do erro na classe C \u00e9 muito maior. Ent\u00e3o, se o consumidor da classe C compra um produto que est\u00e1 mais barato, mas n\u00e3o entrega o que promete, ele vai ter que comer aquele produto o m\u00eas inteiro, porque a grana que ele tinha para aquele produto era contada\u201d, explica sobre o impacto da redu\u00e7\u00e3o da qualidade nessas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDentro do que cabe no bolso, ele vai buscar a melhor qualidade, \u00e9 esse o movimento que veio para ficar, isso n\u00e3o vai mudar\u201d, acrescenta o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Endividamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisa, oito em cada dez fam\u00edlias da classe C t\u00eam d\u00edvidas em aberto, sendo que um em cada tr\u00eas est\u00e1 inadimplente. De acordo com Meirelles, muitas vezes as d\u00edvidas s\u00e3o contra\u00eddas como forma de garantir o consumo de itens b\u00e1sicos. \u201cQuando o sal\u00e1rio acaba e o m\u00eas n\u00e3o, a classe C que tem cart\u00e3o de cr\u00e9dito vai no supermercado ou na farm\u00e1cia e compra com o cart\u00e3o de cr\u00e9dito para ganhar 20 dias para pagar\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Fernando Fraga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Mello &#8211; Ag\u00eancia Brasil &#8211; As fam\u00edlias da classe C, que ganham entre R$ 5,2 mil e R$ 13 mil mensais, gastam em m\u00e9dia um ter\u00e7o, o equivalente a 33,3%, dos rendimentos com alimenta\u00e7\u00e3o, segundo pesquisa divulgada nesta ter\u00e7a-feira (25) pelo Instituto Locomotiva. Entre as fam\u00edlias da classe B, com rendimento de R$ 13 mil a R$ 26 mil, o percentual da renda comprometida com alimenta\u00e7\u00e3o cai para 13,2%. Para as fam\u00edlias com rendimentos entre R$ 1,3 mil e R$ 5,2mil, classificadas como classes D e E, mais da metade do dinheiro recebido mensalmente (50,7%) \u00e9 gasto com comida. O estudo foi encomendado pela empresa de benef\u00edcios VR. De acordo com o estudo, para a classe C, os benef\u00edcios como vale-refei\u00e7\u00e3o e vale-alimenta\u00e7\u00e3o representam, em m\u00e9dia, entre 3% e 8,5% dos gastos com alimenta\u00e7\u00e3o. Para as classes D e E, esses benef\u00edcios chegam a cobrir 33% dessas despesas. A classe C, segundo a pesquisa, representa no Brasil aproximadamente 109 milh\u00f5es de pessoas, a maioria negras (60%). Quase a metade dessas fam\u00edlias s\u00e3o chefiadas por mulheres (49%) e 52% dessa popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o concluiu o ensino m\u00e9dio. \u201cChefiados por mulheres porque parte \u00e9 m\u00e3e solteira\u201d, detalha o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles. Poder de compra Nos \u00faltimos anos, em um processo agravado pela pandemia da covid-19, Meirelles disse que houve perda do poder de compra dessas fam\u00edlias. \u201cH\u00e1 cinco anos, com 40% do valor de um sal\u00e1rio m\u00ednimo dava para comprar uma cesta b\u00e1sica. Hoje, 59% do valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo d\u00e1 para comprar uma cesta b\u00e1sica. Ou seja, o poder de compra de alimentos, dos itens b\u00e1sicos, diminuiu\u201d, explicou. Por isso, de acordo com ele, esses consumidores se tornaram ainda mais atentos aos produtos que consomem. \u201cUma radicaliza\u00e7\u00e3o do custo-benef\u00edcio, que passa a ser muito mais exigente nos produtos que ele est\u00e1 comprando, na rela\u00e7\u00e3o qualidade versus pre\u00e7o do que ele t\u00e1 comprando\u201d, ressalta. Nessa camada da popula\u00e7\u00e3o, estrat\u00e9gias, como adotadas por v\u00e1rias marcas, de reduzir o tamanho das embalagens ou a qualidade da composi\u00e7\u00e3o dos produtos como forma de disfar\u00e7ar aumento de pre\u00e7os tendem, segundo Meirelles, a ser especialmente mal vistas. \u201cO custo do erro na classe C \u00e9 muito maior. Ent\u00e3o, se o consumidor da classe C compra um produto que est\u00e1 mais barato, mas n\u00e3o entrega o que promete, ele vai ter que comer aquele produto o m\u00eas inteiro, porque a grana que ele tinha para aquele produto era contada\u201d, explica sobre o impacto da redu\u00e7\u00e3o da qualidade nessas fam\u00edlias. \u201cDentro do que cabe no bolso, ele vai buscar a melhor qualidade, \u00e9 esse o movimento que veio para ficar, isso n\u00e3o vai mudar\u201d, acrescenta o pesquisador. 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