{"id":160990,"date":"2023-09-27T10:58:18","date_gmt":"2023-09-27T13:58:18","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=160990"},"modified":"2023-09-27T11:00:04","modified_gmt":"2023-09-27T14:00:04","slug":"com-vocacao-para-turismo-de-aventura-brasil-subaproveita-potencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/com-vocacao-para-turismo-de-aventura-brasil-subaproveita-potencial\/","title":{"rendered":"Com voca\u00e7\u00e3o para turismo de aventura, Brasil subaproveita potencial"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n\n<p>Com 8,5 mil quil\u00f4metros de faixa litor\u00e2nea, clima tropical e condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 pr\u00e1tica de atividades ao ar livre o ano todo, o Brasil tem potencial para estimular o turismo de aventura, que, junto com o ecoturismo, comp\u00f5e o turismo de natureza.&nbsp;\u00c9 o que defendem especialistas ouvidos pela&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;no Dia Mundial do Turismo, celebrado nesta quarta-feira (27). Eles sustentam que, para isso, contudo, o pa\u00eds precisa aprimorar a infraestrutura receptiva, garantindo seguran\u00e7a e bem-estar aos visitantes, e investir mais na divulga\u00e7\u00e3o de seus atrativos naturais.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1557351&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1557351&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Turismo de Aventura (Abeta), Vinicius Viegas, diz ser testemunha do crescente interesse do p\u00fablico em geral pelo turismo de natureza. Mesmo assim, a exemplo de outros entrevistados, ele considera que o Brasil n\u00e3o aproveita todas as possibilidades que o segmento oferece.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEste aumento ainda est\u00e1 muito aqu\u00e9m do nosso potencial. N\u00e3o \u00e9 fruto de uma estrat\u00e9gia de divulga\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias atividades que um turista pode experimentar ao visitar o pa\u00eds. Quando se trata do turismo esportivo, o interesse estrangeiro est\u00e1 muito mais associado \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o, \u00e0 visibilidade que cada esporte conquistou junto a seus praticantes\u201d, pondera Viegas, montanhista e dono de uma ag\u00eancia de viagens especializada no segmento.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ele cita o exemplo da chamada Rota das Emo\u00e7\u00f5es, que interliga Cear\u00e1, Piau\u00ed e Maranh\u00e3o. \u201cHoje, kitesurfistas do mundo inteiro sonham em um dia conhecer e velejar pela regi\u00e3o\u201d, acrescenta, ao destacar&nbsp;a forte concorr\u00eancia entre os principais destinos tur\u00edsticos globais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNeste setor, o sucesso depende de uma conjun\u00e7\u00e3o de fatores. Convenhamos, montanhas, cachoeiras e florestas dos mais diversos tipos existem em todo o mundo. Por isso \u00e9 preciso transmitir seguran\u00e7a e investir mais na divulga\u00e7\u00e3o. Porque tirando alguns destinos cl\u00e1ssicos que quase todo esportista gostaria de conhecer, como o Hava\u00ed para um surfista, a escolha de um destino de viagem envolve v\u00e1rios aspectos, como seguran\u00e7a p\u00fablica, infraestrutura de transporte, acomoda\u00e7\u00f5es, custos, alimenta\u00e7\u00e3o. Tudo pesa. At\u00e9 as dificuldades com o idioma.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 o que discutir quanto \u00e0 potencialidade e \u00e0 imensa voca\u00e7\u00e3o do Brasil para o turismo esportivo e de aventura, mas ainda \u00e9 necess\u00e1rio um trabalho integrado, estrat\u00e9gico, que apresente o Brasil desta forma no exterior\u201d, concorda a coordenadora de Turismo do Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Ana Clevia Guerreiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Secret\u00e1ria do Turismo do Cear\u00e1, Yrwana Albuquerque Guerra diz que o pa\u00eds ainda \u00e9 &#8220;uma criancinha dentro deste segmento t\u00e3o lucrativo&#8221;.&nbsp;&#8220;Precisamos nos assumir como um pa\u00eds prop\u00edcio para a pr\u00e1tica de esportes de a\u00e7\u00e3o e de ecoturismo e divulgar isso para o mundo&#8221;, defende.<\/p>\n\n\n\n<p>O Cear\u00e1 \u00e9 frequentemente apontado como exemplo de promo\u00e7\u00e3o do potencial de atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica dos esportes de a\u00e7\u00e3o, como o&nbsp;<em>kitesurf<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Esportes de aventura<\/h2>\n\n\n\n<p>Atletas como a sete vezes campe\u00e3 mundial Mikaili Sol (CE), o tetracampe\u00e3o Carlos M\u00e1rio \u201cBeb\u00ea\u201d (CE) e a tricampe\u00e3 Bruna Kajiya (SP) ajudaram a propagar entre praticantes do&nbsp;<em>kite<\/em>&nbsp;a informa\u00e7\u00e3o de que o Brasil, especialmente o litoral nordestino, \u00e9 um local privilegiado para a pr\u00e1tica do esporte, com condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias durante quase todo o ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro esporte de aventura com potencial para projetar no exterior a voca\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 o surfe. Entre&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2014-12\/medina-da-ao-brasil-o-primeiro-titulo-mundial-na-principal-categoria-do-surf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2014<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/esportes\/noticia\/2023-09\/filipe-toledo-conquista-o-bicampeonato-mundial-de-surfe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2023<\/a>, quatro surfistas brasileiros \u2013 Gabriel Medina (SP), Adriano de Souza \u201cMineirinho\u201d (SP), \u00cdtalo Ferreira (RN) e Filipe Toledo (SP) \u2013 faturaram sete dos nove t\u00edtulos de campe\u00f5es mundiais disputados no per\u00edodo, conquistando f\u00e3s do esporte em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 Medina tem mais de 11 milh\u00f5es de seguidores em uma popular rede social. Ferreira, que em 2021 voltou a fazer hist\u00f3ria,<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/esportes\/noticia\/2021-07\/italo-ferreira-e-ouro-em-toquio-e-1o-campeao-olimpico-no-surfe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;tornando-se o primeiro campe\u00e3o ol\u00edmpico da modalidade<\/a>, tem 2,8 milh\u00f5es. O potiguar tamb\u00e9m estrelou um programa de sucesso em um canal por assinatura no qual ajudou a divulgar as belezas e a qualidade das ondas de sua cidade natal, Ba\u00eda Formosa, para um p\u00fablico que n\u00e3o se restringia ao do surfe.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/esporte_de_aventrua_horizontal.png?itok=25uEK0F6\" alt=\"timeline\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A consagra\u00e7\u00e3o desses e de outros brasileiros nos esportes de a\u00e7\u00e3o, como o hexacampe\u00e3o mundial de<em>&nbsp;bodyboarding<\/em>&nbsp;Guilherme T\u00e2mega e dos skatistas medalhistas ol\u00edmpicos Kelvin Hoefler e Rayssa Leal, gerou bastante publicidade positiva para o Brasil. O que n\u00e3o foi suficiente para atrair ao pa\u00eds um maior n\u00famero de estrangeiros interessados em conhecer as condi\u00e7\u00f5es em que nossos campe\u00f5es mundiais foram formados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">P\u00fablico-alvo<\/h2>\n\n\n\n<p>O turismo de aventura\/esportivo \u00e9 um segmento bastante lucrativo, movimentando cifras bilion\u00e1rias ao redor do planeta. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Turismo (OMT), antes do reconhecimento do<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2020-03\/organizacao-mundial-da-saude-declara-pandemia-de-coronavirus\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;car\u00e1ter pand\u00eamico da covid-19<\/a>, em 2019, o turismo convencional crescia a uma taxa m\u00e9dia anual de 7,5%. J\u00e1 o turismo de aventura chegou a registrar expans\u00e3o de 20%.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, a Grand View Research, multinacional especialista em consultoria e pesquisas de mercado,<a href=\"https:\/\/www.grandviewresearch.com\/industry-analysis\/adventure-tourism-market-report\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;apontou que, em 2021,<\/a>&nbsp;mesmo com as restri\u00e7\u00f5es \u00e0s viagens em raz\u00e3o da pandemia, o mercado global de turismo de aventura tinha potencial para movimentar algo em torno de US$ 282,1 bilh\u00f5es, com uma perspectiva de se expandir cerca de 15% ao ano entre 2022 e 2030.<\/p>\n\n\n\n<p>Como aponta a secret\u00e1ria Yrwana Albuquerque Guerra, o Brasil ainda d\u00e1 passos t\u00edmidos neste segmento \u2013 refletindo o que ocorre com a ind\u00fastria tur\u00edstica nacional em geral. Em 2019, o pa\u00eds recebeu, ao todo, pouco mais de 6,35 milh\u00f5es de turistas estrangeiros. Com isso, ficou de fora da lista de 50 maiores pa\u00edses receptores tur\u00edsticos. Comparativamente, a Fran\u00e7a, que ocupa o primeiro lugar do&nbsp;<em>ranking<\/em>&nbsp;da OMT, recebeu 89 milh\u00f5es de estrangeiros \u2013 ou 14 vezes mais viajantes, embora tenha menos da metade do tamanho do estado do Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.dadosefatos.turismo.gov.br\/2016-02-04-11-53-05.html#:~:text=Anu%C3%A1rio%20Estat%C3%ADstico%20de%20Turismo%202020%20%2D%20Ano%20Base%202019&amp;text=A%202%C2%AA%20edi%C3%A7%C3%A3o%20do%2047%C2%BA,o%20entendimento%20do%20seu%20conte%C3%BAdo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dados do Minist\u00e9rio do Turismo<\/a>, de todos os estrangeiros que desembarcaram em territ\u00f3rio brasileiro ao longo de 2019, 18,6% afirmaram ter viajado com o prop\u00f3sito de ter contato com a natureza e praticar atividades ligadas ao turismo de aventura e ao ecoturismo. Outros 2,4% vieram fazer turismo esportivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com parte da popula\u00e7\u00e3o global vacinada e a dissemina\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus sob controle, o turismo internacional vem se recuperando, embora ainda n\u00e3o tenha retornado a patamares pr\u00e9-pandemia. Entre janeiro e agosto deste ano, o Brasil recebeu pouco mais de 4,02 milh\u00f5es de turistas vindos de outros pa\u00edses \u2013 o que j\u00e1 \u00e9 mais que todo o resultado de 2022 (pouco mais de 3,63 milh\u00f5es). Al\u00e9m disso, segundo o Banco Central, nos sete primeiros meses do ano, os turistas internacionais injetaram US$ 3,796 bilh\u00f5es na economia brasileira. N\u00e3o h\u00e1, contudo, uma estimativa de quantos destes visitantes vieram ao pa\u00eds fazer turismo de aventura\/esportivo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Visibilidade<\/h2>\n\n\n\n<p>Respons\u00e1vel por divulgar, no exterior, os atrativos tur\u00edsticos brasileiros, a Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o Internacional do Turismo (Embratur) planeja investir mais para tentar atrair turistas esportivos e de aventura ao pa\u00eds. Algumas a\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o em curso, como destaca o coordenador de Natureza e Segmentos Especiais da ag\u00eancia, Leonardo Persi.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPretendemos estar presentes em eventos nacionais e internacionais e voltar a divulgar a marca Brasil [entre esportistas e p\u00fablico estrangeiro]\u201d, explica Persi, citando, como exemplo, a C\u00fapula Mundial de Viagens de Aventura, que a principal entidade representativa das empresas de ecoturismo do planeta, a Adventure Travel Trade Association (ATTA), realizou este m\u00eas, no Jap\u00e3o. E tamb\u00e9m o XP Sert\u00f5es Kitesurf, maior corrida de longa dura\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>kitesurf<\/em>, que reuniu, no Cear\u00e1, este m\u00eas, competidores do Reino Unido, da Fran\u00e7a, Turquia, de Portugal, da Su\u00ed\u00e7a, Rep\u00fablica Dominicana e Argentina, al\u00e9m de brasileiros de v\u00e1rios estados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c[O XP Sert\u00f5es Kitesurf] est\u00e1 conectado com o Brasil que a Embratur promove para o mundo. O Brasil das belezas naturais, do turismo de aventura que \u00e9 sustent\u00e1vel e gera emprego e renda nas nossas cidades e vilarejos litor\u00e2neos. Por isso, trouxemos jornalistas estrangeiros para conhecer de perto e consolidar este evento que a cada ano cresce e ganha import\u00e2ncia no calend\u00e1rio esportivo internacional\u201d, apontou o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, em nota divulgada poucos dias antes do in\u00edcio da corrida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTamb\u00e9m planejamos nos aproximar de atletas de renome, jornalistas e influenciadores digitais para dar mais visibilidade aos destinos de aventura existentes no pa\u00eds\u201d, garante Persi, retomando o debate sobre o motivo de o Brasil, com tantos campe\u00f5es mundiais em diferentes modalidades esportivas, n\u00e3o atrair mais praticantes de esportes de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00d3bvio que atletas como o [ciclista] Henrique Avancini, a multiatleta Karina Oliani e outros que carregam a marca Brasil mundo afora t\u00eam, de fato, potencial para dinamizar a venda da pr\u00e1tica de atividades de aventura no pa\u00eds. S\u00f3 que n\u00e3o basta termos o nome de um grande atleta brasileiro para atrair o p\u00fablico [estrangeiro] se ele chegar [ao pa\u00eds] e n\u00e3o houver uma estrutura minimamente adequada para atend\u00ea-lo. Temos que estruturar os servi\u00e7os agregados ao atendimento\u201d, refor\u00e7a Persi.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Juliana Andrade &#8211; Alex Rodrigues &#8211; Ag\u00eancia Brasil &#8211; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com 8,5 mil quil\u00f4metros de faixa litor\u00e2nea, clima tropical e condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 pr\u00e1tica de atividades ao ar livre o ano todo, o Brasil tem potencial para estimular o turismo de aventura, que, junto com o ecoturismo, comp\u00f5e o turismo de natureza.&nbsp;\u00c9 o que defendem especialistas ouvidos pela&nbsp;Ag\u00eancia Brasil&nbsp;no Dia Mundial do Turismo, celebrado nesta quarta-feira (27). Eles sustentam que, para isso, contudo, o pa\u00eds precisa aprimorar a infraestrutura receptiva, garantindo seguran\u00e7a e bem-estar aos visitantes, e investir mais na divulga\u00e7\u00e3o de seus atrativos naturais. Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Turismo de Aventura (Abeta), Vinicius Viegas, diz ser testemunha do crescente interesse do p\u00fablico em geral pelo turismo de natureza. Mesmo assim, a exemplo de outros entrevistados, ele considera que o Brasil n\u00e3o aproveita todas as possibilidades que o segmento oferece. \u201cEste aumento ainda est\u00e1 muito aqu\u00e9m do nosso potencial. N\u00e3o \u00e9 fruto de uma estrat\u00e9gia de divulga\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias atividades que um turista pode experimentar ao visitar o pa\u00eds. Quando se trata do turismo esportivo, o interesse estrangeiro est\u00e1 muito mais associado \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o, \u00e0 visibilidade que cada esporte conquistou junto a seus praticantes\u201d, pondera Viegas, montanhista e dono de uma ag\u00eancia de viagens especializada no segmento. Ele cita o exemplo da chamada Rota das Emo\u00e7\u00f5es, que interliga Cear\u00e1, Piau\u00ed e Maranh\u00e3o. \u201cHoje, kitesurfistas do mundo inteiro sonham em um dia conhecer e velejar pela regi\u00e3o\u201d, acrescenta, ao destacar&nbsp;a forte concorr\u00eancia entre os principais destinos tur\u00edsticos globais. \u201cNeste setor, o sucesso depende de uma conjun\u00e7\u00e3o de fatores. Convenhamos, montanhas, cachoeiras e florestas dos mais diversos tipos existem em todo o mundo. Por isso \u00e9 preciso transmitir seguran\u00e7a e investir mais na divulga\u00e7\u00e3o. Porque tirando alguns destinos cl\u00e1ssicos que quase todo esportista gostaria de conhecer, como o Hava\u00ed para um surfista, a escolha de um destino de viagem envolve v\u00e1rios aspectos, como seguran\u00e7a p\u00fablica, infraestrutura de transporte, acomoda\u00e7\u00f5es, custos, alimenta\u00e7\u00e3o. Tudo pesa. At\u00e9 as dificuldades com o idioma.\u201d \u201cN\u00e3o h\u00e1 o que discutir quanto \u00e0 potencialidade e \u00e0 imensa voca\u00e7\u00e3o do Brasil para o turismo esportivo e de aventura, mas ainda \u00e9 necess\u00e1rio um trabalho integrado, estrat\u00e9gico, que apresente o Brasil desta forma no exterior\u201d, concorda a coordenadora de Turismo do Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Ana Clevia Guerreiro. Secret\u00e1ria do Turismo do Cear\u00e1, Yrwana Albuquerque Guerra diz que o pa\u00eds ainda \u00e9 &#8220;uma criancinha dentro deste segmento t\u00e3o lucrativo&#8221;.&nbsp;&#8220;Precisamos nos assumir como um pa\u00eds prop\u00edcio para a pr\u00e1tica de esportes de a\u00e7\u00e3o e de ecoturismo e divulgar isso para o mundo&#8221;, defende. O Cear\u00e1 \u00e9 frequentemente apontado como exemplo de promo\u00e7\u00e3o do potencial de atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica dos esportes de a\u00e7\u00e3o, como o&nbsp;kitesurf. Esportes de aventura Atletas como a sete vezes campe\u00e3 mundial Mikaili Sol (CE), o tetracampe\u00e3o Carlos M\u00e1rio \u201cBeb\u00ea\u201d (CE) e a tricampe\u00e3 Bruna Kajiya (SP) ajudaram a propagar entre praticantes do&nbsp;kite&nbsp;a informa\u00e7\u00e3o de que o Brasil, especialmente o litoral nordestino, \u00e9 um local privilegiado para a pr\u00e1tica do esporte, com condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias durante quase todo o ano. Outro esporte de aventura com potencial para projetar no exterior a voca\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 o surfe. Entre&nbsp;2014&nbsp;e&nbsp;2023, quatro surfistas brasileiros \u2013 Gabriel Medina (SP), Adriano de Souza \u201cMineirinho\u201d (SP), \u00cdtalo Ferreira (RN) e Filipe Toledo (SP) \u2013 faturaram sete dos nove t\u00edtulos de campe\u00f5es mundiais disputados no per\u00edodo, conquistando f\u00e3s do esporte em todo o mundo. S\u00f3 Medina tem mais de 11 milh\u00f5es de seguidores em uma popular rede social. Ferreira, que em 2021 voltou a fazer hist\u00f3ria,&nbsp;tornando-se o primeiro campe\u00e3o ol\u00edmpico da modalidade, tem 2,8 milh\u00f5es. O potiguar tamb\u00e9m estrelou um programa de sucesso em um canal por assinatura no qual ajudou a divulgar as belezas e a qualidade das ondas de sua cidade natal, Ba\u00eda Formosa, para um p\u00fablico que n\u00e3o se restringia ao do surfe. A consagra\u00e7\u00e3o desses e de outros brasileiros nos esportes de a\u00e7\u00e3o, como o hexacampe\u00e3o mundial de&nbsp;bodyboarding&nbsp;Guilherme T\u00e2mega e dos skatistas medalhistas ol\u00edmpicos Kelvin Hoefler e Rayssa Leal, gerou bastante publicidade positiva para o Brasil. O que n\u00e3o foi suficiente para atrair ao pa\u00eds um maior n\u00famero de estrangeiros interessados em conhecer as condi\u00e7\u00f5es em que nossos campe\u00f5es mundiais foram formados. P\u00fablico-alvo O turismo de aventura\/esportivo \u00e9 um segmento bastante lucrativo, movimentando cifras bilion\u00e1rias ao redor do planeta. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Turismo (OMT), antes do reconhecimento do&nbsp;car\u00e1ter pand\u00eamico da covid-19, em 2019, o turismo convencional crescia a uma taxa m\u00e9dia anual de 7,5%. J\u00e1 o turismo de aventura chegou a registrar expans\u00e3o de 20%. Recentemente, a Grand View Research, multinacional especialista em consultoria e pesquisas de mercado,&nbsp;apontou que, em 2021,&nbsp;mesmo com as restri\u00e7\u00f5es \u00e0s viagens em raz\u00e3o da pandemia, o mercado global de turismo de aventura tinha potencial para movimentar algo em torno de US$ 282,1 bilh\u00f5es, com uma perspectiva de se expandir cerca de 15% ao ano entre 2022 e 2030. Como aponta a secret\u00e1ria Yrwana Albuquerque Guerra, o Brasil ainda d\u00e1 passos t\u00edmidos neste segmento \u2013 refletindo o que ocorre com a ind\u00fastria tur\u00edstica nacional em geral. Em 2019, o pa\u00eds recebeu, ao todo, pouco mais de 6,35 milh\u00f5es de turistas estrangeiros. Com isso, ficou de fora da lista de 50 maiores pa\u00edses receptores tur\u00edsticos. Comparativamente, a Fran\u00e7a, que ocupa o primeiro lugar do&nbsp;ranking&nbsp;da OMT, recebeu 89 milh\u00f5es de estrangeiros \u2013 ou 14 vezes mais viajantes, embora tenha menos da metade do tamanho do estado do Amazonas. Segundo&nbsp;dados do Minist\u00e9rio do Turismo, de todos os estrangeiros que desembarcaram em territ\u00f3rio brasileiro ao longo de 2019, 18,6% afirmaram ter viajado com o prop\u00f3sito de ter contato com a natureza e praticar atividades ligadas ao turismo de aventura e ao ecoturismo. Outros 2,4% vieram fazer turismo esportivo. Com parte da popula\u00e7\u00e3o global vacinada e a dissemina\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus sob controle, o turismo internacional vem se recuperando, embora ainda n\u00e3o tenha retornado a patamares pr\u00e9-pandemia. Entre janeiro e agosto deste ano, o Brasil recebeu pouco mais de 4,02 milh\u00f5es de turistas vindos de outros pa\u00edses \u2013 o que j\u00e1 \u00e9 mais que todo o resultado de 2022 (pouco mais de 3,63 milh\u00f5es). 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