{"id":180230,"date":"2024-09-27T10:50:13","date_gmt":"2024-09-27T13:50:13","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=180230"},"modified":"2024-09-27T11:26:39","modified_gmt":"2024-09-27T14:26:39","slug":"mobilidade-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/mobilidade-verde\/","title":{"rendered":"Mobilidade Verde"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n\n<p><em><strong>* Vicente Loureiro<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O F\u00f3rum BRICS de Cidades Verdes, realizado recentemente em Moscou, dedicou um painel \u00e0 mobilidade verde. Nele, foi apresentado um panorama de iniciativas bem-sucedidas para um transporte urbano mais sustent\u00e1vel, implementadas em cidades dos pa\u00edses membros. Tamb\u00e9m foram apontados os grandes desafios ainda presentes na transi\u00e7\u00e3o do modelo de transporte baseado em combust\u00edveis f\u00f3sseis para o uso de energias limpas. Para as cidades brasileiras, o tema ganha ainda mais relev\u00e2ncia, pois a mobilidade urbana j\u00e1 figura entre as tr\u00eas maiores preocupa\u00e7\u00f5es dos habitantes da maioria delas, ficando atr\u00e1s apenas da sa\u00fade e da seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram destacados tr\u00eas grandes desafios a serem enfrentados: o primeiro \u00e9 recuperar os passageiros perdidos do transporte coletivo para o individual; o segundo \u00e9 aumentar a presen\u00e7a do transporte verde na matriz de mobilidade das cidades; e o terceiro \u00e9 reduzir a necessidade de tantos deslocamentos longos, custosos e poluentes. Tomo a liberdade de acrescentar um quarto desafio, n\u00e3o mencionado no F\u00f3rum: o de encarar os tr\u00eas desafios de forma integrada e sin\u00e9rgica. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o est\u00e3o dispostas a esperar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"866\" height=\"563\" data-id=\"180244\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Vicente-Loureiro-Moscou-conferencia.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-180244\" srcset=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Vicente-Loureiro-Moscou-conferencia.jpg 866w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Vicente-Loureiro-Moscou-conferencia-300x195.jpg 300w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Vicente-Loureiro-Moscou-conferencia-768x499.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 866px) 100vw, 866px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"944\" height=\"594\" data-id=\"180246\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Vicente-Loureiro-Moscou.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-180246\" srcset=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Vicente-Loureiro-Moscou.jpg 944w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Vicente-Loureiro-Moscou-300x189.jpg 300w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Vicente-Loureiro-Moscou-768x483.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 944px) 100vw, 944px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Em um pa\u00eds onde o transporte coletivo urbano vem sendo substitu\u00eddo pelo individual de modo acelerado, e onde os sistemas metroferrovi\u00e1rios, incluindo VLTs em opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o respondem nem por 15% dos deslocamentos di\u00e1rios, os \u00f4nibus a diesel, junto com autom\u00f3veis, motos e outros modos, acabam contribuindo com mais de 85% das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa nas cidades. O caminho parece ser o de recuperar os passageiros perdidos, transformando, via renova\u00e7\u00e3o, a frota de \u00f4nibus para ve\u00edculos el\u00e9tricos, al\u00e9m de investir continuamente na amplia\u00e7\u00e3o e melhoria da oferta de transportes p\u00fablicos de alta e m\u00e9dia capacidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso sem mencionar que medidas restritivas ao uso de solu\u00e7\u00f5es individualizadas tamb\u00e9m ter\u00e3o de ser tomadas. Ou seja, n\u00e3o podemos melhorar a oferta de transporte p\u00fablico e avan\u00e7ar na mobilidade verde apenas para, depois, convencer o usu\u00e1rio do transporte individual a mudar seus h\u00e1bitos. N\u00e3o d\u00e1 mais para considerar os investimentos necess\u00e1rios como pr\u00e9-requisitos para mudan\u00e7as tanto na matriz energ\u00e9tica quanto no comportamento da popula\u00e7\u00e3o. Tudo ter\u00e1 de ser feito ao mesmo tempo, de forma conjunta. Quanto mais r\u00e1pido, melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio \u00e9 enorme. N\u00e3o ser\u00e1 trivial renovar 100 mil \u00f4nibus, substituindo os motores a diesel por el\u00e9tricos ou h\u00edbridos. Isso exigir\u00e1 recursos p\u00fablicos e oferta de cr\u00e9dito tanto para munic\u00edpios quanto para operadores. Tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 simples garantir recursos p\u00fablicos e\/ou privados para os investimentos necess\u00e1rios \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de 800 a 1.000 km de linhas de trem e metr\u00f4, como indicam especialistas, ou ainda a instala\u00e7\u00e3o de cerca de 1.000 quil\u00f4metros de novas linhas de BRTs.<\/p>\n\n\n\n<p>Estabelecer metas fact\u00edveis, garantir os recursos e financiamentos necess\u00e1rios, integrar os tr\u00eas n\u00edveis de governo nas a\u00e7\u00f5es e atrair investidores \u2014 esses s\u00e3o os requisitos a serem cumpridos. Sem eles, o transporte p\u00fablico n\u00e3o retomar\u00e1 o protagonismo nos deslocamentos cotidianos das cidades, e a mobilidade n\u00e3o ficar\u00e1 mais verde. Precisamos, mais do que nunca, mudar a forma como nossas cidades se movem, para melhorar a vida das pessoas. N\u00e3o podemos continuar insistindo em melhorias que j\u00e1 n\u00e3o produzem os efeitos esperados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"593\" height=\"475\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Vicente-Loureiro-insta.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-180252\" style=\"width:183px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Vicente-Loureiro-insta.jpg 593w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Vicente-Loureiro-insta-300x240.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 593px) 100vw, 593px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em><strong>* Vicente Loureiro<\/strong><\/em> \u00e9 cidad\u00e3o igua\u00e7uano, arquiteto urbanista, doutorando pela Universidade de Lisboa e escritor de livros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Vicente Loureiro O F\u00f3rum BRICS de Cidades Verdes, realizado recentemente em Moscou, dedicou um painel \u00e0 mobilidade verde. 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