{"id":189256,"date":"2025-01-21T08:16:53","date_gmt":"2025-01-21T11:16:53","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=189256"},"modified":"2025-01-21T09:00:05","modified_gmt":"2025-01-21T12:00:05","slug":"desperdicio-zero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/desperdicio-zero\/","title":{"rendered":"Desperd\u00edcio Zero"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n\n<p><em><strong>* Vicente Loureiro<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quase a totalidade do que \u00e9 consumido pelo metabolismo da vida nas cidades \u00e9 descartado em forma de dejetos em at\u00e9 seis meses. O pior \u00e9 que uma parte consider\u00e1vel desses rejeitos, cerca de um ter\u00e7o, poderia ser reciclada, gerando novas oportunidades de neg\u00f3cios e trabalho por meio da recupera\u00e7\u00e3o de recursos que n\u00e3o precisariam mais ser extra\u00eddos da natureza, seja pela minera\u00e7\u00e3o ou outras formas de extrativismo. Quando n\u00e3o se aproveitam as riquezas presentes no lixo, enterrando-as, realizam-se despesas in\u00fateis e injustific\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 casos concretos onde a decis\u00e3o pol\u00edtica e o envolvimento da popula\u00e7\u00e3o romperam com essa l\u00f3gica de desaproveitamento de recursos, cada vez mais escassos ou cuja obten\u00e7\u00e3o gera forte impacto ambiental. Refiro-me a S\u00e3o Francisco, nos Estados Unidos, uma cidade que recicla mais de 80% do lixo que produz, sendo refer\u00eancia mundial em reciclagem de res\u00edduos urbanos.<\/p>\n\n\n\n<p>A receita de sucesso de S\u00e3o Francisco e de outras poucas cidades nesse n\u00edvel de cuidado com os rejeitos parece atender a um bin\u00f4mio: o uso de novas tecnologias e a promo\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as no comportamento da popula\u00e7\u00e3o. Esses exemplos demonstram que o \u00eaxito de um programa de reciclagem depende da capacidade dos governos locais em estimular comportamentos pr\u00f3-ativos e ben\u00e9ficos dos moradores em rela\u00e7\u00e3o ao descarte do lixo, sobretudo o recicl\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Por aqui, estamos muito distantes desse patamar de civilidade e de atitude responsiva em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente. Na regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro, por exemplo, depositamos diariamente entre cinco e seis mil toneladas de material recicl\u00e1vel misturado ao lixo em aterros sanit\u00e1rios. Um desperd\u00edcio impressionante de recursos e de dinheiro p\u00fablico, fruto de uma combina\u00e7\u00e3o de falta de interesse pol\u00edtico com o baixo n\u00edvel de consci\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o. Todos perdemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece um intermin\u00e1vel jogo de empurra, que lembra a propaganda de um biscoito famoso que n\u00e3o sabia se vendia mais por ser fresquinho ou por outro motivo. Claro que a responsabilidade maior \u00e9, indiscutivelmente, dos governos. No entanto, h\u00e1 exemplos muito interessantes de iniciativas do terceiro setor, que contribuem para a mudan\u00e7a do comportamento da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao destino do pr\u00f3prio lixo. \u00c9 preciso tirar os cidad\u00e3os do &#8220;piloto autom\u00e1tico&#8221; na condu\u00e7\u00e3o de seus atos cotidianos, especialmente os que impactam a coletividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa pr\u00e1tica tem custos log\u00edsticos consider\u00e1veis, envolvendo cerca de 150 carretas, que realizam de tr\u00eas a quatro viagens por dia transportando materiais recicl\u00e1veis como lixo para os aterros sanit\u00e1rios da regi\u00e3o. A esses custos, somam-se os gastos das prefeituras para enterrar essas riquezas. Se considerarmos ainda o valor de mercado dos materiais recicl\u00e1veis desperdi\u00e7ados, chega-se \u00e0 impressionante cifra de 1 bilh\u00e3o de reais por ano literalmente jogados no lixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse desperd\u00edcio equivale ao or\u00e7amento anual de munic\u00edpios como S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti e Belford Roxo, que possuem quase 500 mil habitantes. Promover o &#8220;desperd\u00edcio zero&#8221; poderia ser um objetivo comum dos prefeitos metropolitanos rec\u00e9m-empossados. Sonhar n\u00e3o custa nada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"671\" height=\"373\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Vicente-Loureiro-arquiteto-urbanista-edited.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-182622\" style=\"width:215px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Vicente-Loureiro-arquiteto-urbanista-edited.jpg 671w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Vicente-Loureiro-arquiteto-urbanista-edited-300x167.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 671px) 100vw, 671px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em><strong>* Vicente Loureiro<\/strong><\/em> \u00e9 cidad\u00e3o igua\u00e7uano, arquiteto urbanista, doutorando pela Universidade de Lisboa e escritor de livros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Vicente Loureiro Quase a totalidade do que \u00e9 consumido pelo metabolismo da vida nas cidades \u00e9 descartado em forma de dejetos em at\u00e9 seis meses. 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