{"id":199235,"date":"2025-05-16T07:50:00","date_gmt":"2025-05-16T10:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=199235"},"modified":"2025-05-16T08:46:11","modified_gmt":"2025-05-16T11:46:11","slug":"coluna-fernando-calmon-frota-brasileira-de-veiculos-continua-a-envelhecer-e-sem-melhora-a-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/coluna-fernando-calmon-frota-brasileira-de-veiculos-continua-a-envelhecer-e-sem-melhora-a-vista\/","title":{"rendered":"Coluna Fernando Calmon | Frota brasileira de ve\u00edculos continua a envelhecer e sem melhora \u00e0 vista"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n\n<p>Sindipe\u00e7as tem feito um trabalho bastante pormenorizado sobre a frota efetiva de ve\u00edculos no Brasil. Como costumo comentar, os dados de ve\u00edculos registrados oficialmente no Pa\u00eds divulgados pela Senatran s\u00f3 t\u00eam certid\u00e3o de nascimento, mas n\u00e3o de fim de vida. Pode ser at\u00e9 compreens\u00edvel porque exig\u00eancias burocr\u00e1ticas dificultam a baixa oficial do n\u00famero do chassi. Tamb\u00e9m no fim da vida \u00fatil de qualquer ve\u00edculo \u00e9 dif\u00edcil que o \u00faltimo propriet\u00e1rio tenha conhecimento ou enfrente a burocracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, por exemplo, a frota oficial brasileira era de 123,97 milh\u00f5es de unidades, um volume muito distante da realidade, embora incluam-se motocicletas, motonetas, ciclomotores, reboques e semirreboques, entre outros. Neste cen\u00e1rio o Sindipe\u00e7as prepara todos anos seu pr\u00f3prio relat\u00f3rio de frota circulante por meio de crit\u00e9rios t\u00e9cnicos. Estes incluem taxa de sucateamento e estimativa de perda total de ve\u00edculos em acidentes de tr\u00e2nsito, al\u00e9m de abandono em desmanches. O estudo norteia o volume de pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o a serem fabricadas pelos mais de 500 associados de capital nacional e estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A soma de autove\u00edculos e motocicletas em 2024 alcan\u00e7ou 62,1 milh\u00f5es de unidades (48,1 milh\u00f5es e 14 milh\u00f5es, respectivamente), metade do que aponta a Senatran. Depois de um per\u00edodo de crescimento de apenas 0,8% ao ano entre 2016 e 2023, o aumento de 2023 para 2024 foi de 2,8%, sendo 2% para autove\u00edculos e 5,7% para motos. Autom\u00f3veis e motocicletas representaram 85,4% da frota total.<\/p>\n\n\n\n<p>Chama mais aten\u00e7\u00e3o o envelhecimento da frota de autove\u00edculos novos de 0 a 5 anos que encolheu de 38,5% para 22,3% entre 2015 e 2024. Em termos absolutos de 16,5 milh\u00f5es para 10,7 milh\u00f5es, recuo de 35,2%. Entre os ve\u00edculos acima de 16 anos de uso, a representatividade subiu de 17,6% da frota em 2015 para 23,8% em 2024. Na m\u00e9dia, a idade dos autom\u00f3veis passou de 8 anos e 10 meses em 2015 para 11 anos e 2 meses no ano passado. Na mesma situa\u00e7\u00e3o, as motos: em 2015, 85% tinham at\u00e9 10 anos, caindo para 65% no ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o infal\u00edvel seria um programa de reciclagem atrelado \u00e0 renova\u00e7\u00e3o de frota e \u00e0 Inspe\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica Veicular, esta hoje \u2014 pelo jeito, para sempre \u2014 no limbo. Trata-se de uma pauta impopular que nenhum pol\u00edtico parece ter vis\u00e3o ou coragem de implantar com consequ\u00eancias graves para seguran\u00e7a de tr\u00e2nsito, polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e economia de combust\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Brasil tem hoje 4,4 habitantes por ve\u00edculo, ainda muito atr\u00e1s da Argentina (2,6) e do M\u00e9xico (2,4). Nada mudou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jeep ter\u00e1 s\u00e9rie especial e confirma lan\u00e7amento do Avenger<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Depois de 10 anos e mais de 1,3 milh\u00e3o de unidades produzidas na f\u00e1brica de Goiana (PE), a Jeep decidiu comemorar com uma edi\u00e7\u00e3o especial de 1.010 unidades do SUV compacto que chegou a liderar este segmento. O Renegade teve participa\u00e7\u00e3o decisiva nos 9,5% que a marca chegou a conquistar antes da avalanche de produtos de todos os portes, marcas e origens (nacionais e do exterior). SUVs representam, hoje, 54% de todas as vendas de ve\u00edculos leves no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie especial do Renegade sair\u00e1 por R$ 185.990 (mesmo valor do atual topo de linha). Ser\u00e1 facilmente reconhecida pelos apliques no cap\u00f4, para-lamas (inclusive alus\u00e3o ao pioneiro modelo Willys, de 1953), na coluna traseira, novas rodas de 17 pol., bordados nos encostos dos bancos dianteiros e adesivos nas soleiras das portas. Faz parte do pacote kit de mochila e camiseta em alus\u00e3o ao universo <em>off-road<\/em> e numera\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie em cada modelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis Am\u00e9rica do Sul, confirmou R$ 13 bilh\u00f5es para moderniza\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es e novos produtos na f\u00e1brica pernambucana de 2025 a 2030, cerca de 45% do total que o grupo investir\u00e1 no Brasil. Tr\u00eas modelos Jeep s\u00e3o produzidos l\u00e1 e outros tr\u00eas importados, al\u00e9m de Fiat Toro e Ram Rampage. A not\u00edcia mais aguardada: confirma\u00e7\u00e3o que o Jeep Avenger ser\u00e1 o quarto produto nacionalizado, flagrado com camuflagem em testes, j\u00e1 a partir de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>Cappellano ainda n\u00e3o informou em que f\u00e1brica o novo modelo (dever\u00e1 ocupar espa\u00e7o abaixo do Renegade) ser\u00e1 produzido. Provavelmente em Porto Real (RJ), a unidade com maior capacidade ociosa, onde j\u00e1 est\u00e3o C3, Aircross e Basalt. Avenger utiliza a mesma plataforma CMP destes tr\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Produ\u00e7\u00e3o, primeiro quadrimestre: a maior em seis anos<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00edvel de empregos na ind\u00fastria \u00e9 sustentado em especial pela produ\u00e7\u00e3o. Vendas dependem do maior ou o menor avan\u00e7o dos importados e as exporta\u00e7\u00f5es ficam sujeitas aos mercados fora do Pa\u00eds. O presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, apesar de destacar que as 811,2 mil unidades produzidas no primeiro quadrimestre foram o melhor resultado desde 2019, mant\u00e9m a previs\u00e3o de crescimento de 7,8% ao final de 2025 sobre 2024. A entidade tamb\u00e9m n\u00e3o alterou a estimativa de aumento das vendas internas, de 6,3% em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado, percentual marginalmente superior aos 5% previstos pela Fenabrave.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, h\u00e1 109,5 mil funcion\u00e1rios nas f\u00e1bricas de ve\u00edculos leves e pesados: 7.500 postos de trabalho novos em um ano. Boa parte deste resultado animador (crescimento de 7,3%) deve-se ao aumento das exporta\u00e7\u00f5es em 45%, puxadas pela reviravolta do mercado argentino que importou 151% a mais de produtos brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, Calvet demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o com o crescimento de 18,7% das importa\u00e7\u00f5es de janeiro a abril, enquanto modelos nacionais s\u00f3 avan\u00e7aram 0,2% no mesmo per\u00edodo. Chegaram 44.137 unidades da China, aumento de 28% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado e que representaram 6% dos emplacamentos totais no primeiro quadrimestre.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora ele continue a cobrar do Governo Federal a volta das al\u00edquotas hist\u00f3ricas do imposto de importa\u00e7\u00e3o (I.I.) para h\u00edbridos e el\u00e9tricos, parece improv\u00e1vel que isso aconte\u00e7a. Fato \u00e9 que novas marcas chinesas continuam a chegar, embaladas por carga tribut\u00e1ria (I.I.) bastante atraente, at\u00e9 julho de 2026, naqueles ve\u00edculos espec\u00edficos. Estreante GAC, no entanto, j\u00e1 anunciou produ\u00e7\u00e3o no Brasil, em Catal\u00e3o (GO), em prov\u00e1vel parceria com a HPE (Mitsubishi), ainda sem confirma\u00e7\u00e3o. Pormenores, no pr\u00f3ximo dia 23.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do falat\u00f3rio sobre a \u201crealidade\u201d de aceita\u00e7\u00e3o de carros 100% el\u00e9tricos, as estat\u00edsticas confirmam outro fato no primeiro quadrimestre. Representam apenas 2,5% do mercado, exatamente o mesmo percentual de 2024. Para os demais: gasolina, 4,8%; h\u00edbridos, 3,7%; h\u00edbridos plug\u00e1veis, 3,7%; diesel, 11% e flex, 74,4%.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Apesar de juros altos, crescimento se mant\u00e9m<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estas previs\u00f5es foram confirmadas por Roger Corassa, vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen, e Arnaud Mourebrun, diretor de vendas e rede da Renault, durante o F\u00f3rum AutoData Perspectivas Autom\u00f3veis 2025. As vendas financiadas pelo CDC (Cr\u00e9dito Direto ao Consumidor) s\u00e3o diretamente impactadas pela taxa de juros, em torno de 30% ao ano, um dos patamares mais altos at\u00e9 hoje. Ainda assim, 55% dos modelos novos comercializados utilizam o CDC, percentual ainda inferior \u00e0 participa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica nas vendas, em torno de 2\/3.<\/p>\n\n\n\n<p>Estrat\u00e9gia das duas marcas tem sido usar seus pr\u00f3prios bancos para subsidiar parte dos juros e manter o crescimento dos segmentos de autom\u00f3veis e comerciais leves. Corassa espera vender em ritmo acima do mercado gra\u00e7as ao lan\u00e7amento do SUV compacto Tera, no pr\u00f3ximo dia 25, em S\u00e3o Paulo (SP). Mourebrun prev\u00ea comercializa\u00e7\u00e3o alinhada ao aumento de vendas previsto pela Fenabrave, mantido at\u00e9 agora em 5% sobre 2024. Este percentual foi confirmado pelo presidente da federa\u00e7\u00e3o, Arc\u00e9lio Junior, tamb\u00e9m participante do F\u00f3rum, por\u00e9m poder\u00e1 revisar para cima sua previs\u00e3o em meados do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Coluna Fernando Calmon aborda temas de variado interesse na \u00e1rea automobil\u00edstica: comportamento, mercado, avalia\u00e7\u00f5es de ve\u00edculos, segredos, t\u00e9cnica, seguran\u00e7a, legisla\u00e7\u00e3o, tecnologia e economia. A coluna semanal \u00e9 reproduzida em mais de 80 sites, portais, jornais e revistas brasileiros. Come\u00e7ou em 1\u00ba de maio de 1999.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sindipe\u00e7as tem feito um trabalho bastante pormenorizado sobre a frota efetiva de ve\u00edculos no Brasil. Como costumo comentar, os dados de ve\u00edculos registrados oficialmente no Pa\u00eds divulgados pela Senatran s\u00f3 t\u00eam certid\u00e3o de nascimento, mas n\u00e3o de fim de vida. Pode ser at\u00e9 compreens\u00edvel porque exig\u00eancias burocr\u00e1ticas dificultam a baixa oficial do n\u00famero do chassi. 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