{"id":213097,"date":"2025-10-22T10:40:00","date_gmt":"2025-10-22T13:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=213097"},"modified":"2025-10-22T10:47:52","modified_gmt":"2025-10-22T13:47:52","slug":"estudo-preve-substituicao-de-roedor-em-testes-antiveneno-de-serpentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/estudo-preve-substituicao-de-roedor-em-testes-antiveneno-de-serpentes\/","title":{"rendered":"Estudo prev\u00ea substitui\u00e7\u00e3o de roedor em testes antiveneno de serpentes"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n\n<p><strong><em>Projeto poder\u00e1 ser colocado em pr\u00e1tica a partir de mar\u00e7o de 2026<\/em><\/strong>  &#8211;  Pesquisa da bi\u00f3loga Renata Norbert, do Instituto Nacional de Controle da Qualidade em Sa\u00fade, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (INCQS\/Fiocruz), sobre a substitui\u00e7\u00e3o de camundongos por ensaios\u00a0<em>in vitro<\/em>\u00a0para controle da qualidade de soros contra o veneno de cobras do g\u00eanero\u00a0<em>Bothrops<\/em>, foi premiado pela Sociedade Europeia para Alternativa de Testes em Animais, no 13\u00ba Congresso Mundial de Alternativas ao Uso de Animais.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1663729&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1663729&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho obteve tamb\u00e9m men\u00e7\u00e3o honrosa do Centro Nacional para a Substitui\u00e7\u00e3o, Refinamento e Redu\u00e7\u00e3o de Animais em Pesquisa, organiza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brit\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Bothrops\u00a0<\/em>\u00e9 um g\u00eanero de serpentes da fam\u00edlia\u00a0<em>Viperidae<\/em>, popularmente denominadas de jararacas, cotiaras e urutus. A picada dessa serpente \u00e9 a causadora do maior n\u00famero de acidentes com cobras no Brasil. Somente este ano, o Departamento de Inform\u00e1tica do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (DataSUS) registrou 12 mil acidentes desse tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista, Renata Norbert disse que o estudo vem sendo desenvolvido h\u00e1 algum tempo porque, desde 2001, o INCQS vem fazendo apelos para a substitui\u00e7\u00e3o desses animais, n\u00e3o s\u00f3 para evitar o sofrimento da esp\u00e9cie nos testes, mas tamb\u00e9m porque a pesquisa demonstrou resultados mais r\u00e1pidos e mais baratos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Renata, a cadeia produtiva antiveneno engloba muitas etapas. Em todas elas, desde a produ\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um controle interno para assegurar a qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final da produ\u00e7\u00e3o, o lote vai para teste no INCQS, onde tamb\u00e9m \u00e9 utilizada uma grande quantidade de camundongos visando a libera\u00e7\u00e3o do produto para o Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00e3o (PNI) para a popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cN\u00f3s conseguimos avan\u00e7ar na fase de pr\u00e9-valida\u00e7\u00e3o que, at\u00e9 o momento, no mundo inteiro, n\u00e3o existe para antivenenos. Existe para cosm\u00e9ticos, existe para outros produtos. Para antivenenos, \u00e9 a primeira pesquisa que chega \u00e0 fase de pr\u00e9-valida\u00e7\u00e3o\u201d, acentuou Renata.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Agora, o estudo est\u00e1 na \u00faltima fase, que abrange a reprodutibilidade de outros laborat\u00f3rios para atestar a robustez do m\u00e9todo. \u201cOs outros laborat\u00f3rios v\u00e3o testar a metodologia que a gente pr\u00e9-validou para observar se eles conseguem obter os mesmos resultados. Acho que esse foi o maior diferencial do nosso trabalho: &nbsp;avan\u00e7ar um passo a mais na valida\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Metodologia<\/h2>\n\n\n\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o de camundongos por c\u00e9lulas Vero, cultivadas em laborat\u00f3rio, poder\u00e1 ser adotada tamb\u00e9m por produtores, o que evitar\u00e1 o uso de roedores. A metodologia\u00a0<em>in vitro<\/em>\u00a0prev\u00ea o uso dessas c\u00e9lulas Vero que, ap\u00f3s serem fixadas em placas, recebem uma mistura de soro com veneno.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso as c\u00e9lulas permane\u00e7am intactas, o soro est\u00e1 aprovado porque inibiu a a\u00e7\u00e3o do veneno. Qualquer efeito t\u00f3xico, ao contr\u00e1rio, significa que o soro foi reprovado.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois dessa etapa, a meta \u00e9 submeter o resultado da pesquisa para a farmacopeia brasileira, de modo a &nbsp;coloc\u00e1-lo em pr\u00e1tica. \u201cA gente quer sair da pesquisa e aplic\u00e1-la na pr\u00e1tica\u201d, diz a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e3o montados kits de ensaios para que os laborat\u00f3rios possam realizar a metodologia e verificar os resultados, fazendo-se ainda a compara\u00e7\u00e3o entre os resultados apresentados pelos laborat\u00f3rios. \u201cCom os dados, a gente faz a estat\u00edstica e v\u00ea a reprodutibilidade, se eles conseguem obter os mesmos resultados que a gente conseguiu no INCQS\u201d, frisa Renata. Esses resultados ser\u00e3o publicados e submetidos aos \u00f3rg\u00e3os reguladores. \u201cO nosso sonho \u00e9 fazer um estudo maior, que inclu\u00edsse at\u00e9 laborat\u00f3rios fora do Brasil porque essas serpentes&nbsp;<em>Bothrops<\/em>&nbsp;existem em outros pa\u00edses, como a Costa Rica, por exemplo. N\u00e3o se limitam ao Brasil\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Renata Norbert, o reconhecimento internacional obtido pelo estudo foi um est\u00edmulo a mais para dar prosseguimento \u00e0 pesquisa. Ela acredita que &#8211; partir de mar\u00e7o de 2026 &#8211; o projeto poder\u00e1 ser colocado em pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ganhos<\/h2>\n\n\n\n<p>Em dezembro deste ano, Renata ir\u00e1 se reunir com os produtores e um n\u00famero maior de pessoas interessadas na multiplica\u00e7\u00e3o desse conhecimento visando coloc\u00e1-lo \u00a0em pr\u00e1tica. Ela quer tentar a expans\u00e3o do projeto para o exterior. A premia\u00e7\u00e3o contribuiu para isso. A bi\u00f3loga do INCQS refor\u00e7ou que o m\u00e9todo \u00e9 mais r\u00e1pido e barato do que utilizando os camundongos. \u201cChega a reduzir em at\u00e9 69% o custo\u201d, frisou.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/CZulxmk1ARX9S5kfDgbnWcLeBdI=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/jararacucu.jpg?itok=FifLhKWs\" alt=\"cobra jararacu\u00e7u\" title=\"Instituto Vital Brazil\/Direitos reservados\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Testes antiveneno causam muito sofrimento aos animais usados em grande quantidade. Eles acabam sacrificados<em>\u00a0&#8211; Foto &#8211;\u00a0<\/em>\u00a0<em>Vital Brazil\/Direitos reservados<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, isso se explica porque \u00e9 necess\u00e1rio um n\u00famero muito grande de roedores criados no Instituto de Ci\u00eancia e Tecnologia em Biomodelos (ICTB\/Fiocruz) e chegam at\u00e9 a fase adulta para que possam ser utilizados em pesquisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Renata Norbert explicou que o teste para antiveneno causa muito sofrimento aos animais usados em grande quantidade, e que, ap\u00f3s esse m\u00e9todo, s\u00e3o sacrificados. \u201cTrata-se de um teste longo e doloroso, sem anestesia\u201d, esclarece. Da\u00ed a raz\u00e3o de a pesquisa buscar sua substitui\u00e7\u00e3o por ensaios&nbsp;<em>in vitro<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo desenvolvido pela bi\u00f3loga no INCQS \u201c\u00e9 simples e r\u00e1pido. A gente libera o resultado em uma semana, enquanto os camundongos levam pelo menos um m\u00eas na produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 chegarem \u00e0 fase adulta. Depois, ainda v\u00e3o para o INCQS para aclimatar e ficam dias no laborat\u00f3rio, antes de serem experimentados. O nosso m\u00e9todo \u00e9 simples,&nbsp;ent\u00e3o d\u00e1 uma diferen\u00e7a grande. Ap\u00f3s a valida\u00e7\u00e3o, vai ser um ganho muito grande\u201d, assegura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O INCQS j\u00e1 utiliza a metodologia de c\u00e9lulas para libera\u00e7\u00e3o de vacinas. Para venenos, o estudo de Renata &nbsp;\u00e9 pioneiro. Ela pretende estender a pesquisa internacionalmente para outros tipos de serpente&nbsp;<em>Bothrops<\/em>&nbsp;\u201cporque, se ela \u00e9 efetiva para&nbsp;<em>Bothrops&nbsp;<\/em>jararaca, tamb\u00e9m pode ser para&nbsp;<em>Bothrops Asper<\/em>, encontrada na Am\u00e9rica Central e no norte da Am\u00e9rica do Sul. Na Costa Rica, por exemplo, seria muito importante\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Envenenamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Para o INCQS, as serpentes\u00a0<em>Bothrops\u00a0<\/em>s\u00e3o respons\u00e1veis por cerca de 90% dos casos de envenenamento por cobras em humanos no Brasil. Al\u00e9m da possibilidade de levar a pessoa a \u00f3bito, a pe\u00e7onha desses r\u00e9pteis pode causar hemorragia, necroses ou mesmo amputa\u00e7\u00f5es dos membros afetados.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, o envenenamento por&nbsp;<em>Bothrops<\/em>&nbsp;n\u00e3o desperta o interesse comercial da ind\u00fastria farmac\u00eautica privada, informou o Instituto Nacional de Controle da Qualidade em Sa\u00fade. Da\u00ed, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) o classifica como doen\u00e7a tropical negligenciada.<\/p>\n\n\n\n<p>O antiveneno e os ensaios para verificar sua qualidade s\u00e3o feitos pelas unidades do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), como o INCQS\/Fiocruz, Instituto Vital Brasil, \u00a0Instituto Butantan e a Funda\u00e7\u00e3o Ezequiel Dias.   &#8211;   <em>Alana Gandra &#8211; Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto poder\u00e1 ser colocado em pr\u00e1tica a partir de mar\u00e7o de 2026 &#8211; Pesquisa da bi\u00f3loga Renata Norbert, do Instituto Nacional de Controle da Qualidade em Sa\u00fade, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (INCQS\/Fiocruz), sobre a substitui\u00e7\u00e3o de camundongos por ensaios\u00a0in vitro\u00a0para controle da qualidade de soros contra o veneno de cobras do g\u00eanero\u00a0Bothrops, foi premiado pela [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":213100,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"none","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[16],"tags":[2150],"class_list":["post-213097","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","tag-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213097","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=213097"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213097\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":213101,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213097\/revisions\/213101"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/213100"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=213097"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=213097"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=213097"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}