{"id":216990,"date":"2025-12-07T13:28:22","date_gmt":"2025-12-07T16:28:22","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=216990"},"modified":"2025-12-07T13:28:24","modified_gmt":"2025-12-07T16:28:24","slug":"sete-anos-depois-brumadinho-ainda-vive-adoecimento-e-inseguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/sete-anos-depois-brumadinho-ainda-vive-adoecimento-e-inseguranca\/","title":{"rendered":"Sete anos depois, Brumadinho ainda vive adoecimento e inseguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n\n<p><strong><em>Estudo da UFMG aponta danos ambientais e perdas econ\u00f4micas duradouras<\/em><\/strong>  &#8211;  Daqui a pouco menos de dois meses, o rompimento da barragem de rejeitos Mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, em Brumadinho, Minas Gerais, <strong>vai completar sete anos<\/strong>. Na trag\u00e9dia <strong>272 pessoas morreram<\/strong>, outras ficaram desaparecidas e rios e comunidades sofreram impactos causados por um desastre socioambiental sem precedentes. A Vale era a respons\u00e1vel pela barragem.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1671099&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1671099&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), feito por pesquisadores do Projeto Brumadinho, indica que 70% dos domic\u00edlios do munic\u00edpio relataram algum tipo de adoecimento f\u00edsico ou mental, o que indica que os impactos sobre a sa\u00fade continuam estruturais e persistentes at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Sintomas como estresse, ins\u00f4nia, ansiedade, hipertens\u00e3o e epis\u00f3dios depressivos continuam recorrentes, enquanto 52% dos adultos passaram por tratamento psicol\u00f3gico ou psiqui\u00e1trico desde a trag\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio tamb\u00e9m envolve piora de doen\u00e7as cr\u00f4nicas e aumento da demanda por acompanhamento especializado. Ao mesmo tempo, 76% dos domic\u00edlios enfrentam dificuldades para acessar consultas, exames e tratamentos, em meio a uma rede p\u00fablica pressionada pelo volume de atendimentos e pelas mudan\u00e7as na mobilidade local.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Contamina\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A inseguran\u00e7a sanit\u00e1ria marca a rotina. Segundo o levantamento, 77% das fam\u00edlias vivem com medo constante de contamina\u00e7\u00e3o dos alimentos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cRecebemos a pesquisa com muita tristeza, pois ela confirma que a popula\u00e7\u00e3o de Brumadinho continua sofrendo. Temos relatos de familiares que desenvolveram diabetes, l\u00fapus, c\u00e2ncer, dermatites cr\u00f4nicas e problemas de cora\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do crescimento do uso de ansiol\u00edticos que tamb\u00e9m \u00e9 vis\u00edvel\u201d, diz Nayara Porto, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Familiares de V\u00edtimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o (Avabrum).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O estudo aponta a perman\u00eancia de metais pesados &#8211; &nbsp;mangan\u00eas, ars\u00eanio, chumbo, merc\u00fario e c\u00e1dmio &#8211; em diferentes matrizes ambientais. A \u00e1gua permanece como principal vetor de risco: 85% dos domic\u00edlios relatam impactos no uso dos copos d\u2019\u00e1gua, enquanto 75% afirmam que o fornecimento e a qualidade est\u00e3o comprometidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A chamada \u201clama invis\u00edvel\u201d, conceito que traduz a desconfian\u00e7a sobre o consumo de bens produzidos em Brumadinho, ainda est\u00e1 presente no cotidiano. Para Josiane Melo, diretora da Avabrum, o territ\u00f3rio continua marcado pela instabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 inadmiss\u00edvel conviver com inseguran\u00e7a h\u00eddrica, adoecimento e medo tantos anos depois [do desastre]. O estudo s\u00f3 comprova que a vida n\u00e3o voltou ao lugar\u201d, diz Josiane.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perdas<\/h2>\n\n\n\n<p>As perdas econ\u00f4micas tamb\u00e9m s\u00e3o expressivas. Segundo o professor Ricardo Machado Ruiz, um dos autores do estudo, Brumadinho poderia perder entre R$ 7 bilh\u00f5es e R$ 9 bilh\u00f5es de Produto Interno Bruto (PIB) no longo prazo sem o acordo firmado em 2021. Com a aplica\u00e7\u00e3o dos recursos, o preju\u00edzo estimado cai para algo entre R$ 4,2 bilh\u00f5es e R$ 5,4 bilh\u00f5es, mas n\u00e3o desaparece.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador explica que a minera\u00e7\u00e3o desempenhava papel central na economia local e que, ap\u00f3s o rompimento, a estrutura produtiva passou a depender da repara\u00e7\u00e3o, que absorveu trabalhadores e reduziu efeitos imediatos, mas enfraqueceu pequenos neg\u00f3cios e atividades informais. O futuro, afirma, depende de diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe nada for feito para substituir aquela atividade mineradora, ainda restar\u00e1 essa perda bilion\u00e1ria dentro do munic\u00edpio\u201d, finaliza Ruiz.    &#8211;    <em>Rafael Cardoso &#8211;  Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo da UFMG aponta danos ambientais e perdas econ\u00f4micas duradouras &#8211; Daqui a pouco menos de dois meses, o rompimento da barragem de rejeitos Mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, em Brumadinho, Minas Gerais, vai completar sete anos. 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