{"id":234661,"date":"2026-07-17T14:38:00","date_gmt":"2026-07-17T17:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=234661"},"modified":"2026-07-17T14:38:25","modified_gmt":"2026-07-17T17:38:25","slug":"pge-ajuiza-acoes-contra-gestoras-do-grupo-master-por-prejuizo-ao-rioprevidencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/pge-ajuiza-acoes-contra-gestoras-do-grupo-master-por-prejuizo-ao-rioprevidencia\/","title":{"rendered":"PGE aju\u00edza a\u00e7\u00f5es contra gestoras do Grupo Master por preju\u00edzo ao Rioprevid\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n\n<p><em><strong>Estado do Rio aciona Justi\u00e7a para proteger recursos previdenci\u00e1rios aplicados em fundos administrados pelo Banco Master, com perdas que chegam a 90% do valor investido<\/strong><\/em>  &#8211;   A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) protocolou, nesta quinta-feira (16\/07), tr\u00eas a\u00e7\u00f5es judiciais contra a Master Corretora e gestoras de fundos de investimento para apurar perdas milion\u00e1rias sofridas pelo Fundo \u00danico de Previd\u00eancia Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevid\u00eancia). As perdas envolvem recursos p\u00fablicos da ordem de R$ 641,4 milh\u00f5es aplicados em fundos administrados pelo conglomerado, atualmente em liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<p>As a\u00e7\u00f5es concentram-se em aportes do Rioprevid\u00eancia realizados em dois fundos de investimento vinculados ao Grupo Master: Revolution e Texas I FIA. Segundo os documentos protocolados pela PGE, as perdas j\u00e1 alcan\u00e7am patamares alarmantes:<br>\u2022 Revolution: aplica\u00e7\u00e3o de R$ 481,4 milh\u00f5es, com patrim\u00f4nio atual estimado em R$ 567,8 milh\u00f5es, mas com carteira classificada como &#8220;sob sigilo&#8221; e composta majoritariamente por ativos de cr\u00e9dito privado com remunera\u00e7\u00e3o de at\u00e9 180% do CDI \u2014 taxa considerada &#8220;economicamente an\u00f4mala&#8221; pelos procuradores;<br>\u2022 Texas I FIA: aplica\u00e7\u00e3o de R$ 150 milh\u00f5es, que se desvalorizou para apenas R$ 14,8 milh\u00f5es \u2014 uma perda superior a 90% em menos de um ano. O fundo concentrou 96% de sua carteira em a\u00e7\u00f5es da Ambipar (AMBP3), e manteve tal concentra\u00e7\u00e3o mesmo ap\u00f3s controv\u00e9rsia regulat\u00f3ria na CVM;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Investimento em &#8220;a\u00e7\u00e3o-fantasma&#8221; e manipula\u00e7\u00e3o de mercado<\/strong><br>Segundo a PGE, a perda do Texas I FIA est\u00e1 diretamente relacionada a uma &#8220;compra coordenada&#8221; envolvendo as a\u00e7\u00f5es da Ambipar. A Procuradoria aponta que, entre julho e agosto de 2024, a gestora Trustee DTVM \u2014 empresa ligada \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o &#8220;Carbono Oculto&#8221;, que apura lavagem de dinheiro \u2014 teria comprado maci\u00e7amente os pap\u00e9is por meio de fundos, inflando artificialmente seu pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O Rioprevid\u00eancia foi v\u00edtima de uma armadilha arquitetada pela administra\u00e7\u00e3o e pela gest\u00e3o do Texas I FIA, que vendeu ao ente p\u00fablico quotas de um fundo lastreado em uma a\u00e7\u00e3o desprovida de fundamento&#8221;, afirma a peti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O fundo chegou a ficar desenquadrado das regras da CVM em novembro de 2025, mantendo apenas 31% do patrim\u00f4nio em a\u00e7\u00f5es, abaixo dos 67% exigidos para fundos de a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gest\u00e3o temer\u00e1ria e &#8220;ren\u00fancia de direitos&#8221;<\/strong><br>No caso do fundo Revolution, a PGE aponta que a gestora Acura votou favoravelmente, em nome do fundo, altera\u00e7\u00f5es no regulamento de um fundo investido (FIDC Eicon) que prejudicaram diretamente os cotistas \u2014 entre eles o Rioprevid\u00eancia, que det\u00e9m 10,7% do fundo. As mudan\u00e7as inclu\u00edram a ren\u00fancia a direitos de voto e o aumento em 48 meses do prazo de amortiza\u00e7\u00e3o do investimento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A Gestora Acura n\u00e3o detinha poderes para votar mat\u00e9rias que significassem a ren\u00fancia de direitos do Revolution no Fundo EICON FIDC. Desta forma, n\u00e3o cumpriu o seu dever fiduci\u00e1rio de fidelidade aos interesses do Revolution&#8221;, escreveu a nova gestora Versal em comunica\u00e7\u00e3o ao Rioprevid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As a\u00e7\u00f5es protocoladas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A PGE ajuizou tr\u00eas medidas distintas na manh\u00e3 desta quinta-feira:<\/p>\n\n\n\n<p>1. Tutela Cautelar (Revolution): pede \u00e0 Justi\u00e7a que a Master se abstenha de obstar o resgate de R$ 481 milh\u00f5es solicitado pelo Rioprevid\u00eancia, com previs\u00e3o de pagamento para 17 de agosto. Requer ainda o arresto de bens da gestora Acura e de seus diretores Fernando Luiz de Senna Figueiredo e Ana Cristina Guerreiro Bezerra.<\/p>\n\n\n\n<p>2. Tutela Cautelar (Texas I FIA): pede a indisponibilidade de bens da gestora Axor, da Trustee DTVM e dos diretores Alexandre Marchesani Canata e Felipe Mota Separovic Rodrigues, al\u00e9m da apresenta\u00e7\u00e3o de auditoria independente sobre a situa\u00e7\u00e3o do fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>3. A\u00e7\u00e3o de Exibi\u00e7\u00e3o de Documentos, para obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, que tramita em segredo de justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pedidos de bloqueio bilion\u00e1rio<\/strong><br>Os valores alvos das medidas cautelares chegam a R$ 616,6 milh\u00f5es, considerando o montante investido no Revolution (R$ 481,4 milh\u00f5es) e a perda do Texas I FIA (R$ 135,1 milh\u00f5es). A PGE pede bloqueio de ativos via Sisbajud, indisponibilidade de im\u00f3veis, ve\u00edculos, a\u00e7\u00f5es, marcas, embarca\u00e7\u00f5es, aeronaves e at\u00e9 criptomoedas dos r\u00e9us.<\/p>\n\n\n\n<p>A PGE destaca que ambos os fundos \u2014 Revolution e Texas I FIA \u2014 tiveram suas carteiras ocultadas ap\u00f3s os pedidos de resgate, sob alega\u00e7\u00e3o de &#8220;sigilo&#8221;. No caso do Texas I, o sistema da CVM indica aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos 360 dias, ou seja, desde antes do investimento do Rioprevid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essa assimetria de informa\u00e7\u00f5es persiste at\u00e9 hoje, ap\u00f3s a carteira do &#8216;Fundo Texas I FIA&#8217; ter se tornado invis\u00edvel, o que prejudica sobremaneira a pr\u00f3pria precifica\u00e7\u00e3o segura do preju\u00edzo experimentado pelo Estado&#8221;, argumentam os procuradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os procuradores fundamentam as a\u00e7\u00f5es no dever fiduci\u00e1rio dos administradores e gestores de fundos, previsto na Resolu\u00e7\u00e3o CVM n\u00ba 175\/2022 e no C\u00f3digo Civil (artigos 1.368-C a 1.368-F). Segundo a PGE, &#8220;\u00e9 ineg\u00e1vel a viola\u00e7\u00e3o de deveres legais e regulamentares pelos demandados, que agora acarretam preju\u00edzo iminente ao patrim\u00f4nio p\u00fablico previdenci\u00e1rio estadual e, por conseguinte, a responsabilidade civil dos R\u00e9us&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pr\u00f3ximos passos<\/strong><br>A PGE solicita judicialmente que as medidas sejam concedidas em car\u00e1ter liminar, ou seja, sem pr\u00e9via oitiva dos r\u00e9us, diante do risco iminente de dissipa\u00e7\u00e3o patrimonial. O Estado do Rio e o Rioprevid\u00eancia s\u00e3o representados pelo procurador-geral Bruno Dubeux e por um corpo de 9 procuradores do Estado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estado do Rio aciona Justi\u00e7a para proteger recursos previdenci\u00e1rios aplicados em fundos administrados pelo Banco Master, com perdas que chegam a 90% do valor investido &#8211; A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) protocolou, nesta quinta-feira (16\/07), tr\u00eas a\u00e7\u00f5es judiciais contra a Master Corretora e gestoras de fundos de investimento para apurar perdas milion\u00e1rias sofridas pelo Fundo \u00danico de Previd\u00eancia Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevid\u00eancia). As perdas envolvem recursos p\u00fablicos da ordem de R$ 641,4 milh\u00f5es aplicados em fundos administrados pelo conglomerado, atualmente em liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial. As a\u00e7\u00f5es concentram-se em aportes do Rioprevid\u00eancia realizados em dois fundos de investimento vinculados ao Grupo Master: Revolution e Texas I FIA. Segundo os documentos protocolados pela PGE, as perdas j\u00e1 alcan\u00e7am patamares alarmantes:\u2022 Revolution: aplica\u00e7\u00e3o de R$ 481,4 milh\u00f5es, com patrim\u00f4nio atual estimado em R$ 567,8 milh\u00f5es, mas com carteira classificada como &#8220;sob sigilo&#8221; e composta majoritariamente por ativos de cr\u00e9dito privado com remunera\u00e7\u00e3o de at\u00e9 180% do CDI \u2014 taxa considerada &#8220;economicamente an\u00f4mala&#8221; pelos procuradores;\u2022 Texas I FIA: aplica\u00e7\u00e3o de R$ 150 milh\u00f5es, que se desvalorizou para apenas R$ 14,8 milh\u00f5es \u2014 uma perda superior a 90% em menos de um ano. O fundo concentrou 96% de sua carteira em a\u00e7\u00f5es da Ambipar (AMBP3), e manteve tal concentra\u00e7\u00e3o mesmo ap\u00f3s controv\u00e9rsia regulat\u00f3ria na CVM; Investimento em &#8220;a\u00e7\u00e3o-fantasma&#8221; e manipula\u00e7\u00e3o de mercadoSegundo a PGE, a perda do Texas I FIA est\u00e1 diretamente relacionada a uma &#8220;compra coordenada&#8221; envolvendo as a\u00e7\u00f5es da Ambipar. A Procuradoria aponta que, entre julho e agosto de 2024, a gestora Trustee DTVM \u2014 empresa ligada \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o &#8220;Carbono Oculto&#8221;, que apura lavagem de dinheiro \u2014 teria comprado maci\u00e7amente os pap\u00e9is por meio de fundos, inflando artificialmente seu pre\u00e7o. &#8220;O Rioprevid\u00eancia foi v\u00edtima de uma armadilha arquitetada pela administra\u00e7\u00e3o e pela gest\u00e3o do Texas I FIA, que vendeu ao ente p\u00fablico quotas de um fundo lastreado em uma a\u00e7\u00e3o desprovida de fundamento&#8221;, afirma a peti\u00e7\u00e3o. O fundo chegou a ficar desenquadrado das regras da CVM em novembro de 2025, mantendo apenas 31% do patrim\u00f4nio em a\u00e7\u00f5es, abaixo dos 67% exigidos para fundos de a\u00e7\u00f5es. Gest\u00e3o temer\u00e1ria e &#8220;ren\u00fancia de direitos&#8221;No caso do fundo Revolution, a PGE aponta que a gestora Acura votou favoravelmente, em nome do fundo, altera\u00e7\u00f5es no regulamento de um fundo investido (FIDC Eicon) que prejudicaram diretamente os cotistas \u2014 entre eles o Rioprevid\u00eancia, que det\u00e9m 10,7% do fundo. As mudan\u00e7as inclu\u00edram a ren\u00fancia a direitos de voto e o aumento em 48 meses do prazo de amortiza\u00e7\u00e3o do investimento. &#8220;A Gestora Acura n\u00e3o detinha poderes para votar mat\u00e9rias que significassem a ren\u00fancia de direitos do Revolution no Fundo EICON FIDC. Desta forma, n\u00e3o cumpriu o seu dever fiduci\u00e1rio de fidelidade aos interesses do Revolution&#8221;, escreveu a nova gestora Versal em comunica\u00e7\u00e3o ao Rioprevid\u00eancia. As a\u00e7\u00f5es protocoladas A PGE ajuizou tr\u00eas medidas distintas na manh\u00e3 desta quinta-feira: 1. Tutela Cautelar (Revolution): pede \u00e0 Justi\u00e7a que a Master se abstenha de obstar o resgate de R$ 481 milh\u00f5es solicitado pelo Rioprevid\u00eancia, com previs\u00e3o de pagamento para 17 de agosto. Requer ainda o arresto de bens da gestora Acura e de seus diretores Fernando Luiz de Senna Figueiredo e Ana Cristina Guerreiro Bezerra. 2. Tutela Cautelar (Texas I FIA): pede a indisponibilidade de bens da gestora Axor, da Trustee DTVM e dos diretores Alexandre Marchesani Canata e Felipe Mota Separovic Rodrigues, al\u00e9m da apresenta\u00e7\u00e3o de auditoria independente sobre a situa\u00e7\u00e3o do fundo. 3. A\u00e7\u00e3o de Exibi\u00e7\u00e3o de Documentos, para obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, que tramita em segredo de justi\u00e7a. Pedidos de bloqueio bilion\u00e1rioOs valores alvos das medidas cautelares chegam a R$ 616,6 milh\u00f5es, considerando o montante investido no Revolution (R$ 481,4 milh\u00f5es) e a perda do Texas I FIA (R$ 135,1 milh\u00f5es). A PGE pede bloqueio de ativos via Sisbajud, indisponibilidade de im\u00f3veis, ve\u00edculos, a\u00e7\u00f5es, marcas, embarca\u00e7\u00f5es, aeronaves e at\u00e9 criptomoedas dos r\u00e9us. A PGE destaca que ambos os fundos \u2014 Revolution e Texas I FIA \u2014 tiveram suas carteiras ocultadas ap\u00f3s os pedidos de resgate, sob alega\u00e7\u00e3o de &#8220;sigilo&#8221;. No caso do Texas I, o sistema da CVM indica aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos 360 dias, ou seja, desde antes do investimento do Rioprevid\u00eancia. &#8220;Essa assimetria de informa\u00e7\u00f5es persiste at\u00e9 hoje, ap\u00f3s a carteira do &#8216;Fundo Texas I FIA&#8217; ter se tornado invis\u00edvel, o que prejudica sobremaneira a pr\u00f3pria precifica\u00e7\u00e3o segura do preju\u00edzo experimentado pelo Estado&#8221;, argumentam os procuradores. Os procuradores fundamentam as a\u00e7\u00f5es no dever fiduci\u00e1rio dos administradores e gestores de fundos, previsto na Resolu\u00e7\u00e3o CVM n\u00ba 175\/2022 e no C\u00f3digo Civil (artigos 1.368-C a 1.368-F). Segundo a PGE, &#8220;\u00e9 ineg\u00e1vel a viola\u00e7\u00e3o de deveres legais e regulamentares pelos demandados, que agora acarretam preju\u00edzo iminente ao patrim\u00f4nio p\u00fablico previdenci\u00e1rio estadual e, por conseguinte, a responsabilidade civil dos R\u00e9us&#8221;. Pr\u00f3ximos passosA PGE solicita judicialmente que as medidas sejam concedidas em car\u00e1ter liminar, ou seja, sem pr\u00e9via oitiva dos r\u00e9us, diante do risco iminente de dissipa\u00e7\u00e3o patrimonial. 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