{"id":240475,"date":"2026-09-27T19:27:48","date_gmt":"2026-09-27T22:27:48","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=240475"},"modified":"2026-09-27T19:27:49","modified_gmt":"2026-09-27T22:27:49","slug":"saiba-como-as-bets-adoeceram-e-endividaram-os-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/saiba-como-as-bets-adoeceram-e-endividaram-os-brasileiros\/","title":{"rendered":"Saiba como as bets adoeceram e endividaram os brasileiros"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n\n<p><strong><em>Apenas em 2025, as fam\u00edlias brasileiras perderam R$ 62 bi em apostas<\/em><\/strong>  &#8211;  \u201cUm grande al\u00edvio.\u201d\u00a0Foi assim que Kaio*, de 42 anos, definiu o sentimento\u00a0ao ouvir a not\u00edcia, na \u00faltima sexta (25), de que as opera\u00e7\u00f5es das empresas de apostas on-line, as bets, foram proibidas no Brasil. Ele diz que tenta recome\u00e7ar a vida depois de perder o\u00a0carro, a casa e o emprego por causa das d\u00edvidas de jogo.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1703449&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1703449&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, Kaio mora sozinho em um dormit\u00f3rio em uma\u00a0cidade do interior de Goi\u00e1s. No local, ele se abriga, todas as noites, no ch\u00e3o. Temendo pela seguran\u00e7a,\u00a0em fun\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas contra\u00eddas com agiotas,\u00a0preferiu se afastar e ficar\u00a0longe da fam\u00edlia. Ele reconhece que, nos \u00faltimos seis anos, o v\u00edcio em jogos fez a sua vida virar pelo avesso.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, resolveu procurar ajuda&nbsp;em um Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (Caps), onde come\u00e7ou, neste ano, a participar de grupos terap\u00eauticos e consultas m\u00e9dicas. Ele toma tr\u00eas rem\u00e9dios por dia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aprovada em 2018<\/h2>\n\n\n\n<p>A Medida Provis\u00f3ria 1394\u00a0 que proibiu as bets no pa\u00eds, assinada nesta sexta-feira (25), revogou o que estava previsto no cap\u00edtulo 5 da Lei 13.756, de dezembro de 2018, aprovada no \u00faltimo m\u00eas do governo de Michel Temer.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de terem sido aprovadas em 2018, as bets s\u00f3 foram regulamentadas&nbsp;em dezembro de 2023. Ou seja, as plataformas de apostas funcionavam, mas praticamente sem nem tipo de regra por pelo menos cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi apenas com a regulamenta\u00e7\u00e3o que surgiram regras como a necessidade de\u00a0avisos de desest\u00edmulo ao jogo e de advert\u00eancia sobre seus malef\u00edcios que deveriam ser veiculadas pelos agentes operadores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Vulnerabilidades<\/h2>\n\n\n\n<p>A psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti (que trata e estuda o transtorno do controle de impulso) do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo, explica que pessoas em vulnerabilidade representam o grupo mais suscet\u00edvel ao v\u00edcio em jogos e foram afetadas por desinforma\u00e7\u00e3o e publicidade enganosa por todos os lados.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, as pessoas foram atacadas por an\u00fancios que induziam a uma falsa ideia de que o jogo serviria como uma complementa\u00e7\u00e3o de renda. \u201cS\u00e3o pessoas que querem retornos r\u00e1pidos induzidas a acreditar que podem ter isso com as bets. Isso se tornou realmente muito perigoso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perdas bilion\u00e1rias<\/h2>\n\n\n\n<p>Apenas no ano passado, as fam\u00edlias brasileiras perderam R$ 62,5 bilh\u00f5es para as\u00a0bets\u00a0(diferen\u00e7a entre o dinheiro apostado e o devolvido em forma de pr\u00eamio). Isso equivale a uma m\u00e9dia de R$ 4,7 bilh\u00f5es por m\u00eas, de outubro de 2024 a mar\u00e7o de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>As perdas equivalem a 0,68% da Renda Nacional Dispon\u00edvel Bruta das Fam\u00edlias e consideram as transfer\u00eancias feitas por Pix para as casas de apostas. No mesmo per\u00edodo, as&nbsp;bets&nbsp;movimentaram quase R$ 351 bilh\u00f5es em transa\u00e7\u00f5es via Pix.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados foram divulgados no Boletim Fiscal dos Estados, divulgado pelo Comit\u00ea Nacional de Secret\u00e1rios de Fazenda (Comsefaz).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Regras n\u00e3o seguidas<\/h2>\n\n\n\n<p>A lei que regulamentava as\u00a0bets\u00a0determinava, por exemplo, que as empresas bloqueassem\u00a0o acesso de usu\u00e1rios identificados como compulsivos.\u00a0Mas, segundo o advogado J\u00falio Leone,\u00a0isso nunca\u00a0ocorreu. Ao contr\u00e1rio, as empresas mandavam in\u00fameros b\u00f4nus e an\u00fancios aos jogadores,\u00a0\u201c\u00c9 a\u00ed que ela perde todo o capital&#8221;, disse o advogado<strong> <\/strong>em agosto.<\/p>\n\n\n\n<p>Kaio* refor\u00e7a&nbsp;que era exatamente isso o que ocorria. \u201cO celular n\u00e3o parava de trazer mensagens.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas de todas as idades passaram a ser v\u00edtimas das viola\u00e7\u00f5es cometidas pelas plataformas,&nbsp;inclusive, adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Um em cada cinco alunos (20,4%) dos anos finais do ensino fundamental e do ensino m\u00e9dio disse, no \u00faltimo ano, j\u00e1 ter feito apostas online. O levantamento foi feito a pedido da Frente Parlamentar Mista da Educa\u00e7\u00e3o pela Equidade.info (iniciativa que produz dados para pesquisas). O estudo ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas de todo o pa\u00eds.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos dados de maior impacto mostrava que as apostas come\u00e7avam aos 11 anos de idade. Pelo menos 9,5% dos estudantes nessa faixa et\u00e1ria disseram j\u00e1 ter feito apostas.<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, explica que o jovem \u00e9 mais vulner\u00e1vel a apelos desse tipo porque o c\u00e9rebro dele ainda est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Os especialistas explicam que o n\u00facleo ligado \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de prazer e \u00e0 dopamina funciona em ritmo acelerado, as regi\u00f5es que controlam os impulsos e avaliam riscos s\u00f3 terminam de amadurecer aos 20 e poucos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO adolescente sente intensamente o prazer de ganhar uma aposta, mas ele, em contrapartida, ainda n\u00e3o disp\u00f5e do aparato para frear o impulso da aposta seguinte\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Riscos de suic\u00eddio<\/h2>\n\n\n\n<p>Os profissionais de sa\u00fade constataram que apostadores de todas as faixas et\u00e1rias apresentaram sinais de desesperan\u00e7a, sensa\u00e7\u00e3o de estar sem sa\u00edda, afastamento das pessoas, aumento do uso de \u00e1lcool ou mudan\u00e7as importantes de comportamento.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti (que trata e estuda o transtorno de controle de impulso) do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo, falas relacionadas \u00e0 morte ou a n\u00e3o querer mais viver devem ser motivo de aten\u00e7\u00e3o e procura de ajuda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA idea\u00e7\u00e3o suicida deve ser tratada de forma mais aberta tanto no consult\u00f3rio quanto nos grupos terap\u00eauticos. Com manejo adequado, podemos reduzir o risco e tentar ajudar os pacientes\u201d, afirma a psiquiatra.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com a especialista, os pacientes mostravam-se extremamente ansiosos em virtude dos preju\u00edzos caudados pelos jogos. \u201cH\u00e1 quem tenha pensamentos de morte e, no caso, os mais graves j\u00e1 com a idea\u00e7\u00e3o suicida em virtude dos preju\u00edzos financeiros que t\u00eam\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ajuda necess\u00e1ria<\/h2>\n\n\n\n<p>O neurocirurgi\u00e3o Orlando Maia afirma que pessoas com essa depend\u00eancia t\u00eam a sensa\u00e7\u00e3o de que a aposta faz parte do dia a dia, j\u00e1 que buscam um mecanismo de recompensa.&nbsp; Ele explica que, muitas vezes, as pessoas n\u00e3o reconhecem o problema por si mesmas. \u201cPrecisam de pessoas da fam\u00edlia ou de amigos que possam ajudar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga Claudia Feres, que atua em um Centro de Apoio Psicossocial (Caps) no Distrito Federal, recomenda que pacientes dependentes e suas fam\u00edlias procurem ajuda profissional. \u201cEu trabalho em Caps. Chegam para n\u00f3s pessoas que tiveram pensamentos e fizeram, por exemplo, tentativa de autoexterm\u00ednio. \u00c9 um pedido de socorro desesperado, como se falasse que precisa se ausentar da vida naquele momento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos problemas, segundo os especialistas, \u00e9 que as apostas online estavam facilmente acess\u00edveis e dispon\u00edveis praticamente 24 horas por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 um cassino dentro do seu bolso&#8221;, afirmou Luiz Carlos*, 71 anos, integrante do Jogadores An\u00f4nimos.\u00a0\u201dGra\u00e7as a Deus eu n\u00e3o jogo hoje, porque, se eu jogasse, estava perdido. Na minha \u00e9poca, a gente tinha que sair de casa para jogar. Hoje n\u00e3o precisa mais&#8221;, afirmou em entrevista, dias antes de o governo\u00a0proibir as plataformas de bets por problema\u00a0de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto, com o aumento dos problemas de sa\u00fade ligados ao v\u00edcio em jogos, o\u00a0Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)\u00a0ampliou\u00a0o n\u00famero de teleatendimentos mensais a pessoas que enfrentam problemas relacionados a\u00a0apostas\u00a0online.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o an\u00fancio de\u00a0proibi\u00e7\u00e3o das bets, na sexta-feira (25), o\u00a0Minist\u00e9rio da Sa\u00fade anunciou\u00a0que aumentar\u00e1 os esfor\u00e7os para contatar apostadores contumazes, oferecendo acompanhamento e tratamento nos casos necess\u00e1rios.\u00a0Segundo o ministro\u00a0Alexandre Padilha, haver\u00e1\u00a0pol\u00edticas de busca ativa, a partir de dados compartilhados pelos minist\u00e9rios da Fazenda e da Seguran\u00e7a e pela Receita Federal.\u00a0&#8211;  <em>Luiz Claudio Ferreira &#8211; Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apenas em 2025, as fam\u00edlias brasileiras perderam R$ 62 bi em apostas &#8211; \u201cUm grande al\u00edvio.\u201d\u00a0Foi assim que Kaio*, de 42 anos, definiu o sentimento\u00a0ao ouvir a not\u00edcia, na \u00faltima sexta (25), de que as opera\u00e7\u00f5es das empresas de apostas on-line, as bets, foram proibidas no Brasil. 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Ele toma tr\u00eas rem\u00e9dios por dia.&nbsp; Aprovada em 2018 A Medida Provis\u00f3ria 1394\u00a0 que proibiu as bets no pa\u00eds, assinada nesta sexta-feira (25), revogou o que estava previsto no cap\u00edtulo 5 da Lei 13.756, de dezembro de 2018, aprovada no \u00faltimo m\u00eas do governo de Michel Temer. Apesar de terem sido aprovadas em 2018, as bets s\u00f3 foram regulamentadas&nbsp;em dezembro de 2023. Ou seja, as plataformas de apostas funcionavam, mas praticamente sem nem tipo de regra por pelo menos cinco anos. Foi apenas com a regulamenta\u00e7\u00e3o que surgiram regras como a necessidade de\u00a0avisos de desest\u00edmulo ao jogo e de advert\u00eancia sobre seus malef\u00edcios que deveriam ser veiculadas pelos agentes operadores. Vulnerabilidades A psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti (que trata e estuda o transtorno do controle de impulso) do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo, explica que pessoas em vulnerabilidade representam o grupo mais suscet\u00edvel ao v\u00edcio em jogos e foram afetadas por desinforma\u00e7\u00e3o e publicidade enganosa por todos os lados. Segundo ela, as pessoas foram atacadas por an\u00fancios que induziam a uma falsa ideia de que o jogo serviria como uma complementa\u00e7\u00e3o de renda. \u201cS\u00e3o pessoas que querem retornos r\u00e1pidos induzidas a acreditar que podem ter isso com as bets. Isso se tornou realmente muito perigoso.\u201d Perdas bilion\u00e1rias Apenas no ano passado, as fam\u00edlias brasileiras perderam R$ 62,5 bilh\u00f5es para as\u00a0bets\u00a0(diferen\u00e7a entre o dinheiro apostado e o devolvido em forma de pr\u00eamio). Isso equivale a uma m\u00e9dia de R$ 4,7 bilh\u00f5es por m\u00eas, de outubro de 2024 a mar\u00e7o de 2026. As perdas equivalem a 0,68% da Renda Nacional Dispon\u00edvel Bruta das Fam\u00edlias e consideram as transfer\u00eancias feitas por Pix para as casas de apostas. No mesmo per\u00edodo, as&nbsp;bets&nbsp;movimentaram quase R$ 351 bilh\u00f5es em transa\u00e7\u00f5es via Pix. Os dados foram divulgados no Boletim Fiscal dos Estados, divulgado pelo Comit\u00ea Nacional de Secret\u00e1rios de Fazenda (Comsefaz). Regras n\u00e3o seguidas A lei que regulamentava as\u00a0bets\u00a0determinava, por exemplo, que as empresas bloqueassem\u00a0o acesso de usu\u00e1rios identificados como compulsivos.\u00a0Mas, segundo o advogado J\u00falio Leone,\u00a0isso nunca\u00a0ocorreu. Ao contr\u00e1rio, as empresas mandavam in\u00fameros b\u00f4nus e an\u00fancios aos jogadores,\u00a0\u201c\u00c9 a\u00ed que ela perde todo o capital&#8221;, disse o advogado em agosto. Kaio* refor\u00e7a&nbsp;que era exatamente isso o que ocorria. \u201cO celular n\u00e3o parava de trazer mensagens.\u201d Pessoas de todas as idades passaram a ser v\u00edtimas das viola\u00e7\u00f5es cometidas pelas plataformas,&nbsp;inclusive, adolescentes. Um em cada cinco alunos (20,4%) dos anos finais do ensino fundamental e do ensino m\u00e9dio disse, no \u00faltimo ano, j\u00e1 ter feito apostas online. O levantamento foi feito a pedido da Frente Parlamentar Mista da Educa\u00e7\u00e3o pela Equidade.info (iniciativa que produz dados para pesquisas). O estudo ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas de todo o pa\u00eds.\u00a0 Um dos dados de maior impacto mostrava que as apostas come\u00e7avam aos 11 anos de idade. Pelo menos 9,5% dos estudantes nessa faixa et\u00e1ria disseram j\u00e1 ter feito apostas. A psic\u00f3loga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, explica que o jovem \u00e9 mais vulner\u00e1vel a apelos desse tipo porque o c\u00e9rebro dele ainda est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o.\u00a0 Os especialistas explicam que o n\u00facleo ligado \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de prazer e \u00e0 dopamina funciona em ritmo acelerado, as regi\u00f5es que controlam os impulsos e avaliam riscos s\u00f3 terminam de amadurecer aos 20 e poucos anos. \u201cO adolescente sente intensamente o prazer de ganhar uma aposta, mas ele, em contrapartida, ainda n\u00e3o disp\u00f5e do aparato para frear o impulso da aposta seguinte\u201d, diz. Riscos de suic\u00eddio Os profissionais de sa\u00fade constataram que apostadores de todas as faixas et\u00e1rias apresentaram sinais de desesperan\u00e7a, sensa\u00e7\u00e3o de estar sem sa\u00edda, afastamento das pessoas, aumento do uso de \u00e1lcool ou mudan\u00e7as importantes de comportamento.\u00a0 Segundo a psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti (que trata e estuda o transtorno de controle de impulso) do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo, falas relacionadas \u00e0 morte ou a n\u00e3o querer mais viver devem ser motivo de aten\u00e7\u00e3o e procura de ajuda.&nbsp; \u201cA idea\u00e7\u00e3o suicida deve ser tratada de forma mais aberta tanto no consult\u00f3rio quanto nos grupos terap\u00eauticos. Com manejo adequado, podemos reduzir o risco e tentar ajudar os pacientes\u201d, afirma a psiquiatra. Ainda de acordo com a especialista, os pacientes mostravam-se extremamente ansiosos em virtude dos preju\u00edzos caudados pelos jogos. \u201cH\u00e1 quem tenha pensamentos de morte e, no caso, os mais graves j\u00e1 com a idea\u00e7\u00e3o suicida em virtude dos preju\u00edzos financeiros que t\u00eam\u201d, explica. Ajuda necess\u00e1ria O neurocirurgi\u00e3o Orlando Maia afirma que pessoas com essa depend\u00eancia t\u00eam a sensa\u00e7\u00e3o de que a aposta faz parte do dia a dia, j\u00e1 que buscam um mecanismo de recompensa.&nbsp; Ele explica que, muitas vezes, as pessoas n\u00e3o reconhecem o problema por si mesmas. \u201cPrecisam de pessoas da fam\u00edlia ou de amigos que possam ajudar\u201d. A psic\u00f3loga Claudia Feres, que atua em um Centro de Apoio Psicossocial (Caps) no Distrito Federal, recomenda que pacientes dependentes e suas fam\u00edlias procurem ajuda profissional. \u201cEu trabalho em Caps. Chegam para n\u00f3s pessoas que tiveram pensamentos e fizeram, por exemplo, tentativa de autoexterm\u00ednio. \u00c9 um pedido de socorro desesperado, como se falasse que precisa se ausentar da vida naquele momento\u201d. 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