{"id":24050,"date":"2016-05-07T06:47:17","date_gmt":"2016-05-07T09:47:17","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=24050"},"modified":"2016-05-07T06:47:56","modified_gmt":"2016-05-07T09:47:56","slug":"todas-as-mulheres-sao-maes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/todas-as-mulheres-sao-maes-2\/","title":{"rendered":"Todas as mulheres s\u00e3o m\u00e3es"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>*Paiva Netto<\/p>\n<p>Na Legi\u00e3o da Boa Vontade, LBV, a vis\u00e3o que temos da maternidade \u00e9 ampla. \u00c9 o que comentei em 22 de maio de 1988, na Folha de S.Paulo: Deus, M\u00e3e e Pai dos seres humanos, \u00e9 universal abrang\u00eancia. Assim sendo, M\u00e3es n\u00e3o s\u00e3o apenas as que geram filhos carnais. Tamb\u00e9m s\u00e3o aquelas que se consagram \u00e0 sobreviv\u00eancia dos filhos dos outros: as crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s, at\u00e9 mesmo de pais vivos; as das M\u00e3es que precisam trabalhar e n\u00e3o t\u00eam pessoa de confian\u00e7a com quem deix\u00e1-las; as das que s\u00e3o irremediavelmente enfermas. Tal como se l\u00ea no \u201cPoema do Grande Mil\u00eanio\u201d, de Alziro Zarur (1914-1979): &#8220;(&#8230;) Os filhos s\u00e3o filhos de todas as m\u00e3es, e as m\u00e3es s\u00e3o as m\u00e3es de todos os filhos&#8221;.<br \/>\nM\u00e3es s\u00e3o ainda as que se devotam \u00e0 Arte, \u00e0 Literatura, \u00e0 Ci\u00eancia, \u00e0 Filosofia, \u00e0 Religi\u00e3o, \u00e0 Pol\u00edtica, \u00e0 Economia, afinal a todos os setores do pensamento ou a\u00e7\u00e3o criadora, a gerar \u201cfilhos\u201d de sua dedicada compet\u00eancia pelo desenvolvimento da Humanidade. A LBV n\u00e3o ergue bastilhas, pelo contr\u00e1rio, as derriba com renovada Boa Vontade. (&#8230;)<br \/>\nMuito oportuna tamb\u00e9m \u00e9 outra composi\u00e7\u00e3o po\u00e9tica do velho Zarur: \u201cPoema das M\u00e3es\u201d, uma ode \u00e0 face maternal, \u00e0 necessidade da marca afetuosa e forte deste ser no governo dos povos:<br \/>\n&gt;&gt; &#8220;Poema das M\u00e3es&#8221;<br \/>\n&#8220;Desde que o mundo \u00e9 mundo, at\u00e9 onde vai\/ O arqueol\u00f3gico olhar da pr\u00e9-Hist\u00f3ria,\/ Na fam\u00edlia dos nobres ou da esc\u00f3ria\/ A m\u00e3e n\u00e3o manda, pois quem manda \u00e9 o pai.<br \/>\n&#8220;Sem pretens\u00e3o alguma a Nostradamus,\/ Eu creio que a raz\u00e3o desse destino\/ Da mulher-m\u00e3e, que todos subjugamos,\/ \u00c9 o Deus antropomorfo-masculino.<br \/>\n&#8220;\u2018Se \u00e9 homem o Criador (raciocinaram\/ Os argutos fil\u00f3sofos de antanho),\/ Fa\u00e7amos das mulheres um rebanho&#8230;\u2019 \/ E assim fizeram quando assim pensaram.<br \/>\n&#8220;Desde ent\u00e3o, temos visto a velha farsa\/ Representada, com solenidade,\/ Nos pa\u00edses de toda a Humanidade\/ Onde a moral pr\u00e9-hist\u00f3rica anda esparsa.<br \/>\n\u201c\u2018As mulheres n\u00e3o podem entender-nos\u2019,\/ Diziam os desp\u00f3ticos senhores.\/ E fomos vendo, em s\u00e9culos de horrores,\/ A fal\u00eancia dos homens nos governos.<br \/>\n\u201cAo meditar, em raras horas mansas,\/ Cheguei a conclus\u00f5es desprimorosas:\/ Os homens s\u00e3o crian\u00e7as rancorosas,\/ Sem a gra\u00e7a espont\u00e2nea das crian\u00e7as.<br \/>\n\u201cS\u00f3 ent\u00e3o compreendi o caos da guerra,\/ Em seus apavorantes misereres:\/ Coisa imposs\u00edvel de se ver na terra,\/ Quando os governos forem de mulheres.<br \/>\n\u201cAssim \u00e9 que n\u00e3o pode continuar!\/ Porque os \u2018chefes\u2019 \u2014 piores do que os c\u00e3es\/ Hidr\u00f3fobos \u2014 t\u00eam este singular\/ Defeito imenso de n\u00e3o serem m\u00e3es\u201d.<br \/>\n&gt;&gt; Retrato de M\u00e3e<br \/>\nAbro a revista BOA VONTADE e encontro esta joia do saudoso bispo chileno Dom Ram\u00f3n \u00c1ngel Jara (1852-1917): \u201cExiste uma simples mulher que possui um pouco de Deus pela imensidade de seu Amor, e muito de anjo pela const\u00e2ncia de sua dedica\u00e7\u00e3o. Mulher que, sendo jovem, pensa como anci\u00e3; e, na velhice, trabalha como se tivesse o vigor da juventude; se \u00e9 ignorante, decifra os problemas da vida com mais acerto do que um s\u00e1bio; sendo culta, amolda-se \u00e0 simplicidade das crian\u00e7as; quando pobre, considera-se bastante rica com a felicidade daqueles que ama; e, sendo rica, daria com prazer sua riqueza para n\u00e3o sofrer a inj\u00faria da ingratid\u00e3o. Forte ou intr\u00e9pida, entretanto estremece ante o choro de uma criancinha; franzina, se reveste, \u00e0s vezes, da bravura de um le\u00e3o. Mulher que, enquanto viva, n\u00e3o sabemos dar-lhe o devido valor, porque a seu lado todas as nossas dores se apagam&#8230; Mas, depois de morta, dar\u00edamos tudo o que somos e tudo o que temos para v\u00ea-la de novo um s\u00f3 instante e dela receber a car\u00edcia de seus abra\u00e7os, uma palavra de seus l\u00e1bios&#8230; N\u00e3o exijais de mim que diga o nome dessa mulher se n\u00e3o quiserdes que eu inunde de l\u00e1grimas este \u00e1lbum, porque j\u00e1 a vi passar em meu caminho. Por\u00e9m, quando os vossos filhos crescerem, lede-lhes esta p\u00e1gina. E eles, cobrindo-vos de beijos, dir\u00e3o que um pobre viandante, em retribui\u00e7\u00e3o da magn\u00edfica hospedagem recebida, deixou gravado neste \u00e1lbum, para todos, o retrato de sua pr\u00f3pria M\u00e3e\u201d.<br \/>\nDizem que M\u00e3e n\u00e3o tem rima. Ser\u00e1?! Ent\u00e3o secou-se-lhes a musa, ou saiu em f\u00e9rias&#8230; Mas n\u00e3o semelhantemente \u00e0 famosa experi\u00eancia de Guerra Junqueiro (1850-1923). Amor faz rima perfeita com M\u00e3e. M\u00e3e \u00e9 eterna tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>*Jos\u00e9 de Paiva Netto &#8211; Jornalista, radialista e escritor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Paiva Netto Na Legi\u00e3o da Boa Vontade, LBV, a vis\u00e3o que temos da maternidade \u00e9 ampla. \u00c9 o que comentei em 22 de maio de 1988, na Folha de S.Paulo: Deus, M\u00e3e e Pai dos seres humanos, \u00e9 universal abrang\u00eancia. Assim sendo, M\u00e3es n\u00e3o s\u00e3o apenas as que geram filhos carnais. Tamb\u00e9m s\u00e3o aquelas que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-24050","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24050","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24050"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24050\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24052,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24050\/revisions\/24052"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}