{"id":26487,"date":"2016-06-20T21:00:28","date_gmt":"2016-06-21T00:00:28","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=26487"},"modified":"2016-06-20T21:00:28","modified_gmt":"2016-06-21T00:00:28","slug":"voce-vai-ajudar-financeiramente-os-seus-candidatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/voce-vai-ajudar-financeiramente-os-seus-candidatos\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea vai ajudar financeiramente os seus candidatos?"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>*Percival Puggina<\/p>\n<p>Chega a ser simpl\u00f3ria a ideia de que, no modelo pol\u00edtico brasileiro, campanhas eleitorais possam ser adequadamente viabilizadas apenas por contribui\u00e7\u00f5es individuais. Estamos nos encaminhando para ver, no dia 2 de outubro, em que vai dar essa decis\u00e3o do STF, mas antecipo algumas observa\u00e7\u00f5es. E a primeira diz respeito \u00e0 pergunta que d\u00e1 t\u00edtulo a este artigo. Voc\u00ea, leitor, est\u00e1 disposto a meter a m\u00e3o no bolso e doar dinheiro para a campanha de seus candidatos \u00e0 prefeitura e \u00e0 verean\u00e7a?<br \/>\nPois \u00e9. Imagino que n\u00e3o seja significativo o n\u00famero de pessoas que responder\u00e3o afirmativamente. O dinheiro est\u00e1 t\u00e3o ou mais curto do que a confian\u00e7a do eleitorado naquilo a que chamamos &#8220;classe pol\u00edtica&#8221;. Aqui no Rio Grande do Sul, e n\u00e3o ser\u00e1 diferente, por certo, em todo o pa\u00eds, o poder p\u00fablico est\u00e1 quebrado e o \u00e2nimo alquebrado, exceto para o pedido de reposi\u00e7\u00f5es, planos de carreira, quando n\u00e3o, direitos e vantagens para membros dos poderes e categorias funcionais mais bem aquinhoadas! Ponto de exclama\u00e7\u00e3o? Esc\u00e2ndalo? N\u00e3o, tudo perfeitamente habitual. Enquanto o setor privado nacional se constrange a fechar milh\u00f5es de postos de trabalho, os tr\u00eas n\u00edveis da Federa\u00e7\u00e3o mant\u00eam seus contingentes funcionais, e seus parlamentos v\u00e3o aprovando eleva\u00e7\u00e3o de suas despesas com pessoal.<br \/>\nE a\u00ed? Nesse contexto, vamos ajudar candidatos? A fam\u00edlia vai concordar com isso? Pela lei, voc\u00ea pode doar at\u00e9 10% de sua renda no ano passado. Vejo muita dificuldade para todos que se disponham a concorrer. Uma das formas encontradas para tornar as campanhas menos onerosas financeiramente foi a redu\u00e7\u00e3o dos prazos para o trabalho expl\u00edcito de busca de votos. No entanto, quanto mais curto o tempo de campanha, maior a vantagem de quem j\u00e1 tem mandato porque, salvo desist\u00eancia, h\u00e1 quatro anos trabalha pela reelei\u00e7\u00e3o. Isso reduzir\u00e1 a renova\u00e7\u00e3o e preservar\u00e1 o onipresente corporativismo. Adicionalmente, o uso de recursos pr\u00f3prios favorecer\u00e1 candidatos com alta renda. Para estes, 10% dos ganhos do ano anterior representa valor expressivo. Por tudo isso, se voc\u00ea identificar em sua comunidade candidato a prefeito e a vereador que mere\u00e7a ser apoiado em virtude de sua hist\u00f3ria de vida, valores, convic\u00e7\u00f5es, compromisso com responsabilidade fiscal e redu\u00e7\u00e3o do gasto p\u00fablico, sugiro enfaticamente que o fa\u00e7a.<br \/>\nNo entanto, \u00e9 bom visualizar o cen\u00e1rio mais amplo. Nosso sistema de governo e nosso sistema eleitoral s\u00e3o incompat\u00edveis com elei\u00e7\u00f5es de baixo custo. Temos partidos em excesso e, neles, candidatos em excesso disputando no mesmo espa\u00e7o geogr\u00e1fico. Se fiz\u00e9ssemos o que a quase totalidade dos pa\u00edses com democracias est\u00e1veis fazem, elegendo o governante indiretamente atrav\u00e9s da maioria parlamentar, s\u00f3 isso representaria um enorme ganho financeiro e aumentaria muito a responsabilidade da maioria parlamentar. Se, essas democracias elegem indiretamente seus governantes, de onde tiramos a ideia de que a elei\u00e7\u00e3o indireta n\u00e3o \u00e9 democr\u00e1tica ou \u00e9 menos democr\u00e1tica do que a elei\u00e7\u00e3o direta? Estamos podendo observar nestes dias o quanto nosso sistema age contra o interesse p\u00fablico ao dificultar sobremodo a substitui\u00e7\u00e3o do mau governo. Num sistema racional, o governo cai no momento em que perde a maioria parlamentar, sem choro nem vela, sem passeata nem quebra-quebra. Normal e pacificamente.<br \/>\nElei\u00e7\u00f5es com baixo custo, adequadamente fiscalizadas, s\u00f3 as teremos com parlamentarismo e voto distrital (um candidato por partido em circunscri\u00e7\u00f5es eleitorais pequenas). H\u00e1 poucos dias passei, na It\u00e1lia, pela cidade de Trieste, onde se disputavam elei\u00e7\u00f5es municipais. Os partidos ocupavam pequenas tendas nas pra\u00e7as, lado a lado, com algu\u00e9m atendendo os eleitores e fornecendo volantes dos candidatos. Nenhum carnaval publicit\u00e1rio. Quem pode dizer que isso n\u00e3o \u00e9 democr\u00e1tico? Quem dir\u00e1 que o saco sem fundo das arrecada\u00e7\u00f5es para campanhas de grande visibilidade serve melhor ao interesse p\u00fablico do que o processo eleitoral simples, travado num espa\u00e7o geogr\u00e1fico reduzido, onde quem trabalha \u00e9 o candidato e n\u00e3o o dinheiro que ele arrecada?<\/p>\n<p>*Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, \u00e9 arquiteto, empres\u00e1rio e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no pa\u00eds. Autor de Cr\u00f4nicas contra o totalitarismo; Cuba, a trag\u00e9dia da utopia; Pombas e Gavi\u00f5es; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Percival Puggina Chega a ser simpl\u00f3ria a ideia de que, no modelo pol\u00edtico brasileiro, campanhas eleitorais possam ser adequadamente viabilizadas apenas por contribui\u00e7\u00f5es individuais. 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