{"id":27402,"date":"2016-07-04T21:17:09","date_gmt":"2016-07-05T00:17:09","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=27402"},"modified":"2016-07-04T21:17:09","modified_gmt":"2016-07-05T00:17:09","slug":"violencia-domestica-sem-fronteira-ou-classe-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/violencia-domestica-sem-fronteira-ou-classe-social\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia dom\u00e9stica: sem fronteira ou classe social"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/160704-questao-de-genero.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-27403 alignleft\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/160704-questao-de-genero-300x200.jpg\" alt=\"160704 questao de genero\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a>Mais um caso de viol\u00eancia dom\u00e9stica entre famosos ganhou destaque nos \u00faltimos dias, provando que a agress\u00e3o contra a mulher \u00e9 um problema estrutural e que independentemente de classe, ra\u00e7a ou orienta\u00e7\u00e3o sexual pode acontecer em qualquer lugar. Desta vez \u00e9 a atriz e ex-modelo, Luiza Brunet, quem acusa o ex-companheiro, L\u00edrio Albino Parisotto, de espancamento. O fato ocorreu em Nova York e teria resultado em quatro costelas quebradas e um hematoma no olho roxo. A queixa foi registrada no Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Os casos de agress\u00f5es contra a mulher no Brasil s\u00e3o bem mais comuns do que se imagina. De acordo com a pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espa\u00e7os P\u00fablicos e Privados, divulgada pela Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo em 2010, cerca de cinco mulheres s\u00e3o espancadas a cada dois minutos, sendo o parceiro respons\u00e1vel por mais de 80% dos casos relatados.<\/p>\n<p>Entre 2009 e 2011, o Brasil registrou 16,9 mil feminic\u00eddios (mortes de mulheres por conflito de g\u00eanero). Esse n\u00famero indica uma taxa de 5,8 casos para cada grupo de 100 mil mulheres. Aproximadamente 40% de todos os homic\u00eddios de mulheres no mundo s\u00e3o cometidos por um parceiro \u00edntimo.<\/p>\n<p>Na pesquisa do Senado brasileiro divulgada ano passado estima que mais de 13,5 milh\u00f5es de mulheres j\u00e1 tenham sofrido algum tipo de agress\u00e3o. Esse n\u00famero equivale a 19% da popula\u00e7\u00e3o feminina com 16 anos ou mais. Das que sofreram viol\u00eancia, 31% ainda precisam conviver com o agressor. E pior: das que convivem com o agressor, 14% continuam sofrendo viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Outros dados revelam que 77% das mulheres que relatam viver em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia sofrem agress\u00f5es semanal ou diariamente. E 82,5% das mulheres relataram que elas s\u00e3o praticadas por homens com quem mant\u00eam ou mantiveram algum v\u00ednculo afetivo.<\/p>\n<p>Para quem acha que a viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 coisa do passado, saiba que: de 3 em cada 5 mulheres jovens, entre 16 e 24 anos, j\u00e1 sofreram viol\u00eancia em relacionamentos amorosos. O estudo revelou que , embora apenas 8% das mulheres admitam espontaneamente j\u00e1 terem sofrido viol\u00eancia do parceiro, 66% das mulheres afirmaram ter sido alvo de alguma das a\u00e7\u00f5es citadas no question\u00e1rio &#8211; entre as viol\u00eancias, constavam: xingar, empurrar, agredir com palavras, dar tapa, dar soco, impedir de sair de casa e obrigar a fazer sexo.<\/p>\n<p>Em levantamento realizado pela Central de Atendimento \u00e0 Mulher (Disque 180), ficou constatado que as crian\u00e7as est\u00e3o diretamente envolvidas nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Dentre as v\u00edtimas ouvidas em 2014, 80% tinham filhos. S\u00f3 que 64,35% presenciaram a viol\u00eancia e 18,74% eram v\u00edtimas diretas junto com as m\u00e3es.<\/p>\n<p>Mas do que nunca \u00e9 preciso romper com o silencio. Luiza Brunet foi um exemplo de for\u00e7a e coragem, pois denunciou seu companheiro, rompendo todas as barreiras que esse ato envolve.<br \/>\n<em>Por Ana Paula Moresche<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais um caso de viol\u00eancia dom\u00e9stica entre famosos ganhou destaque nos \u00faltimos dias, provando que a agress\u00e3o contra a mulher \u00e9 um problema estrutural e que independentemente de classe, ra\u00e7a ou orienta\u00e7\u00e3o sexual pode acontecer em qualquer lugar. Desta vez \u00e9 a atriz e ex-modelo, Luiza Brunet, quem acusa o ex-companheiro, L\u00edrio Albino Parisotto, de espancamento. O fato ocorreu em Nova York e teria resultado em quatro costelas quebradas e um hematoma no olho roxo. A queixa foi registrada no Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo. Os casos de agress\u00f5es contra a mulher no Brasil s\u00e3o bem mais comuns do que se imagina. De acordo com a pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espa\u00e7os P\u00fablicos e Privados, divulgada pela Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo em 2010, cerca de cinco mulheres s\u00e3o espancadas a cada dois minutos, sendo o parceiro respons\u00e1vel por mais de 80% dos casos relatados. Entre 2009 e 2011, o Brasil registrou 16,9 mil feminic\u00eddios (mortes de mulheres por conflito de g\u00eanero). Esse n\u00famero indica uma taxa de 5,8 casos para cada grupo de 100 mil mulheres. Aproximadamente 40% de todos os homic\u00eddios de mulheres no mundo s\u00e3o cometidos por um parceiro \u00edntimo. Na pesquisa do Senado brasileiro divulgada ano passado estima que mais de 13,5 milh\u00f5es de mulheres j\u00e1 tenham sofrido algum tipo de agress\u00e3o. Esse n\u00famero equivale a 19% da popula\u00e7\u00e3o feminina com 16 anos ou mais. Das que sofreram viol\u00eancia, 31% ainda precisam conviver com o agressor. E pior: das que convivem com o agressor, 14% continuam sofrendo viol\u00eancia. Outros dados revelam que 77% das mulheres que relatam viver em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia sofrem agress\u00f5es semanal ou diariamente. E 82,5% das mulheres relataram que elas s\u00e3o praticadas por homens com quem mant\u00eam ou mantiveram algum v\u00ednculo afetivo. Para quem acha que a viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 coisa do passado, saiba que: de 3 em cada 5 mulheres jovens, entre 16 e 24 anos, j\u00e1 sofreram viol\u00eancia em relacionamentos amorosos. O estudo revelou que , embora apenas 8% das mulheres admitam espontaneamente j\u00e1 terem sofrido viol\u00eancia do parceiro, 66% das mulheres afirmaram ter sido alvo de alguma das a\u00e7\u00f5es citadas no question\u00e1rio &#8211; entre as viol\u00eancias, constavam: xingar, empurrar, agredir com palavras, dar tapa, dar soco, impedir de sair de casa e obrigar a fazer sexo. Em levantamento realizado pela Central de Atendimento \u00e0 Mulher (Disque 180), ficou constatado que as crian\u00e7as est\u00e3o diretamente envolvidas nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Dentre as v\u00edtimas ouvidas em 2014, 80% tinham filhos. S\u00f3 que 64,35% presenciaram a viol\u00eancia e 18,74% eram v\u00edtimas diretas junto com as m\u00e3es. Mas do que nunca \u00e9 preciso romper com o silencio. Luiza Brunet foi um exemplo de for\u00e7a e coragem, pois denunciou seu companheiro, rompendo todas as barreiras que esse ato envolve. 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