{"id":29192,"date":"2016-08-02T22:09:47","date_gmt":"2016-08-03T01:09:47","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=29192"},"modified":"2016-08-02T22:09:47","modified_gmt":"2016-08-03T01:09:47","slug":"uma-sombra-cruzou-o-olhar-da-professora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/uma-sombra-cruzou-o-olhar-da-professora\/","title":{"rendered":"Uma sombra cruzou o olhar da professora"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>*Percival Puggina<\/p>\n<p>Enquanto seu interlocutor falava, ela o observava atentamente. Momentos antes o interrogara sobre se, sendo soci\u00f3logo, seria poss\u00edvel graduar-se sem conhecer as obras de Karl Marx, Max Weber e \u00c9mile Durkheim.<\/p>\n<p>Bem, o leitor deve estar se perguntando onde transcorria esse di\u00e1logo. Vamos a isso, ent\u00e3o, antes de interpretarmos a sombra no olhar da professora. Era o programa Entre Aspas, transmitido pela Globo News na ter\u00e7a-feira 26 de julho. A jornalista M\u00f4nica Waldvogel convidara o soci\u00f3logo Thiago Cortes e a professora uspiana Lisete Arelaro para externarem opini\u00f5es a respeito do projeto Escola Sem Partido, concebido pelo movimento com o mesmo nome. O soci\u00f3logo falava pelo projeto e a professora em sentido contr\u00e1rio. O palpitante tema, como se sabe, mobiliza parcela da opini\u00e3o p\u00fablica nacional e se expressa assim: &#8220;Pode ou n\u00e3o a lei, deve ela ou n\u00e3o, impor limites \u00e0 influ\u00eancia pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e partid\u00e1ria do professor da rede p\u00fablica em sala de aula?&#8221;. O movimento Escola Sem Partido e a Constitui\u00e7\u00e3o Federal afirmam que sim. Os professores que est\u00e3o industriosamente dedicados a essa tarefa, sustentam que n\u00e3o.<br \/>\nO debate sobre o tema tem servido para formar pilhas e pilhas de relatos sobre demasias praticadas em todos os n\u00edveis do nosso sistema de ensino p\u00fablico e privado. De modo monocrom\u00e1tico, os abusos incluem materiais did\u00e1ticos mistificadores, aulas panflet\u00e1rias e conte\u00fados apresentados com o intuito de ocultar o conhecimento. Como salientou Olavo de Carvalho em recente artigo, \u00e9 um tipo de ensino que procura manter, do contradit\u00f3rio, dist\u00e2ncia equivalente \u00e0 que separa o diabo da cruz. N\u00e3o satisfeito com a tapea\u00e7\u00e3o, chega \u00e0s ridicularias. H\u00e1 professores que, no estilo cubano, iniciam as aulas com proclama\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Outros se permitem suspender as atividades para conduzir alunos a manifesta\u00e7\u00f5es promovidas pela esquerda. E creiam &#8211; h\u00e1 um v\u00eddeo no YouYube! -, certa professora faz a turma dan\u00e7ar cantando uma besteira na qual Karl Marx \u00e9 apresentado como mix de funkeiro, Gabriel Pensador e Marilena Chau\u00ed. H\u00e1 quem deixe a vergonha no cabide da sala de professores.<br \/>\nA pedagoga da USP, por\u00e9m, estava convencida de que a milit\u00e2ncia de seus colegas era o pr\u00f3prio pluralismo pedag\u00f3gico e de que ensinar marxismo era a mais nobre e generosa tarefa a que um educador poderia se dedicar. Na sua perspectiva, por certo, os incontorn\u00e1veis fracassos das experi\u00eancias marxistas s\u00e3o consequ\u00eancias de um d\u00e9ficit de marxismo e se resolvem com mais Karl Marx.<br \/>\nVoltemos \u00e0 cena descrita no in\u00edcio deste artigo. A professora perguntara ao soci\u00f3logo sobre a import\u00e2ncia dos tr\u00eas autores que mencionara. Ele confirmou e explicou, com clareza e limpidez, que o problema n\u00e3o estava em apresent\u00e1-los, mas em sonegar aos alunos o conhecimento e a pr\u00f3pria exist\u00eancia de expoentes do pensamento n\u00e3o marxista, como Edmund Burke, Roger Scruton, Michael Oakeshott e Russell Kirk. Foi a\u00ed que &#8211; zaz! A professora franziu o cenho, sua fisionomia sombreou e acenderam-me as d\u00favidas. Tamb\u00e9m dela haviam ocultado esses autores? Ou, ao contr\u00e1rio, estava ela confirmando a si mesma que tais nomes deveriam ser impronunci\u00e1veis em sala de aula? Ou ainda: como sair dessa?<br \/>\nCom as indica\u00e7\u00f5es acima voc\u00ea localiza o v\u00eddeo da Globo News atrav\u00e9s do Google.<\/p>\n<p>Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, \u00e9 arquiteto, empres\u00e1rio e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no pa\u00eds. Autor de Cr\u00f4nicas contra o totalitarismo; Cuba, a trag\u00e9dia da utopia; Pombas e Gavi\u00f5es; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Percival Puggina Enquanto seu interlocutor falava, ela o observava atentamente. 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