{"id":32827,"date":"2016-10-04T19:33:54","date_gmt":"2016-10-04T22:33:54","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=32827"},"modified":"2016-10-04T19:33:54","modified_gmt":"2016-10-04T22:33:54","slug":"rio-grande-do-sul-a-gotham-city-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/rio-grande-do-sul-a-gotham-city-brasileira\/","title":{"rendered":"Rio Grande do Sul, a Gotham City brasileira"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>*Por Marco Ant\u00f4nio Barbosa<\/p>\n<p>Na semana passada, uma fac\u00e7\u00e3o criminosa soltou um manifesto pedindo limites para a viol\u00eancia que toma conta do Rio Grande do Sul. A carta aberta, assinada por presos de dentro de tr\u00eas pres\u00eddios diferentes do estado, mostra preocupa\u00e7\u00e3o com o rumo que a disputa de grupos rivais por espa\u00e7o est\u00e1 tomando. Este posicionamento da criminalidade &#8211; que parece mais sa\u00eddo de um filme &#8211; \u00e9 a triste e preocupante realidade vivida pela popula\u00e7\u00e3o ga\u00facha.<br \/>\nA aus\u00eancia do Estado \u00e9 a oportunidade para o crime se instalar e disseminar a sensa\u00e7\u00e3o de poder e de impunidade. Os governantes est\u00e3o de m\u00e3os atadas devido a crise financeira que afeta a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica h\u00e1 d\u00e9cadas e que agora reflete na seguran\u00e7a.<br \/>\nSem dinheiro para pagar servidores p\u00fablicos e contratar efetivo e estrutura para as pol\u00edcias do estado, a viol\u00eancia explode. Segundo a Funda\u00e7\u00e3o de Economia e Estat\u00edstica (FEE), o Produto Interno Bruto do Rio Grande do Sul recuou 4,3% no primeiro trimestre deste ano em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. Em contrapartida, a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica divulgou que os homic\u00eddios aumentaram 6% e os de latroc\u00ednios (roubo seguido de morte) cresceram 34% no primeiro semestre de 2016.<br \/>\nEsta escalada da criminalidade tamb\u00e9m cria sensa\u00e7\u00e3o de abandono, que transforma o estado em \u2018terra sem lei\u2019 e, neste caso, cada um tem a sua pr\u00f3pria justi\u00e7a. Um suspeito de roubo ter a m\u00e3o cortada pela popula\u00e7\u00e3o, como foi noticiado amplamente, \u00e9 a demonstra\u00e7\u00e3o clara de que os justiceiros tamb\u00e9m ganham for\u00e7a com a aus\u00eancia do Estado. A barb\u00e1rie \u00e9 tanta que at\u00e9 o crime organizado pediu um \u2018basta\u2019 por meio de manifesto.<br \/>\nEste cen\u00e1rio lembra Gotham City, a cidade fict\u00edcia dos quadrinhos e filmes do Batman. Esque\u00e7a toda a parte surreal da fic\u00e7\u00e3o e vamos para a discuss\u00e3o tratada na hist\u00f3ria. No momento em que o governo n\u00e3o consegue conter mais a m\u00e1fia local, surgem justiceiros, de todos os lados. Coringa ou Batman. Todos surgem da aus\u00eancia do Estado, que n\u00e3o consegue manter a ordem. Eles fazem suas pr\u00f3prias leis, julgando criminosos ou v\u00edtimas da maneira que bem entendem. Mesmo com a vit\u00f3ria constante do Batman \u2013 protagonista da trama &#8211; o estado continua fraco e os grupos de criminosos mudam somente de nome. Vence a batalha, mas nunca a guerra.<br \/>\nVoltemos ao mundo real, pois nem nos quadrinhos os pap\u00e9is foram t\u00e3o invertidos como no Rio Grande do Sul, onde o estado assiste at\u00f4nito, enquanto o crime organizado tenta frear a viol\u00eancia. A lei e as for\u00e7as policiais existem para fazer com que a sociedade viva em paz, com cada cidad\u00e3o respeitando a liberdade do outro. A legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 um consenso e um padr\u00e3o de conv\u00edvio para a sociedade. Sem lei, sem limites. Se um acha que matar algu\u00e9m por ser contrariado \u00e9 o correto, quem dir\u00e1 que n\u00e3o \u00e9? Quem impedir\u00e1?<br \/>\nEm curto prazo, o que poderia ser feito, foi. A For\u00e7a Nacional foi chamada para aumentar as a\u00e7\u00f5es e impedir o avan\u00e7o da criminalidade. Mas isso \u00e9 apenas um paliativo e precisa vir acompanhado de planejamento. Assim como as finan\u00e7as de uma casa, \u00e9 preciso alinhar as contas, gastar menos do que entra. N\u00e3o adianta aumentar taxas e impostos sem planejamento. \u00c9 exatamente o que vem sendo feito nas \u00faltimas d\u00e9cadas e n\u00e3o surtiu efeito algum. A conta precisa fechar no fim do m\u00eas e \u00e9 preciso economizar para ter como investir em infraestrutura e intelig\u00eancia para pol\u00edcia, fortalecer a legisla\u00e7\u00e3o vigente e, especialmente educar a popula\u00e7\u00e3o. Quanto mais educa\u00e7\u00e3o, mais oportunidades de emprego, mais instru\u00e7\u00e3o do certo ou errado e mais o Estado se far\u00e1 presente.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe um Batman que ir\u00e1 surgir e resolver o problema da criminalidade. A situa\u00e7\u00e3o chegou ao que est\u00e1 hoje por muitos anos de m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o existe uma f\u00f3rmula m\u00e1gica que consertar\u00e1 tudo da noite para o dia. Nem em Gotham isso funcionou. \u00c9 preciso muito trabalho para que no futuro n\u00e3o recebamos mais cartas improv\u00e1veis que parecem mais sa\u00eddas de um filme hollywoodiano.<\/p>\n<p>*Marco Ant\u00f4nio Barbosa \u00e9 especialista em seguran\u00e7a e diretor da CAME do Brasil. Possui mestrado em administra\u00e7\u00e3o de empresas, MBA em finan\u00e7as e diversas p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas de marketing e neg\u00f3cios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Marco Ant\u00f4nio Barbosa Na semana passada, uma fac\u00e7\u00e3o criminosa soltou um manifesto pedindo limites para a viol\u00eancia que toma conta do Rio Grande do Sul. A carta aberta, assinada por presos de dentro de tr\u00eas pres\u00eddios diferentes do estado, mostra preocupa\u00e7\u00e3o com o rumo que a disputa de grupos rivais por espa\u00e7o est\u00e1 tomando. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-32827","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32827","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32827"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32827\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32828,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32827\/revisions\/32828"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32827"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32827"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32827"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}