{"id":33081,"date":"2016-10-07T22:45:21","date_gmt":"2016-10-08T01:45:21","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=33081"},"modified":"2016-10-07T22:45:21","modified_gmt":"2016-10-08T01:45:21","slug":"oucam-as-criancas-sobre-o-ensino-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/oucam-as-criancas-sobre-o-ensino-no-brasil\/","title":{"rendered":"Ou\u00e7am as crian\u00e7as sobre o ensino no Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>*Cristovam Buarque<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/161007-H42.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-33082 alignleft\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/161007-H42-300x203.jpg\" alt=\"161007-h42\" width=\"300\" height=\"203\" \/><\/a>Ou\u00e7am as crian\u00e7as, os adolescentes e as vozes que v\u00eam do futuro. Os alunos brasileiros est\u00e3o h\u00e1 anos gritando o horror como eles percebem o ensino m\u00e9dio: gritam ao abandonarem a escola e gritam tirando 3,7 no Ideb. E o Brasil de hoje n\u00e3o ouve nem atenta para as tr\u00e1gicas consequ\u00eancias disso para o futuro. A escala Ideb mede futuros terremotos sociais e econ\u00f4micos.<br \/>\nSeus \u00faltimos resultados mostram a cat\u00e1strofe que amea\u00e7a o futuro do pa\u00eds e de seus futuros adultos. Depois de quase 30 anos de democracia, 13 de governos de esquerda ao redor do PT, o ensino m\u00e9dio brasileiro carrega duas fal\u00eancias: a brutal evas\u00e3o de alunos e o baix\u00edssimo n\u00edvel no Ideb. A medida provis\u00f3ria que prop\u00f5e a reforma do ensino m\u00e9dio deve ser bem recebida por trazer urg\u00eancia e ser uma resposta \u00e0 cat\u00e1strofe nessa fase educacional.<br \/>\nMesmo sabendo que ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para construir a escola com a mesma elevada qualidade para pobres e ricos em todas as cidades, traz uma primeira evolu\u00e7\u00e3o ao ouvir o aluno na defini\u00e7\u00e3o de sua grade de disciplinas. Uma das causas da evas\u00e3o est\u00e1 na desconsidera\u00e7\u00e3o da diversidade vocacional dos estudantes para escolher as disciplinas que lhe agradam.<br \/>\nOs pioneiros da educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 80 anos, e Paulo Freire, h\u00e1 50, defendiam que a escola precisa respeitar o aluno. Para eles, a escola deve ser libert\u00e1ria, e n\u00e3o uma pris\u00e3o. A imposi\u00e7\u00e3o de disciplinas \u00e9 uma forma de palmat\u00f3ria intelectual. A escola tem que estar ao gosto do aluno. Ele pensa, tem personalidade, alma, deve ter voz. O governo tem de ofertar todas as alternativas, mas o aluno deve ter o direito de escolher a sua demanda.<br \/>\nNo mundo moderno, com o n\u00edvel de informa\u00e7\u00e3o de que os adolescentes disp\u00f5em e as possibilidades pedag\u00f3gicas e gerenciais que as novas tecnologias oferecem \u00e0 escola, \u00e9 poss\u00edvel compor um menu conforme a voca\u00e7\u00e3o, o talento ou o simples gosto de cada aluno. Os temas gerais, que s\u00e3o importantes para a forma\u00e7\u00e3o deles, devem ser oferecidos sob a forma de atividades como debates filos\u00f3ficos semanais sobre temas da realidade, exposi\u00e7\u00f5es de artes pl\u00e1sticas, participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, jogos e pr\u00e1ticas esportivas, publica\u00e7\u00e3o e recitais de poesia e m\u00fasica.<br \/>\nA Lei 13.006\/2014, de minha autoria, por exemplo, obriga a oferta de cinema nas escolas, mas n\u00e3o obriga o aluno a assistir aos filmes. Junto com a flexibilidade na forma\u00e7\u00e3o da grade curricular, a medida provis\u00f3ria determina a oferta de cursos profissionalizantes que, al\u00e9m de fazerem o ensino m\u00e9dio mais atraente para o aluno, lhe d\u00e1 uma habilidade profissional que hoje ele n\u00e3o recebe.<br \/>\nContando com a necess\u00e1ria e adequada infraestrutura, o est\u00edmulo \u00e0 ado\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio integral, formulado h\u00e1 30 anos por Darcy Ribeiro no Rio de Janeiro, com os Cieps, torna poss\u00edvel um avan\u00e7o na qualidade do ensino m\u00e9dio. A MP 746 ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente, mas \u00e9 necess\u00e1ria e positiva. Ainda est\u00e1 longe de iniciarmos uma revolu\u00e7\u00e3o, mas estamos fazendo uma evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>*Cristovam Buarque \u00e9 senador pelo PPS-DF.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Cristovam Buarque Ou\u00e7am as crian\u00e7as, os adolescentes e as vozes que v\u00eam do futuro. 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Mesmo sabendo que ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para construir a escola com a mesma elevada qualidade para pobres e ricos em todas as cidades, traz uma primeira evolu\u00e7\u00e3o ao ouvir o aluno na defini\u00e7\u00e3o de sua grade de disciplinas. Uma das causas da evas\u00e3o est\u00e1 na desconsidera\u00e7\u00e3o da diversidade vocacional dos estudantes para escolher as disciplinas que lhe agradam. Os pioneiros da educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 80 anos, e Paulo Freire, h\u00e1 50, defendiam que a escola precisa respeitar o aluno. Para eles, a escola deve ser libert\u00e1ria, e n\u00e3o uma pris\u00e3o. A imposi\u00e7\u00e3o de disciplinas \u00e9 uma forma de palmat\u00f3ria intelectual. A escola tem que estar ao gosto do aluno. Ele pensa, tem personalidade, alma, deve ter voz. O governo tem de ofertar todas as alternativas, mas o aluno deve ter o direito de escolher a sua demanda. 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