{"id":37603,"date":"2016-12-28T20:53:31","date_gmt":"2016-12-28T22:53:31","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=37603"},"modified":"2016-12-28T20:53:31","modified_gmt":"2016-12-28T22:53:31","slug":"vacilaram-e-cairam-na-rede-da-lava-jato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/vacilaram-e-cairam-na-rede-da-lava-jato\/","title":{"rendered":"Vacilaram e ca\u00edram na rede da Lava Jato"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<figure id=\"attachment_37599\" aria-describedby=\"caption-attachment-37599\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/161228-H21.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-37599\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/161228-H21-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-37599\" class=\"wp-caption-text\">Marcelo Odebrecht, ex-presidente da maior empreiteira do Pa\u00eds, tamb\u00e9m \u2018escorregou\u2019 e foi fisgado pela Federal<br \/>Foto: Arquivo\/Gisele Pimenta\/Frame<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em tempos de telefones criptografados e aplicativos de autodestrui\u00e7\u00e3o de torpedos a complicar a vida de investigadores, alguns dos alvos da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, a maior investiga\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do Pa\u00eds, foram pegos porque vacilaram na tarefa de esconder os crimes dos quais s\u00e3o acusados. Houve quem fizesse prova contra si em depoimento, entregasse o c\u00famplice por mensagem e at\u00e9 deixasse que as c\u00e2meras de seguran\u00e7a instaladas em casa gravassem o pr\u00f3prio flagrante.<br \/>\nOs pequenos, mas decisivos deslizes contribu\u00edram para implicar Marcelo Odebrecht, ex-presidente da maior empreiteira do Pa\u00eds, e arrastar 77 executivos para a &#8220;dela\u00e7\u00e3o do fim do mundo&#8221;.<br \/>\nEmbasaram o pedido de pris\u00e3o do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, primeiro a colaborar com os investigadores em troca de redu\u00e7\u00e3o de penas. Tamb\u00e9m permitiram a identifica\u00e7\u00e3o do doleiro Alberto Youssef, cujo esquema, mais tarde confessado por ele, lavava dinheiro sujo para dezenas de pol\u00edticos e empres\u00e1rios brasileiros. At\u00e9 Antonio Palocci, ministro forte das eras Lula e Dilma, caiu na rede dos investigadores porque um dia, sem imaginar as consequ\u00eancias, algu\u00e9m bobeou e escreveu mais do que devesse.<br \/>\n&gt;&gt; Primo? Que Primo? Foi monitorando as liga\u00e7\u00f5es de um BlackBerry do doleiro Adib Charter, dono do Posto da Torre, em Bras\u00edlia, a partir de julho de 2013, que surgiram fortes evid\u00eancias de uma imensa rede de lavagem de dinheiro. Nas liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas, todos chamavam o principal operador do esquema de &#8220;primo&#8221;. Mas, afinal, quem era ele? A dica veio num fat\u00eddico telefonema, no qual um dos investigados se referiu ao personagem misterioso como &#8220;Beto&#8221;.<br \/>\nAo saber da novidade, tr\u00eas delegados correram \u00e0 sala de escutas da Pol\u00edcia Federal, como contou o jornalista Vladimir Netto no livro Lava Jato &#8211; O juiz S\u00e9rgio Moro e os bastidores da Opera\u00e7\u00e3o que abalou o Brasil. Eles n\u00e3o tiveram mais d\u00favidas ao ouvir a voz de &#8220;Beto&#8221;. Era Alberto Youssef, cliente antigo de investiga\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o e que j\u00e1 havia sido grampeado outras vezes.<br \/>\nUm deles, Igor Rom\u00e1rio de Paula, tinha sido controlador de voo e conhecia o falar do doleiro desde que ele voava sobre o Paran\u00e1 com produtos contrabandeados. N\u00e3o fosse aquela liga\u00e7\u00e3o, o desenrolar do maior caso de corrup\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds talvez teria sido outro. O doleiro foi o segundo delator da opera\u00e7\u00e3o. Entregou dezenas de pol\u00edticos e empres\u00e1rios, e detalhou minuciosamente como se desviava dinheiro da Petrobras.<br \/>\nLand Rover blindada entregou Costa<\/p>\n<figure id=\"attachment_37600\" aria-describedby=\"caption-attachment-37600\" style=\"width: 255px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/161228-H22.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-37600\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/161228-H22-255x300.jpg\" alt=\"\" width=\"255\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-37600\" class=\"wp-caption-text\">\u2018Beto\u2019, foi a primeira alcunha de Alberto Youssef no in\u00edcio das investiga\u00e7\u00f5es<br \/>Foto: Arquivo\/PF<\/figcaption><\/figure>\n<p>O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa nem estava entre os primeiros presos da Lava Jato, em 17 de mar\u00e7o de 2014. Aposentado, levava uma vida confort\u00e1vel, e acima de suspeitas, como consultor. Ao &#8220;pescar&#8221; uma nota fiscal de R$ 250 mil na conta de e-mails de Alberto Youssef, a PF descobriu que o ex-dirigente da estatal havia ganhado uma Land Rover blindada do doleiro.<br \/>\nFoi por causa desse primeiro trope\u00e7o que os investigadores pediram mandados de busca e apreens\u00e3o em endere\u00e7os de Paulo Roberto. Um segundo o levaria para a cadeia e para a dela\u00e7\u00e3o premiada. Quando policiais foram vasculhar a Costa Global, empresa que o ex-diretor abrira na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, perguntaram ao chefe de seguran\u00e7a do edif\u00edcio se percebera algo estranho. Assim se descobriu que as duas filhas e os dois genros dele tinham acabado de sair do local, levando bolsas cheias de documentos e dinheiro em esp\u00e9cie.<br \/>\nA opera\u00e7\u00e3o se deu enquanto os policiais buscavam as chaves do escrit\u00f3rio na casa do ex-diretor. A tentativa de ocultar provas foi registrada pelo circuito interno de TV. O flagrante, em v\u00eddeo, foi decisivo para que o juiz S\u00e9rgio Moro, da 13.\u00aa Vara, em Curitiba, mandasse prender Paulo Roberto tr\u00eas dias depois.<br \/>\nAs investiga\u00e7\u00f5es mostraram que n\u00e3o s\u00f3 ele, mas as filhas, os genros e a mulher estavam envolvidos em corrup\u00e7\u00e3o e lavagem de dinheiro. Sob risco de ver toda a fam\u00edlia processada e presa, o ex-diretor fez o primeiro acordo de colabora\u00e7\u00e3o da Lava Jato.<br \/>\n&gt;&gt; Cachorrada &#8211; Policiais interfonaram \u00e0s 6h01 de uma quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015, numa casa da Rua Fala Amendoeira, na Barra da Tijuca, no Rio. Quem atendeu foi L\u00edlia Loureiro Esteves de Jesus, que, ao saber do mandado de busca e apreens\u00e3o, avisou que prenderia os cachorros antes de abrir. Ela n\u00e3o foi ao canil. Encheu um volumoso pacote com dinheiro e pap\u00e9is comprometedores, atravessou o quintal correndo, ultrapassou um obst\u00e1culo pr\u00f3ximo \u00e0 piscina e escapuliu por uma sa\u00edda lateral.<br \/>\nOs agentes da PF j\u00e1 se preparavam para invadir o im\u00f3vel quando, \u00e0s 6h09, o port\u00e3o foi aberto pelo marido de L\u00edlia, Guilherme Esteves de Jesus, suspeito de operar propinas pagas pelo Estaleiro Jurong Aracruz ao ex-diretor da Petrobras Renato Duque e ao ex-gerente executivo Pedro Barusco, ambos da \u00e1rea de Servi\u00e7os.<br \/>\nA &#8220;limpeza&#8221; poderia ter dado certo, n\u00e3o fossem as dificuldades do investigado ao tentar explicar o paradeiro da mulher que atendera \u00e0 campainha. Primeiro disse que s\u00f3 as filhas estavam em casa. Depois alegou que a esposa tamb\u00e9m estava ali, mas n\u00e3o soube precisar em que canto. Houve buscas, infrut\u00edferas, pela desaparecida, at\u00e9 que os policiais descobriram 11 c\u00e2meras de seguran\u00e7a espalhadas pela \u00e1rea externa.<br \/>\nO casal havia se esquecido de apagar as cenas, que registravam a tentativa de esconder provas. Numa delas, Esteves aparece escondido atr\u00e1s de uma moita, conversando com a mulher, antes de ela escapulir pelo port\u00e3o. Os dois acabaram denunciados por crime de embara\u00e7o \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Opera\u00e7\u00e3o Miami, Sinceric\u00eddio e Enigma \u00e0 romana<\/p>\n<p>Enquanto Marcelo Odebrecht era preso no Brasil, em 19 de junho do ano passado, a secret\u00e1ria Maria L\u00facia Guimar\u00e3es Tavares estava em Miami. Havia sido convocada para uma reuni\u00e3o com o executivo Luiz Eduardo Soares, seu chefe no Setor de Opera\u00e7\u00f5es Estruturadas, a &#8220;divis\u00e3o de propinas&#8221; da empreiteira. O objetivo era prestar contas de &#8220;pixulecos&#8221; pagos a pol\u00edticos e agentes p\u00fablicos.<br \/>\n\u00c0quela altura, com a Lava Jato em seu encal\u00e7o, a empresa tentava apagar os registros de que aquele departamento um dia existira. Maria L\u00facia levou consigo pastas com planilhas e codinomes que indicavam os benefici\u00e1rios do esquema.<br \/>\nPoderia ter deixado tudo por l\u00e1, longe das vistas da Pol\u00edcia Federal, mas voltou para o Brasil com o material e o deixou em casa, na Bahia, por oito meses, at\u00e9 que os investigadores bateram \u00e0 sua porta com mandados de pris\u00e3o e de busca e apreens\u00e3o.<br \/>\nEra 22 de fevereiro deste ano, e come\u00e7ava a 23.\u00aa fase da Lava Jato, batizada de Opera\u00e7\u00e3o Acaraj\u00e9. Levada para a cadeia, ela foi a primeira e mais decisiva colaboradora da Odebrecht. Contou o que sabia, levando a c\u00fapula do conglomerado a capitular e partir para a chamada &#8220;dela\u00e7\u00e3o do fim do mundo&#8221;, com 77 executivos.<br \/>\n&gt;&gt; Deputado enrolado &#8211; O deputado An\u00edbal Gomes (PMDB-CE) j\u00e1 estava suficientemente enrolado na teia da Lava Jato quando prestou um depoimento \u00e0 Pol\u00edcia Federal em 27 de agosto do ano passado. Havia sido acusado por Paulo Roberto Costa de lhe oferecer suborno de R$ 800 mil para, quando diretor de Abastecimento da Petrobras, facilitar um acordo que liberou R$ 62 milh\u00f5es para empresas de praticagem (condu\u00e7\u00e3o de navios em portos).<br \/>\nPela intermedia\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio, o deputado teria dividido com tr\u00eas parceiros propina de R$ 6 milh\u00f5es. A oitiva para a PF seguia o script dos advogados at\u00e9 que o congressista cometeu um inesperado sinceric\u00eddio. Admitiu ter recebido de &#8220;amigos&#8221; e &#8220;parentes&#8221; doa\u00e7\u00f5es de R$ 100 mil na campanha de 2014, mas que as declarou \u00e0 Justi\u00e7a eleitoral como sendo dinheiro dele pr\u00f3prio.<br \/>\nJustificou que preferiu oficializar as contribui\u00e7\u00f5es assim porque as quantias eram &#8220;pequenas&#8221;. O tiro no p\u00e9 rendeu piadas de procuradores e uma den\u00fancia a mais contra Gomes, por fraude eleitoral. A acusa\u00e7\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal porque os ministros entenderam que, al\u00e9m da confiss\u00e3o, eram necess\u00e1rias mais provas.<br \/>\nEle n\u00e3o escapou, no entanto, de virar r\u00e9u por corrup\u00e7\u00e3o pelo suposto recebimento de dinheiro das empresas de praticagem. Este m\u00eas, o deputado e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), um de seus principais aliados, foram denunciados por ganhar propina, disfar\u00e7ada de doa\u00e7\u00f5es eleitorais, em troca de viabilizar a contratos da Petrobras com a empreiteira Serveng.<br \/>\n&gt;&gt; Enigma &#8211; A Lava Jato passou meses tentando decifrar os codinomes lan\u00e7ados nas planilhas que discriminavam as propinas da Odebrecht. Primeiro achou ser o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, nascido em G\u00eanova, o &#8220;italiano&#8221; que recolhia milh\u00f5es ilegalmente para o PT. Pista falsa. Foi uma incauta mensagem de 2009, enviada pelo ex-presidente do grupo Marcelo Odebrecht, atualmente preso em Curitiba, ao ent\u00e3o diretor de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, Alexandrino Alencar, o que contribuiu decisivamente para implicar Antonio Palocci.<br \/>\n&#8220;Vc marcou alguma coisa com o Italiano na 2\u00aa? Se n\u00e3o, vou ligar para Brani hoje para tentar marcar&#8221;, escreveu o executivo. Brani era o apelido de Branislav Kontic, principal assessor do ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil nas eras Lula e Dilma.<br \/>\nOdebrecht tamb\u00e9m recorreu ao diminutivo em e-mails enviados diretamente ao auxiliar de Palocci. Ao analisar as comunica\u00e7\u00f5es e outras provas, o juiz S\u00e9rgio Moro se convenceu e mandou Palocci para a cadeia. Foi em 26 de setembro, na Opera\u00e7\u00e3o Omert\u00e0, 35.\u00ba fase da Lava Jato.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de telefones criptografados e aplicativos de autodestrui\u00e7\u00e3o de torpedos a complicar a vida de investigadores, alguns dos alvos da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, a maior investiga\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do Pa\u00eds, foram pegos porque vacilaram na tarefa de esconder os crimes dos quais s\u00e3o acusados. Houve quem fizesse prova contra si em depoimento, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[30,14,31],"tags":[],"class_list":["post-37603","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaques","category-politica","category-principais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37603","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37603"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37603\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37604,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37603\/revisions\/37604"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37603"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37603"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37603"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}