{"id":40984,"date":"2017-02-23T21:30:47","date_gmt":"2017-02-24T00:30:47","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=40984"},"modified":"2017-02-23T21:30:47","modified_gmt":"2017-02-24T00:30:47","slug":"seguranca-em-foco-por-vinicius-cavalcante-2402","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/seguranca-em-foco-por-vinicius-cavalcante-2402\/","title":{"rendered":"Seguran\u00e7a em Foco, por Vin\u00edcius Cavalcante &#8211; 24\/02"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>N\u00e3o precisamos temer as armas nas m\u00e3os certas<br \/>\nPor volta do ano 2000 come\u00e7ou a crescer no Brasil a campanha pelo desarmamento do cidad\u00e3o comum com a justificativa de reduzir os \u00edndices de viol\u00eancia urbana no pa\u00eds. Aprovou-se uma nova e dur\u00edssima legisla\u00e7\u00e3o normativa sob a forma do Estatuto do Desarmamento (ressalte-se que a legisla\u00e7\u00e3o anterior sobre armas de fogo j\u00e1 era considerada excelente), por\u00e9m, a despeito do recolhimento de armas das pessoas de bem e todas restri\u00e7\u00f5es a comercializa\u00e7\u00e3o ao porte de arma por civis a viol\u00eancia promovida pela criminalidade, sobretudo nos grandes centros n\u00e3o deu quaisquer sinais de diminui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEu n\u00e3o vou ser leviano em discutir ci\u00eancia, c\u00e1lculo diferencial e integral, medicina ou f\u00edsica qu\u00e2ntica ou mat\u00e9rias que n\u00e3o conhe\u00e7a profundamente; por\u00e9m como profissional de seguran\u00e7a habitualmente acostumado a lidar com a criminalidade e a viol\u00eancia urbana, particularmente estou certo de que as campanhas movidas at\u00e9 hoje pelo estado brasileiro n\u00e3o atinjam os principais promotores da viol\u00eancia que s\u00e3o os criminosos.<br \/>\nTrabalhei com intelig\u00eancia policial, estudando as armas, muni\u00e7\u00f5es e explosivos da criminalidade, j\u00e1 passei pelos maus momentos de empreender uma troca tiros com ladr\u00f5es, j\u00e1 fui atingido pelos tiros deles e sei (assim como muitos dos profissionais que aparentemente jamais foram ouvidos na elabora\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00f5es como o estatuto do desarmamento) que os fora da lei, por natureza, n\u00e3o se notabilizam por respeitar uma condi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica ou os direitos de terceiros. E uma vez que, com toda a certeza continuar\u00e3o roubando, matando e agendo de forma violenta contra suas v\u00edtimas, muito melhor lhes parecer\u00e1 se as mesmas n\u00e3o mais detiverem armas para reagir.<br \/>\nO Estatuto do Desarmamento foi uma legisla\u00e7\u00e3o que surgiu viciada e completamente dissociada da vontade popular. Embora os seus idealizadores digam que, no processo da elabora\u00e7\u00e3o da Lei houve uma fase de consulta popular, a realidade \u00e9 que o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, de forma acintosamente autorit\u00e1ria, simples e declaradamente s\u00f3 acolheu sugest\u00f5es que fossem restritivas \u00e0 posse e ao emprego das armas por civis. Curioso constatar que tal ato, muito pouco democr\u00e1tico, veio a ocorrer justamente numa \u00e9poca onde supostamente os cidad\u00e3os brasileiros desfrutariam de ampla liberdade e deveriam ter suas opini\u00f5es acolhidas pelo Estado. Ressalte-se, que em plena vig\u00eancia dos governos militares, qualquer cidad\u00e3o, com bons antecedentes, que julgasse oportuno adquirir uma arma para sua defesa e de seus familiares, levava seus documentos diretamente numa grande loja de departamentos, pagava a arma bem como uma pequena taxa de registro e quinze dias depois retornava \u00e0 loja para retirar a sua arma devidamente registrada. Naquela \u00e9poca, armas eram vendidas em grandes lojas de departamento como a Mesbla, a Sears e o Mappin. \u00c9 no m\u00ednimo curioso que, no Brasil, a Ditadura n\u00e3o temesse cidad\u00e3os armados, ao passo que governos declaradamente democr\u00e1ticos tudo fa\u00e7am para agir contra um Direito do cidad\u00e3o que h\u00e1 muito tempo est\u00e1 expresso at\u00e9 no em nossa Constitui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo Artigo 5\u00ba, em seu par\u00e1grafo de n\u00famero quatorze, a Constitui\u00e7\u00e3o Federal reconhece o direito do cidad\u00e3o de possuir armas de fogo. Quando assegura o direito \u00e0 reuni\u00e3o &#8220;pacificamente, sem armas, em locais p\u00fablicos&#8221; o legislador tacitamente reconhece que a posse de armas, pelos mesmos cidad\u00e3os, \u00e9 um Direito. Ressalve-se que o legislador poderia ter escrito que &#8220;todos podem reunir-se pacificamente, sem drogas, sem malas com dinheiro de proced\u00eancia duvidosa e n\u00e3o contabilizado em locais abertos ao p\u00fablico&#8221; por\u00e9m n\u00e3o o fez, certamente por reconhecer que estes s\u00e3o produtos e materiais que a Lei brasileira efetivamente sempre proibiu. No Brasil, faz um bom tempo, de forma muito pouco democr\u00e1tica se vem advogando a favor do recolhimento das armas em poder dos civis \u2013 o que a experi\u00eancia mundial demonstra n\u00e3o ser solu\u00e7\u00e3o para a erradica\u00e7\u00e3o do crime ou mesmo para a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de mortes por arma de fogo \u2013 mas se omite que o cidad\u00e3o se arma para tentar proteger-se da viol\u00eancia que \u00e9 em grande parte motivada pelo tr\u00e1fico de drogas. \u201cN\u00e3o use arma\u201d, \u201cdesarme-se\u201d e \u201cn\u00e3o reaja\u201d s\u00e3o palavras de ordem repetidas e estimuladas por diversas autoridades e pelas ONGs, mais vezes e com muito mais \u00eanfase do que \u201cn\u00e3o fume\u201d e \u201cn\u00e3o cheire\u201d.<br \/>\nSomos excepcionalmente tolerantes com o consumo de drogas, o qual se constitui num aut\u00eantico est\u00edmulo \u00e0 criminalidade e a viol\u00eancia. A sociedade que querem ver completamente desarmada, continua de olhos fechados para o fato de que muitos de nossos pol\u00edticos, \u00eddolos, artistas, atores, intelectuais formadores de opini\u00e3o e at\u00e9 atletas, s\u00e3o usu\u00e1rios de drogas e como clientes fi\u00e9is garantem a ampla superioridade b\u00e9lica do crime. Sou de opini\u00e3o sincera que \u00e0 cada cidad\u00e3o consciente faculta estabelecer por quais meios defender\u00e1 a si e os que lhe s\u00e3o caros. Uma pessoa de bem tem o direito de optar por possuir uma arma para defesa, ali\u00e1s com muito mais legitimidade do que essas outras que reclamam da viol\u00eancia em nossos grandes centros mas continuam a patrocin\u00e1-la da forma mais hip\u00f3crita, fazendo uso recreativo das drogas em suas casas, nos seus encontros sociais etc. Um cidad\u00e3o de ficha limpa deve ter direito \u00e0 posse, bem como ao acesso a portes de arma. Quem quer que possa apresentar uma necessidade real ao estado deve tamb\u00e9m ter condi\u00e7\u00f5es de obter porte de arma.<br \/>\nNuma curiosa contradi\u00e7\u00e3o, alguns daqueles que hoje defendem de forma mais ferrenha o desarmamento do cidad\u00e3o, um dia j\u00e1 justificaram a op\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os pelo recurso da luta armada. Outrora, numa medida extrema, lhes facultou \u201cpegar em armas\u201d para insurgir-se contra um governo do qual n\u00e3o concordavam, por\u00e9m as medidas cuja ado\u00e7\u00e3o hoje prop\u00f5e asseguram que tal \u201cdireito humano\u201d (em \u00faltima inst\u00e2ncia um direito de defesa) n\u00e3o possa ser exercido no futuro. Ali\u00e1s, sempre desvinculando-se dos reles mortais, os pol\u00edticos, ju\u00edzes, promotores e fiscais da receita asseguraram para si o direito de portar armas, como se o t\u00edtulo (ou o cargo) lhes realmente conferisse a qualifica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para faz\u00ea-lo. Basta uma simples leitura de quaisquer dos nossos peri\u00f3dicos favoritos para constatar que a pol\u00edcia n\u00e3o pode estar em todo lugar quando necessitamos e estou certo de que devamos estar capacitados para, em casos extremos, podermos lutar por nossas vidas e de nossos entes queridos.<br \/>\nAo contr\u00e1rio do que se convencionou alegar ultimamente no Brasil, o emprego de armas de fogo para a defesa ainda \u00e9 um recurso amplamente v\u00e1lido. e n\u00e3o h\u00e1 estat\u00edsticas confi\u00e1veis de combates com armas onde o cidad\u00e3o se saiu vitorioso, apenas porque os cidad\u00e3os simplesmente se abst\u00e9m de procurar as autoridades para assumir os feitos dessa natureza! Na imprecis\u00e3o dos n\u00fameros que n\u00e3o existem e que s\u00e3o inventados ao sabor daquilo que se queira provar, ainda hoje se dep\u00f5e contra a intelig\u00eancia do cidad\u00e3o afirmando que mant\u00ea-lo desarmado vai concorrer para sua maior seguran\u00e7a.<br \/>\nH\u00e1 quem afirme que se as medidas de desarmamento servirem para salvar uma, dez ou cem vidas j\u00e1 ter\u00e1 valido \u00e0 pena; por\u00e9m n\u00e3o se usa a mesma l\u00f3gica no que se refere \u00e0 posse de armas: se as armas nas m\u00e3os do cidad\u00e3o servirem para salvar uma, dez ou cem vidas tamb\u00e9m haveria de se constituir numa justificativa para manuten\u00e7\u00e3o de um DIREITO do cidad\u00e3o! Quem sofre a viol\u00eancia nas ruas, sabe que precisamos mudar a voga e fazer com que os criminosos temam, e n\u00e3o os cidad\u00e3os de bem! N\u00e3o h\u00e1 justificativas para que se tema as armas nas m\u00e3os certas e Brasil precisa mudar essa legisla\u00e7\u00e3o que, na verdade, s\u00f3 foi mesmo ben\u00e9fica para os amigos do alheiro!<\/p>\n<p>VINICIUS DOMINGUES CAVALCANTE, CPP, o autor, Consultor em Seguran\u00e7a, Diretor da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Profissionais de Seguran\u00e7a \u2013 ABSEG \u2013 no Rio de Janeiro e membro do Conselho Empresarial de Seguran\u00e7a P\u00fablica da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro. E-mail: vdcsecurity@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o precisamos temer as armas nas m\u00e3os certas Por volta do ano 2000 come\u00e7ou a crescer no Brasil a campanha pelo desarmamento do cidad\u00e3o comum com a justificativa de reduzir os \u00edndices de viol\u00eancia urbana no pa\u00eds. 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