{"id":47601,"date":"2017-05-10T21:05:38","date_gmt":"2017-05-11T00:05:38","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=47601"},"modified":"2017-05-10T21:05:38","modified_gmt":"2017-05-11T00:05:38","slug":"como-acabar-como-uma-cpi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/como-acabar-como-uma-cpi\/","title":{"rendered":"Como acabar como uma CPI?"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>*Anthony Garotinho<\/p>\n<p>Tenho vivo em minha mente o dia em que apresentei, \u00e0 CPI do Cachoeira, den\u00fancias envolvendo o ent\u00e3o governador S\u00e9rgio Cabral e Fernando Cavendish, ex-dono da empresa Delta. Na ocasi\u00e3o, levantei uma s\u00e9rie de perguntas sobre essa prom\u00edscua rela\u00e7\u00e3o. Meu intuito era que elas fossem entregues aos membros da comiss\u00e3o que investigava as liga\u00e7\u00f5es do bicheiro Carlinhos Cachoeira com o empreiteiro, amigo de Cabral.<br \/>\nUma vez que meu partido indicou outro deputado como membro da comiss\u00e3o, apesar da minha insist\u00eancia em ser eu o indicado, resolvi explodir, ao meu modo, o esquema montado para abafar o envolvimento nas irregularidades de Claudio Abreu, o ent\u00e3o diretor da Delta na regi\u00e3o Centro-Oeste.<br \/>\nPassei uma nota para a imprensa revelando a viagem de Cavendish ao exterior com os membros da CPI. Eles jantaram, como sempre, em Paris. Em repres\u00e1lia, come\u00e7aram a me detonar, dizendo que eu queria transformar uma situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica local (minhas diverg\u00eancias pol\u00edticas com Cabral) numa investiga\u00e7\u00e3o nacional.<br \/>\nEra justamente o contr\u00e1rio. Escolhi o diretor do Centro-Oeste porque n\u00e3o afetaria Cabral diretamente e, sim, os governadores Marconi Perillo, de Goi\u00e1s, e Agnelo Queiroz, que, \u00e0 \u00e9poca, estava \u00e0 frente do Distrito Federal.<br \/>\nN\u00e3o teve jeito.<br \/>\nFui chamado para uma conversa com os membros da CPI. E eles foram claros. Disseram que n\u00e3o dava para explodir todo mundo; se a CPI continuasse, iria atingir governos federal, estaduais e municipais. Foi, ent\u00e3o, que eu respondi: \u201cbem, essa \u00e9 uma decis\u00e3o de voc\u00eas; se n\u00e3o falo aqui, denunciarei na tribuna e no meu blog\u201d.<br \/>\nNaquela tarde, fiz um discurso dur\u00edssimo na tribuna da C\u00e2mara, fato que deixou o ex-deputado Eduardo Cunha, quase um advogado da Delta, preocupad\u00edssimo. Veio, ent\u00e3o, o famoso SMS que desmoralizaria de vez a CPI. O ex-petista Vacarezza diria a Cabral: \u201cN\u00e3o se preocupe; voc\u00ea \u00e9 nosso, e n\u00f3s somos teu\u201d.<br \/>\nO pr\u00f3ximo passo foi a estrat\u00e9gia de sempre. Envolveram todo mundo, que \u00e9 o melhor modo de um proteger o outro. Quando chegaram \u00e0 CPI as quebras dos sigilos telef\u00f4nicos de Cavendish com o mundo pol\u00edtico, um deputado me disse: \u201cAgora, a In\u00eas \u00e9 morta\u201d. Repliquei: \u201cCoitada da In\u00eas, j\u00e1 morreu e nem sabia. S\u00f3 que a CPI morreu primeiro\u201d.<br \/>\nO Brasil \u00e9 sempre assim: quando a investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 disparada contra muitos alvos, acaba n\u00e3o atingindo nenhum. Ali\u00e1s, Cavendish \u00e9 um mist\u00e9rio: apesar de tudo que se sabe sobre ele, tudo que fez, as pessoas que corrompeu, est\u00e1 em pris\u00e3o domiciliar, mesmo sem ter feito dela\u00e7\u00e3o premiada.<br \/>\nAfinal, o que ser\u00e1 que Cavendish sabe e n\u00e3o querem que ele diga?<\/p>\n<p>*Anthony Garotinho \u00e9 ex-prefeito de Campos, ex-deputado federal e ex-governador do Rio de Janeiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Anthony Garotinho Tenho vivo em minha mente o dia em que apresentei, \u00e0 CPI do Cachoeira, den\u00fancias envolvendo o ent\u00e3o governador S\u00e9rgio Cabral e Fernando Cavendish, ex-dono da empresa Delta. Na ocasi\u00e3o, levantei uma s\u00e9rie de perguntas sobre essa prom\u00edscua rela\u00e7\u00e3o. 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