{"id":52816,"date":"2017-07-04T20:35:44","date_gmt":"2017-07-04T23:35:44","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=52816"},"modified":"2017-07-04T20:35:44","modified_gmt":"2017-07-04T23:35:44","slug":"o-freio-nos-cartoes-de-credito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/o-freio-nos-cartoes-de-credito\/","title":{"rendered":"O freio nos cart\u00f5es de cr\u00e9dito"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>*Roberto Macedo<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-52817 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/170704-H42-300x173.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"173\" \/>O que mudou desde o \u00faltimo m\u00eas de abril foi principalmente o chamado cr\u00e9dito rotativo, o de uma pessoa que n\u00e3o paga a fatura total, assim acumulando um d\u00e9bito para as faturas seguintes. Agora, esse rotativo \u00e9 s\u00f3 por um m\u00eas. Quando chegar o extrato seguinte, o saldo remanescente e seus juros e encargos dever\u00e3o ser pagos na totalidade, ou financiados com o banco que administra a cobran\u00e7a do cart\u00e3o.<br \/>\nA fatura que recebi de um cart\u00e3o em maio oferecia esse rotativo, por um m\u00eas, \u00e0 tradicionalmente alt\u00edssima taxa de 17,33%(!) ao m\u00eas ou 598,67% (!) ao ano. Tamb\u00e9m oferecia o parcelamento em 6, 12 ou 18 parcelas, a juros bem mais baixos, de 4,39% ao m\u00eas, o que em um ano equivaleria a 67,46%, aproximadamente a do cr\u00e9dito pessoal ou do cr\u00e9dito direto ao consumidor.<br \/>\nNoutro cart\u00e3o, o rotativo de um m\u00eas foi oferecido a uma taxa ainda mais absurda: 706,86% ao ano. E veio tamb\u00e9m a oferta de um parcelamento a juros de 193,26% ao ano, bem mais alta do que o caso anterior, com o interessado pagando uma entrada e entre 2 e 23 parcelas adicionais, com d\u00e9bito na fatura do cart\u00e3o. Nessa modalidade, a pessoa \u201copta por financiar o valor total da fatura j\u00e1 fechada e n\u00e3o poder\u00e1 incluir os valores j\u00e1 lan\u00e7ados na sua pr\u00f3xima fatura; o limite do seu cart\u00e3o ficar\u00e1 bloqueado at\u00e9 o valor do financiamento e \u00e0 medida que as parcelas forem pagas, seu limite ser\u00e1 liberado.\u201d Entendi que \u00e9 financiamento pelo cart\u00e3o, e n\u00e3o pelo banco, a uma taxa ainda muito alta, mas n\u00e3o tanto como a do rotativo de um m\u00eas.<br \/>\nNo banco desse mesmo cart\u00e3o tamb\u00e9m foi ofertado o parcelamento mediante d\u00e9bito em conta. Segundo o banco, a pessoa \u00e9 quem \u201cescolhe o valor que quer financiar, podendo parcelar o total da sua fatura j\u00e1 fechada e at\u00e9 mesmo os valores que j\u00e1 est\u00e3o lan\u00e7ados na sua pr\u00f3xima fatura\u201d. \u00c9 preciso \u201cpossuir limite de cr\u00e9dito direto ao consumidor dispon\u00edvel\u201d, e poder\u00e1 dividir o valor em duas a 36 parcelas, com car\u00eancia de 30 a 59 dias. A taxa de juros cai com o prazo de financiamento, de 3,69% ao m\u00eas para duas presta\u00e7\u00f5es, para 5,63% ao m\u00eas para 36 presta\u00e7\u00f5es.<br \/>\nMinha conclus\u00e3o: 1) ainda que s\u00f3 por um m\u00eas, a alternativa do cr\u00e9dito rotativo continua sendo oferecida \u00e0s absurdas taxas anteriores e jamais deveria ser tomado; 2) h\u00e1 essa alternativa de financiamento na fatura pelo pr\u00f3prio cart\u00e3o, que no segundo banco \u00e9 a uma taxa ainda muito alta, embora menos da metade da taxa do rotativo; 3) a possibilidade de financiar o d\u00e9bito no pr\u00f3prio banco leva a taxas bem mais baixas, mas ainda elevadas relativamente ao cr\u00e9dito consignado, que fica em torno de 2% ao m\u00eas.<br \/>\nQuem tenha d\u00edvidas de cart\u00f5es deve liquid\u00e1-las usando o consignado, se n\u00e3o puder fazer isso usando recursos pr\u00f3prios. Mas a melhor op\u00e7\u00e3o continua a de pagar o total da fatura no vencimento e n\u00e3o fazer nenhuma d\u00edvida no cart\u00e3o, exceto as compras \u201csem juros\u201d ou com juros predeterminados. Aspas porque, em geral, sempre h\u00e1 juros nas compras a prazo, escondidos nos pre\u00e7os dos produtos.<br \/>\nE para quem n\u00e3o tem patrim\u00f4nio penhor\u00e1vel, outra alternativa \u00e9 deixar vencer e buscar o pagamento mediante negocia\u00e7\u00f5es ou em feir\u00f5es de d\u00edvidas. Os descontos costumam ser muito altos.<br \/>\nVoltando \u00e0s compras \u201csem juros\u201d no cart\u00e3o, veio outra novidade, que ser\u00e1 abordada num pr\u00f3ximo artigo. Quando conclu\u00eda este, soube que no \u00faltimo dia 26 o presidente Temer sancionou lei que \u201c\u2026 permite aos comerciantes diferenciar a cobran\u00e7a de pre\u00e7os para pagamento \u00e0 vista e a cr\u00e9dito. A mudan\u00e7a, que \u00e9 prerrogativa dos comerciantes, ou seja, pode ou n\u00e3o ser adotada\u2026 o com\u00e9rcio n\u00e3o tinha autoriza\u00e7\u00e3o legal para cobrar valores menores em pre\u00e7os \u00e0 vista.\u201d<br \/>\nSempre entendi que essa proibi\u00e7\u00e3o era absurda. Como as operadoras de cart\u00f5es cobravam juros dos comerciantes, esse juro era transferido aos pre\u00e7os em preju\u00edzo de quem tinha condi\u00e7\u00f5es de pagar \u00e0 vista.<br \/>\nVale notar que a lei citada veio de convers\u00e3o, a essa forma, de medida provis\u00f3ria publicada no dia 27 de dezembro do ano passado, mas n\u00e3o a vi aplicada nas lojas, embora tenha passado apenas por umas poucas desde ent\u00e3o. No processo de convers\u00e3o foi adicionada a regra de que \u201cos comerciantes informem em local vis\u00edvel sua pol\u00edtica de descontos\u201d.<br \/>\nEm s\u00edntese, as mudan\u00e7as no cart\u00e3o de cr\u00e9dito restringiram bastante o uso do rotativo e as alternativas s\u00e3o menos ruins do que ele. J\u00e1 a lei que diferencia pre\u00e7os \u00e0 vista \u00e9 um avan\u00e7o de alcance mais amplo, j\u00e1 que poder\u00e1 favorecer consumidores em geral. Como outras leis, entretanto, ser\u00e1 preciso saber se vai funcionar. Algu\u00e9m j\u00e1 disse que no Brasil as leis s\u00e3o como vacinas: algumas \u201cpegam\u201d, outras n\u00e3o.<\/p>\n<p>*Roberto Macedo \u00e9 economista, professor e consultor e foi secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Roberto Macedo O que mudou desde o \u00faltimo m\u00eas de abril foi principalmente o chamado cr\u00e9dito rotativo, o de uma pessoa que n\u00e3o paga a fatura total, assim acumulando um d\u00e9bito para as faturas seguintes. Agora, esse rotativo \u00e9 s\u00f3 por um m\u00eas. 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