{"id":53154,"date":"2017-07-07T10:39:12","date_gmt":"2017-07-07T13:39:12","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=53154"},"modified":"2017-07-07T10:39:12","modified_gmt":"2017-07-07T13:39:12","slug":"mae-de-vanessa-volta-a-casa-onde-a-filha-foi-assassinada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/mae-de-vanessa-volta-a-casa-onde-a-filha-foi-assassinada\/","title":{"rendered":"M\u00e3e de Vanessa volta \u00e0 casa onde a filha foi assassinada"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-53155 alignleft\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/h1-14-300x201.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" \/>Dez metros quadrados: sala, cozinha e quarto, divididos por cinco pessoas. Ao lado da porta de entrada, a mochila rosa de princesa ainda estava l\u00e1, lembrando que Vanessa morou naquela casa a vida toda. Na \u00faltima ter\u00e7a-feira, a menina, de 10 anos, chegou da escola, deixou a bolsa ali e se virou para colocar os chinelos e sair. Na soleira, um tiro de fuzil acertou sua testa. Ontem, Adriana Maria dos Santos, de 29 anos, voltou, pela primeira vez ap\u00f3s a morte da filha, ao im\u00f3vel, na Rua Maranh\u00e3o, na Boca do Mato, Complexo do Lins. E decidiu que \u00e9 imposs\u00edvel continuar vivendo naquele lugar.<\/p>\n<p>\u201cMoro aqui h\u00e1 16 anos. Criei meus filhos aqui, mas n\u00e3o d\u00e1 para ficar. A Vanessa nasceu e cresceu aqui. Mas estou com medo. Estava sepultando a minha filha e, quando voltei, os policiais estavam aqui. O que queriam? Estou assustada. Quero sair daqui o mais r\u00e1pido poss\u00edvel\u201d, disse Adriana, com seus pertences j\u00e1 numa bolsa.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, ela, seu atual marido e os outros dois filhos deixaram o local rumo \u00e0 casa de parentes. Bonecas, roupas e outros objetos, como as provas de Matem\u00e1tica e de L\u00edngua Portuguesa de Vanessa, ficaram na casa.<\/p>\n<p>Seis marcas de tiros na parede da sala fazem Adriana imaginar a cena que n\u00e3o presenciou. A faxineira estava trabalhando no momento em que pelo menos quatro policiais da UPP Camarista-M\u00e9ier estiveram no local e, segundo a vers\u00e3o apresentada por eles \u00e0 Corregedoria da PM, trocaram tiros com um bandido que se escondia dentro do im\u00f3vel. O subcomandante da UPP foi baleado no ombro.<\/p>\n<p>Para a \u00fanica moradora da favela que foi testemunha do crime, o tiro de um dos policiais acertou a menina. A mulher, que ter\u00e1 o nome preservado, \u00e9 parente de Vanessa. Horas ap\u00f3s o assassinato, ela prestou depoimento na Divis\u00e3o de Homic\u00eddios (DH), que investiga o caso.<\/p>\n<p>\u201cEla estava na porta. E eu a uns dois metros de dist\u00e2ncia dela. Um dos policiais disse que ia entrar na casa. N\u00e3o pediu permiss\u00e3o, simplesmente entrou. Outros tr\u00eas ficaram do lado de fora. Nesse momento, n\u00e3o tinha tiroteio. Eles n\u00e3o tiraram a menina dali, n\u00e3o pediram para ela sair. De repente, ouvi tiros de dentro da casa e pulei para me proteger. Quando me virei, a Vanessa j\u00e1 estava morta\u201d, explicou a testemunha, pisando na marca de sangue ressecado que ficou em frente \u00e0 casa.<\/p>\n<p>No enterro de Vanessa, o pai, Leandro Monteiro de Matos, de 39 anos \u2014 que se separou de Adriana e se mudou do Complexo do Lins \u2014 lamentava n\u00e3o ter vivido mais ao lado da filha.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tive tempo nem de saber quais eram os sonhos dela\u201d, desabafou o pedreiro.<\/p>\n<p>A m\u00e3e da menina n\u00e3o saiu do lado do caix\u00e3o branco durante o cortejo. Acompanharam o vel\u00f3rio e o enterro moradores da favela, parentes e colegas de escola de Vanessa. Nenhuma autoridade compareceu ao sepultamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dez metros quadrados: sala, cozinha e quarto, divididos por cinco pessoas. Ao lado da porta de entrada, a mochila rosa de princesa ainda estava l\u00e1, lembrando que Vanessa morou naquela casa a vida toda. 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