{"id":53509,"date":"2017-07-11T21:35:42","date_gmt":"2017-07-12T00:35:42","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=53509"},"modified":"2017-07-11T21:35:42","modified_gmt":"2017-07-12T00:35:42","slug":"a-ditadura-dos-bancos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/a-ditadura-dos-bancos\/","title":{"rendered":"A ditadura dos bancos"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>*Jos\u00e9 Maria Couto Moreira<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o \u00e9 melhor que as outras (ditaduras), nem a civil nem a militar, talvez a mais cruel de todas, porque ningu\u00e9m que \u00e9 alcan\u00e7ado por ela cessa de sofrer seus golpes e seus rigores. Quem se vincula obrigacionalmente a um banco \u00e9 (merece conforto) um torturado. A tortura come\u00e7a com um sorriso do torturado, que festeja o cr\u00e9dito em sua conta. A partir da\u00ed, inicia seu calv\u00e1rio, sem o perceber, mas, \u00e0 medida que v\u00e3o se vencendo as presta\u00e7\u00f5es, j\u00e1 absurda e imoralmente engordadas com juros calculadamente usur\u00e1rios, o infeliz devedor j\u00e1 est\u00e1 no c\u00edrculo de fogo, em que assiste os pre\u00e7os sempre com n\u00fameros novos e as obriga\u00e7\u00f5es no sentido de reduzir seu j\u00e1 pequeno espa\u00e7o nas manobras de sobreviv\u00eancia. Seja na fartura, seja na escassez, os bancos jamais perdem. Os jogadores em bolsa sabem disto.<br \/>\nPor\u00e9m, o status que os bancos hoje assumiram (com a coniv\u00eancia ou mesmo cumplicidade do governo), \u00e9 algo de estarrecer. O poder dos bancos \u00e9 de tal ordem que estas entidades anunciam escancaradamente juros de at\u00e9 900 % ao ano. Isto \u00e9 um espanto, fen\u00f4meno mesmo surreal, enquanto amargamos uma infla\u00e7\u00e3o mentirosa, a todo dia revendedores reprecificando mercadorias de primeira necessidade.<br \/>\nO pior desta ocorr\u00eancia danosa ao povo e ao nosso crescimento, visto que com taxas desta express\u00e3o matem\u00e1tica n\u00e3o surgem empreendedores estimulados a desafiar a economia, os clientes ou tomadores n\u00e3o tem com quem se encontrar, porque os bancos perderam a cara. No Brasil do \u201came-o ou deixe-o\u201d, \u00e9poca de incontest\u00e1veis avan\u00e7os na infraestrutura do pa\u00eds, os mineiros se lembram bem de que aquele que desejava iniciar um com\u00e9rcio ou atividade produtiva sabia a quem se dirigir, e era uma alian\u00e7a de pulso e cora\u00e7\u00e3o do interlocutor e do banqueiro com um s\u00f3 prop\u00f3sito. Pulso tranquilo e cora\u00e7\u00e3o aberto quando, em Minas, se dirigiam ao Banco Nacional para falar com o Dr. Magalh\u00e3es Pinto, sempre aberto ao di\u00e1logo, ou ao Banco Mineiro do Oeste para visitar o Jo\u00e3o do Nascimento Pires (de t\u00e3o bom trato que se foi com a alcunha carinhosa de Jo\u00e3zinho mam\u00e3e) ou, ainda, quem preferisse o Banco do Com\u00e9rcio e Ind\u00fastria de Minas Gerais, onde se encontrava com seu af\u00e1vel fundador Ruy de Castro Magalh\u00e3es. Hoje, nada nem parecido. Os interesses daquela era convergiam patrioticamente, esse o segredo. Coube a Magalh\u00e3es Pinto inaugurar no mercado financeiro o cr\u00e9dito pessoal, que revolucionou o meio banc\u00e1rio, mais uma certeza de que aqueles financistas propagavam progressos e mudan\u00e7as acreditando no homem. Hoje, gerente de ag\u00eancia n\u00e3o \u00e9 mais que preposto da institui\u00e7\u00e3o, e est\u00e1 ali, apenas, para garantir ordem nos trabalhos e informar o que manda o sistema. \u00c9 assim, o sistema \u00e9 o gerent\u00e3o, e \u00e9 ele que avalia, nega ou autoriza uma transa\u00e7\u00e3o, por m\u00ednima que seja. O gerent\u00e3o ocupou, ainda n\u00e3o a cadeira, mas o comando geral da institui\u00e7\u00e3o. A inform\u00e1tica chegou para que os bancos mais redu\u00e7\u00e3o de seus custos consiga obter, e menos gente possa empregar, e n\u00e3o medir constrangimentos ao cobrar maxi-taxas pelas opera\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias e interbanc\u00e1rias. E n\u00e3o h\u00e1 para quem apelar. Se o gerent\u00e3o negou ou debitou vai ficar por isto mesmo.<br \/>\nSabe-se que a taxa de juros \u00e9 uma engenharia complexa, concebida a partir, principalmente, de circunst\u00e2ncias externas, especialmente as ocorridas nos Estados Unidos. Contudo, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o t\u00e9cnica ou l\u00f3gica para que alcancem as alturas, como ora praticadas. Este processo \u00e9 de lesa-p\u00e1tria, atrasa nosso desenvolvimento e empobrece pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas. Ora, porque juros razo\u00e1veis n\u00e3o s\u00e3o adotados para que os empreendedores ajam com um m\u00ednimo de risco ? \u00c9 com eles que o Brasil vai certamente encontrar seu grande destino.<\/p>\n<p>*Jos\u00e9 Maria Couto Moreira \u00e9 advogado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Jos\u00e9 Maria Couto Moreira Ela n\u00e3o \u00e9 melhor que as outras (ditaduras), nem a civil nem a militar, talvez a mais cruel de todas, porque ningu\u00e9m que \u00e9 alcan\u00e7ado por ela cessa de sofrer seus golpes e seus rigores. Quem se vincula obrigacionalmente a um banco \u00e9 (merece conforto) um torturado. 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