{"id":56881,"date":"2017-08-14T22:09:19","date_gmt":"2017-08-15T01:09:19","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=56881"},"modified":"2017-08-14T22:09:19","modified_gmt":"2017-08-15T01:09:19","slug":"dias-de-hoje-por-adriano-dias-1508","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/dias-de-hoje-por-adriano-dias-1508\/","title":{"rendered":"Dias de Hoje, por Adriano Dias &#8211; 15\/08"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>Paz com voz<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-56882 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/170814-DIAS-DE-HOJE-300x207.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"207\" \/>Temos geralmente refer\u00eancias negativas quando se fala na hist\u00f3ria das pessoas da Baixada Fluminense. Assim como o Brasil reconhece seus her\u00f3is, aqueles que de verdade foram para as guerras, at\u00e9 aqueles que nos atos mais simpl\u00f3rios, conseguem mudar conjunturas. Sem contra argumentos, a Baixada passou a adotar como refer\u00eancia pessoas como Ten\u00f3rio Cavalcanti, o &#8220;Homem da Capa Preta&#8221;, criminoso que controlava Duque de Caxias pela viol\u00eancia e explora\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria. Outro exemplo o personagem fict\u00edcio &#8220;m\u00e3o branca&#8221;, que era usado por policiais para dificultar Investiga\u00e7\u00f5es quando come\u00e7ou a repress\u00e3o aos grupos de exterm\u00ednio que atuavam na Baixada.<br \/>\nNos anos mais duros da repress\u00e3o na Baixada Fluminense, poucos teriam a for\u00e7a de erguer a voz contra poderosos e perpetradores de viol\u00eancia que se associaram com a ditadura civil-militar a fim de promover controle social atrav\u00e9s da viol\u00eancia. Uma destas vozes, acredito a principal, foi o Bispo Dom Adriano Hyp\u00f3lito. Seguindo as novas diretrizes da igreja ap\u00f3s o &#8216;Conc\u00edlio Vaticano Segundo&#8217; fez op\u00e7\u00e3o pelos pobres e oprimidos da regi\u00e3o. A diocese de Nova Igua\u00e7u assim como a Diocese de Duque de Caxias, e a Mitra Diocesana de Barra do Pira\u00ed e Volta Redonda, foram o ber\u00e7o e a retaguarda e de milhares de militantes e movimentos sociais nestes anos dif\u00edceis.<br \/>\nPor conta de sua op\u00e7\u00e3o pela defesa dos direitos humanos. A Diocese de Nova Igua\u00e7u foi atacada com amea\u00e7as, picha\u00e7\u00f5es, reprodu\u00e7\u00e3o de falsa de seus jornais e at\u00e9 sofreu um atentado a bomba no Sacr\u00e1rio da Catedral de Santo Ant\u00f4nio. Dom Adriano foi caluniado e sequestrado, foi v\u00e1rias vezes amea\u00e7ado de morte e chegou a ser aconselhado, at\u00e9 por superiores, a deixar a Baixada, mas Dom Adriano resistiu. &#8220;Eu n\u00e3o ia dar esse gosto aos meus sequestradores. O sequestro, n\u00e3o tenho d\u00favidas, foi organizado por militares da linha-dura, mas o inqu\u00e9rito jamais apontou respons\u00e1veis. Fui encapuzado, algemado e levado num carro, que passou pelo menos duas vezes pela Vila Militar. Tiraram minha roupa e, depois de me baterem, me pintaram com um spray vermelho, sempre me acusando de ser comunista. Eu estava preparado para morrer, mas, como eles mesmos disseram, foi s\u00f3 uma li\u00e7\u00e3o&#8221; &#8211; contou dom Adriano Hyp\u00f3lito, em entrevista ao GLOBO publicada na edi\u00e7\u00e3o de 13 de novembro de 1994. A finalidade era desconstruir sua imagem como l\u00edder human\u00edstico e religioso. Dom Adriano tamb\u00e9m teve seu fusca foi levado at\u00e9 as proximidades da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no bairro da Gloria, e explodido.<br \/>\nEm nossos anos de milit\u00e2ncia, encontramos pelo Brasil dezenas de pessoas que tiveram na Baixada Fluminense, em um per\u00edodo em que as refer\u00eancias negativas eram ainda mais fortes, a acolhida pela Igreja Cat\u00f3lica, pelos movimentos sociais e principalmente pela for\u00e7a de do Adriano.<br \/>\nPor outro lado, realizamos v\u00e1rias homenagens \u00e0 Dom Adriano, pois muito nos entristece perceber que, principalmente para os mais jovens, ainda sua hist\u00f3ria e figura \u00e9 desconhecida.<br \/>\nNeste m\u00eas de agosto, completou 21 anos que a Baixada perdeu um dos seus maiores pastores. Aqueles que, como disse Gilney Vianna (ex-guerrilheiro que foi acolhido por Dom Adriano), &#8220;era um exemplo muito mais pelo que fazia do que pelo que falava. Era o pastor que andava com suas ovelhas mesmo na adversidade&#8221;.<br \/>\nDon Adriano \u00e9 a refer\u00eancia da luta e daqueles que vencem sem necessariamente optar pela guerra. Nada mais justo que tenhamos em sua imagem o nosso \u00edcone de refer\u00eancia positiva para luta para uma Baixada de paz e com respeito aos direitos humanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paz com voz Temos geralmente refer\u00eancias negativas quando se fala na hist\u00f3ria das pessoas da Baixada Fluminense. Assim como o Brasil reconhece seus her\u00f3is, aqueles que de verdade foram para as guerras, at\u00e9 aqueles que nos atos mais simpl\u00f3rios, conseguem mudar conjunturas. 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