{"id":58732,"date":"2017-08-31T21:40:37","date_gmt":"2017-09-01T00:40:37","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=58732"},"modified":"2017-08-31T21:40:37","modified_gmt":"2017-09-01T00:40:37","slug":"se-o-comunismo-conseguiu-manter-na-miseria-metade-da-alemanha-durante-44-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/se-o-comunismo-conseguiu-manter-na-miseria-metade-da-alemanha-durante-44-anos\/","title":{"rendered":"Se o comunismo conseguiu manter na  mis\u00e9ria metade da Alemanha durante 44 anos&#8230;"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>*Percival Puggina<\/p>\n<p>Os venezuelanos pedem socorro. N\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o todos. L\u00e1, como em quaisquer regimes totalit\u00e1rios, gra\u00e7as \u00e0 f\u00e9 doentia nas lideran\u00e7as revolucion\u00e1rias ou aos favores que recebe ou espera receber do Estado, parte consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 alinhada com a ditadura. Os que a ela resistem se defrontam com as for\u00e7as militares e com as mil\u00edcias armadas pelo regime.<br \/>\nPobre povo venezuelano! Foge pelas fronteiras e conta mortos nas ruas. Tudo se passou como se uma velha garrafa jogada do malec\u00f3n habanero em meados do s\u00e9culo passado, houvesse atravessado o Mar das Cara\u00edbas, arribado no pedregoso litoral venezuelano e ali se quebrado, espargindo uma torrente de maldi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s que se abateram sobre Cuba. Sim, porque quase tudo na Venezuela segue o funesto ritual cubano: crescentes restri\u00e7\u00f5es \u00e0s liberdades pol\u00edticas, manipula\u00e7\u00f5es eleitorais, cerceamento da oposi\u00e7\u00e3o e pris\u00e3o de dissidentes, intervencionismo estatal, tabelamento de pre\u00e7os, sucateamento do parque produtivo, escassez. E, desde 2013, a vers\u00e3o bolivariana, eletr\u00f4nica, da libreta de racionamento. Quando esta come\u00e7ou em Cuba, no ano de 1963, foi muito mal recebida pela popula\u00e7\u00e3o. Era uma forma de proporcionar, a um povo que empobreceu rapidamente ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o, alimento subsidiado em quantidades m\u00ednimas. Passados 54 anos, o Estado cubano continua se apropriando da totalidade da renda nacional e remunerando a popula\u00e7\u00e3o em servid\u00e3o com sal\u00e1rios mensais que apenas compram tr\u00eas quilos de leite em p\u00f3. A libreta se adelga\u00e7ou a menos da metade do conte\u00fado original, mas os cubanos reagem \u00e0s propostas para extingui-la, porque &#8220;con la libreta nadie puede vivir, pero sin la libreta hay mucha gente que no puede vivir&#8221;.<br \/>\nDiferentemente de Cuba, a Venezuela era rica, petroleira, membro da OPEP. O comunismo, que afundou a economia cubana em tr\u00eas anos, levou 17 para arruinar o pa\u00eds. Mas nada \u00e9 imposs\u00edvel a esse ogro pol\u00edtico-ideol\u00f3gico. Se o comunismo conseguiu manter na mis\u00e9ria metade da Alemanha durante 44 anos, n\u00e3o seria uma republiqueta bolivariana que haveria de resistir a seu poder de destrui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOs venezuelanos est\u00e3o famintos. Mat\u00e9ria da United Press International em fevereiro deste ano informou sobre uma pesquisa desenvolvida por tr\u00eas universidades venezuelanas (Universidade Central da Venezuela, Universidade Cat\u00f3lica Andr\u00e9s Bello e Universidade Sim\u00e3o Bol\u00edvar). Os resultados foram assustadores! Em meio \u00e0 crise de alimentos e medicamentos, a popula\u00e7\u00e3o perde peso em propor\u00e7\u00f5es alarmantes. Um milh\u00e3o de estudantes abandonaram a escola.<br \/>\nPor qu\u00ea? Blackouts, greves, fome. A renda de 82,8% dos venezuelanos os classifica como em estado de pobreza. O FMI estima que a infla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds atingir\u00e1 1600% no corrente ano e a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica da ONU para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe avalia uma redu\u00e7\u00e3o de 4% no PIB nacional.<br \/>\nMat\u00e9ria do El Nacional do dia 16 de agosto passado mostra que se repete na Venezuela um fen\u00f4meno generalizado no comunismo: at\u00e9 as vacas param de dar leite e a popula\u00e7\u00e3o apela para \u00e9guas e cabras. A falta desse produto agrava a mortalidade infantil por desnutri\u00e7\u00e3o e doen\u00e7as digestivas.<br \/>\nNesse cen\u00e1rio \u00e9 impositivo perguntar: para onde se deve mover a sensibilidade de uma pessoa com senso de justi\u00e7a e humanidade? Claramente, \u00e9 o sofrimento da popula\u00e7\u00e3o que nos deve condoer. Em inst\u00e2ncia mais remota, ser\u00e1 a ru\u00edna de um pa\u00eds vizinho e sua trag\u00e9dia perante a hist\u00f3ria. Mas, para isso, \u00e9 preciso ter senso de justi\u00e7a e humanidade. Os dirigentes e militantes dos nossos partidos de esquerda (PT, PCdoB e PSOL) olham para a realidade venezuelana e, entre o sofrimento da popula\u00e7\u00e3o sob seu governo comunista, ficam com o governo, apoiando-o para que ponha mais lenha no braseiro do inferno que criou.<\/p>\n<p>*Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, \u00e9 arquiteto, empres\u00e1rio e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no pa\u00eds. Autor de Cr\u00f4nicas contra o totalitarismo; Cuba, a trag\u00e9dia da utopia; Pombas e Gavi\u00f5es; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Percival Puggina Os venezuelanos pedem socorro. N\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o todos. 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