{"id":63142,"date":"2017-10-17T10:49:45","date_gmt":"2017-10-17T12:49:45","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=63142"},"modified":"2017-10-17T10:49:45","modified_gmt":"2017-10-17T12:49:45","slug":"moradores-continuam-em-clima-de-tensao-na-rocinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/moradores-continuam-em-clima-de-tensao-na-rocinha\/","title":{"rendered":"Moradores continuam em clima de tens\u00e3o na Rocinha"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<figure id=\"attachment_63143\" aria-describedby=\"caption-attachment-63143\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-63143\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/h5-1-300x130.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"130\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-63143\" class=\"wp-caption-text\"><em>Desde que a &#8220;guerra&#8221; pelo controle do tr\u00e1fico come\u00e7ou, a favela se tornou alvo de opera\u00e7\u00f5es policiais constantes<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 um m\u00eas, moradores da Rocinha, na Zona Sul do Rio, eram acordados com os sons de uma guerra: disparos cortavam o sil\u00eancio. Nas ruas e vielas da comunidade, dezenas de bandidos armados com fuzis e pistolas se movimentavam, sem se inibirem com os agentes da Unidade de Pol\u00edcia Pacificadora (UPP). Era o &#8220;bonde&#8221; de Ant\u00f4nio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, que tentava expulsar o ex-c\u00famplice do traficante, Rog\u00e9rio Avelino da Silva, o Rog\u00e9rio 157, da favela.<\/p>\n<p>Nem \u2014 que cumpre pena num pres\u00eddio federal em Porto Velho \u2014 n\u00e3o conseguiu o que queria e Rog\u00e9rio, depois do golpe, acabou trocando de fac\u00e7\u00e3o: saiu da Amigo dos Amigos (ADA), grupo criminoso do ex-c\u00famplice, e buscou refor\u00e7os no Comando Vermelho (CV). Desde ent\u00e3o, a Rocinha est\u00e1 dividida entre as duas fac\u00e7\u00f5es. Na parte baixa, a ADA continua no controle do tr\u00e1fico. Na parte alta,\u00a0o CV j\u00e1 tomou as bocas de fumo.<\/p>\n<p>Imprensados entre a disputa entre os bandos rivais, est\u00e3o os moradores \u2014 mais de 69 mil, segundo Censo do IBGE de 2010, e 100 mil, de acordo com o Censo das Favelas, realizado pelo governo do estado. Desde o in\u00edcio da guerra, eles perderam com o fim de servi\u00e7os e ganharam uma companhia constante: o medo.<\/p>\n<p>\u201cMeu pavor \u00e9 de chegar num ponto em que j\u00e1 vivemos antes da chegada da UPP: o de ficar na rua, sem conseguir ir para casa ao chegar do trabalho, por causa de tiroteio\u201d, contou um morador.<\/p>\n<p>Na \u00faltima semana, a ag\u00eancia da Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF) da comunidade\u00a0suspendeu suas atividades\u00a0por causa da viol\u00eancia na regi\u00e3o. Quando os tiroteios s\u00e3o constantes, caixas eletr\u00f4nicos deixam de ser abastecidos e reparos de emerg\u00eancia, como os de transformadores de energia atingidos por tiros, n\u00e3o s\u00e3o feitos por falta de seguran\u00e7a para as equipes da concession\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cA sensa\u00e7\u00e3o que a gente fica \u00e9 de abandono, n\u00e9? Ficar no escuro por dois, tr\u00eas dias n\u00e3o \u00e9 mole, n\u00e3o. Tem dia que, se tiver tiro, o motot\u00e1xi n\u00e3o funciona, nem os \u00f4nibus escolares. Escolas fecham e o posto de sa\u00fade, tamb\u00e9m. Fica todo mundo sem ter como se locomover. Os bandidos est\u00e3o a\u00ed soltos e a gente preso, sem o direito de ir e vir\u201d, disse outro morador.<\/p>\n<p>A Rocinha foi a 28\u00aa na cidade a receber uma Unidade de Pol\u00edcia Pacificadora (UPP), em setembro de 2012. Antes da ocupa\u00e7\u00e3o, a favela viveu per\u00edodos de tens\u00e3o e viol\u00eancia, que culminaram com a tentativa de fuga e pris\u00e3o de Nem, em novembro de 2011.<\/p>\n<p>Opera\u00e7\u00f5es di\u00e1rias da PM<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Militar come\u00e7ou a atuar na Rocinha no dia seguinte \u00e0 invas\u00e3o. Desde ent\u00e3o, a corpora\u00e7\u00e3o tem feito incurs\u00f5es di\u00e1rias na comunidade. Atualmente, s\u00e3o 550 homens de batalh\u00f5es e de Unidades de Pol\u00edcia Pacificadoras (UPPs) que patrulham n\u00e3o s\u00f3 a favela como tamb\u00e9m a Autoestrada Lagoa-Barra.<\/p>\n<p>No \u00faltimo balan\u00e7o divulgado pela corpora\u00e7\u00e3o, at\u00e9 as 18h desta segunda-feira a a\u00e7\u00e3o j\u00e1 somava dez mortos (segundo a PM, todos com envolvimento em crimes); 27 presos; sete menores detidos; e 19 fuzis, tr\u00eas submetralhadoras, cinco espingardas, 21 pistolas, 39 granadas e mais de duas toneladas de drogas apreendidos.<\/p>\n<p>As For\u00e7as Armadas foram acionadas para atuar na Rocinha, o que aconteceu em tr\u00eas momentos: entre os dias 22 e 29 de setembro; e em a\u00e7\u00f5es pontuais nos dias 10 e 11 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>Autoestrada fechada e p\u00e2nico na passarela<\/p>\n<p>Em 22 de setembro, a guerra da Rocinha teve seu\u00a0segundo epis\u00f3dio mais violento\u00a0desde a invas\u00e3o, cinco dias antes. A Autoestrada Lagoa-Barra teve que ser fechada por cerca de quatro horas. essoas que cruzavam a passarela sobre a via expressa, perto do T\u00fanel Zuzu Angel, em S\u00e3o Conrado, se jogaram no ch\u00e3o para se proteger dos disparos. Houve p\u00e2nico e correria. Um \u00f4nibus foi\u00a0incendiado\u00a0na orla de S\u00e3o Conrado. A base da UPP, localizada na Rua 2, foi atacada a tiros.<\/p>\n<p>A intensa troca de tiros havia come\u00e7ado durante uma opera\u00e7\u00e3o do Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia de Choque (BPChq). Em meio aos disparos, um grupo tamb\u00e9m ateou fogo em objetos que foram jogados na pista da autoestrada, tamb\u00e9m pr\u00f3ximo ao Zuzu Angel. Perto dessa barricada, foi deixada uma granada que n\u00e3o explodiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um m\u00eas, moradores da Rocinha, na Zona Sul do Rio, eram acordados com os sons de uma guerra: disparos cortavam o sil\u00eancio. 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