{"id":73125,"date":"2018-02-05T21:12:53","date_gmt":"2018-02-05T23:12:53","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=73125"},"modified":"2018-02-05T21:12:53","modified_gmt":"2018-02-05T23:12:53","slug":"dias-de-hoje-por-adriano-dias-06-02","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/dias-de-hoje-por-adriano-dias-06-02\/","title":{"rendered":"DIAS DE HOJE, por Adriano Dias &#8211; 06\/02"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>S\u00f3 uma estupradinha de leve<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-73126 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/180205-DIAS-DE-HOJE-300x147.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"147\" srcset=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/180205-DIAS-DE-HOJE-300x147.jpg 300w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/180205-DIAS-DE-HOJE.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>N\u00e3o \u00e9 in\u00e9dito o entendimento que a constru\u00e7\u00e3o da masculinidade est\u00e1 ligada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e vice-versa. Como se explica que cerca de 95% dos crimes letais do mundo s\u00e3o executados por homens? As mulheres tamb\u00e9m cometem crimes, mas esta quest\u00e3o \u00e9 chave. N\u00e3o tem como n\u00f3s tratarmos das viol\u00eancias sem tratarmos a desestrutura\u00e7\u00e3o da masculinidade como inerente a agressividade.<\/p>\n<p>Existe um entendimento social que, passa a ser homem aquele que se faz amea\u00e7ador, o &#8220;brabo&#8221; que n\u00e3o leva desaforo para casa e que tem mais &#8220;f\u00eameas&#8221;. Na adolesc\u00eancia e juventude isso toma contornos assustadores em uma sociedade em que a visibilidade do indiv\u00edduo est\u00e1 baseada em sua capacidade de consumo. Mas, se todos os jovens homens n\u00e3o podem comprar o que lhes d\u00e1 destaque entre os outros, como ser\u00e3o notados? Pela viol\u00eancia. Esta \u00faltima tamb\u00e9m usada muitas vezes para se obter a o desejado &#8216;poder de ser vis\u00edvel&#8217; pela ostenta\u00e7\u00e3o de bens.<\/p>\n<p>Se o consumo n\u00e3o \u00e9 de acesso para todos &#8211; principalmente entre os jovens mais pobres dos territ\u00f3rios socialmente perif\u00e9ricos, como a Baixada Fluminense &#8211; a sedu\u00e7\u00e3o das din\u00e2micas da pratica do crime, seja do consumo de subst\u00e2ncias elencadas ao hall do proibicionismo, ou l\u00edcitas como o \u00e1lcool \u00e9 o recurso que lhes \u00e9 apresentado como forma de se destacarem. Salientemos a Catuaba, tema de outra m\u00fasica que inspirou esta reflex\u00e3o. Cabe-nos a todo custo buscar reconhecer e fortalecer outras din\u00e2micas de valor, pois tamb\u00e9m pelas virtudes estes jovens podem ser vis\u00edveis.<\/p>\n<p>Acredito que est\u00e1 na potencializa\u00e7\u00e3o de cada indiv\u00edduo, tornando-o capaz de encontrar o olhar do outro atento, reverente em seu m\u00e9rito, a solu\u00e7\u00e3o mais barata &#8211; em recursos e vidas &#8211; para come\u00e7armos a desmontar o espiral de viol\u00eancia que normatiza e glorifica determinadas pr\u00e1ticas. N\u00e3o custa t\u00e3o caro. Sim, exige recursos e investimentos, n\u00e3o bilion\u00e1rios como da \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica, mas tem que ter delicadeza e vontade de potencializar valores. Ou seja, boa vontade. Para que a v\u00edtima de uma cultura de viol\u00eancia hoje, n\u00e3o seja o futuro perpetrador dos abusos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 nenhum conceito novo que a cultura e o esporte s\u00e3o os instrumentos principais que propiciam a grande experi\u00eancia de reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o. Paralelo, fazer da educa\u00e7\u00e3o um setor atrativo, n\u00e3o punitivo, atrav\u00e9s de repensar as pedagogias alinhadas as novas, e agora mais acess\u00edveis, tecnologias.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a proposta \u00e9 chegar ao fundo desta juventude que n\u00e3o tem acesso a valores culturais e educativos, invis\u00edveis perdidos neste vazio, no \u00f3cio, e buscar oferecer uma oportunidade na cria\u00e7\u00e3o. Contr\u00e1rio a isso, com o acesso a meios de produ\u00e7\u00e3o e veicula\u00e7\u00e3o, os valores da cultura de viol\u00eancia \u00e9 que trazem a t\u00e3o desejada visibilidade, nem que seja pela pol\u00eamica e promo\u00e7\u00e3o da viola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Baixada Fluminense sofre uma viola\u00e7\u00e3o que parece legitimar a pol\u00edtica de zona de exclus\u00e3o e o preconceito regional. Alinhada a uma das manifesta\u00e7\u00f5es mais graves da desigualdade no Brasil, que se d\u00e1 pelo n\u00e3o no acesso \u00e0 Justi\u00e7a. Temos assim a situa\u00e7\u00e3o perfeita para &#8220;s\u00f3 uma estupradinha e deixa na pista&#8221;. Cidades como Nova Igua\u00e7u, que tem uma Delegacia de Defesa da Mulher que atende h\u00e1 v\u00e1rios munic\u00edpios da regi\u00e3o, lidera o ranking de viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Na nossa experi\u00eancia no movimento social, testemunhamos os outros sofrimentos de mulheres v\u00edtimas de abuso sexual e que foram novamente violentadas no tratamento das delegacias de pol\u00edcia e nos F\u00f3runs.<\/p>\n<p>Destaco que a livre pratica sexual \u00e9 direito de todas as pessoas, sem nenhum moralismo. Mas, considerando a conjuntura e o p\u00fablico alvo da m\u00fasica que inspirou este texto, est\u00e1 resumida no artigo 286 do C\u00f3digo Penal que trata sobre apologia ao crime.<\/p>\n<p>&#8211; Adriano Dias \u00e9 fundador da ComCausa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00f3 uma estupradinha de leve N\u00e3o \u00e9 in\u00e9dito o entendimento que a constru\u00e7\u00e3o da masculinidade est\u00e1 ligada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e vice-versa. Como se explica que cerca de 95% dos crimes letais do mundo s\u00e3o executados por homens? As mulheres tamb\u00e9m cometem crimes, mas esta quest\u00e3o \u00e9 chave. 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