{"id":77539,"date":"2018-04-17T08:10:17","date_gmt":"2018-04-17T11:10:17","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=77539"},"modified":"2018-04-17T08:10:17","modified_gmt":"2018-04-17T11:10:17","slug":"dona-ivone-lara-morre-aos-97-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/dona-ivone-lara-morre-aos-97-anos\/","title":{"rendered":"Dona Ivone Lara morre aos 97 anos"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<figure id=\"attachment_77540\" aria-describedby=\"caption-attachment-77540\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-77540\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/h1-25-300x201.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" srcset=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/h1-25-300x201.jpg 300w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/h1-25.jpg 448w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-77540\" class=\"wp-caption-text\">Dona Ivone Lara, considerada a &#8216;Rainha do Samba&#8217;, morreu de insufici\u00eancia cardiorrespirat\u00f3ria Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>A cantora e compositora, Dona Ivone Lara, morreu na noite desta segunda-feira, na Coordena\u00e7\u00e3o de Emerg\u00eancia Regional (CER) Leblon, Zona Sul do Rio. Ela sofreu uma parada cardiorrespirat\u00f3ria. A sambista estava internada desde a \u00faltima sexta-feira \u2014 dia em que completou 97 anos \u2014 quando deu entrada com quadro de anemia, e estava no Centro de Terapia Intensiva (CTI). Na tarde desta segunda-feira, o quadro de sa\u00fade piorou. Em agosto de 2017, a sambista esteve internada no mesmo hospital, com crise de hipoglicemia.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da madrugada desta ter\u00e7a-feira, parentes da sambista ainda estavam no hospital. Um deles era o filho de Dona Ivone Lara, Alfredo Lara da Costa, de 67 anos. Abalado com a partida da m\u00e3e, ele fez quest\u00e3o de ressaltar o legado deixado por ela.<\/p>\n<p>\u2014 Minha m\u00e3e foi uma mulher valente e corajosa. Nos passou muita coisa boa e, gra\u00e7as a Deus, deixou uma obra maravilhosa. Todos gostavam dela &#8211; disse Alfredo, que, emocionado, acrescentou: &#8211; Ela viveu muito bem. No princ\u00edpio, a vida da minha m\u00e3e foi sacrif\u00edcio. Mas tinha a m\u00fasica, era o que mais gostava. Ela foi muito feliz. Eu tenho muito orgulho. A fam\u00edlia est\u00e1 sofrendo muito. Mas ela ela foi com uma certa idade. Faz muita falta. Mas s\u00f3 fez o bem. O legado dela fica para sempre.<\/p>\n<p>A nora de Dona Ivone Lara tamb\u00e9m estava no local. Eliana Lara Martins da Costa, de 67 anos, contou que conhece dona Ivone Lara desde sua juventude e que a considerava uma m\u00e3e.<\/p>\n<p>\u2014 Eu tive n\u00e3o uma sogra, mas uma outra m\u00e3e, junto com a minha biol\u00f3gica. Sempre foi muito minha amiga. Estou muito triste. Era o doce da fam\u00edlia. Uma pessoa gentil, n\u00e3o tinha defeitos. Ensinou muito a todos n\u00f3s, principalmente as crian\u00e7as, que hoje j\u00e1 est\u00e3o crescidas. S\u00e3o apaixonados por ela. N\u00e3o sei como vai ser, porque os netos eram a coisa mais querida para ela \u2014 lamentou a nora da sambista.<\/p>\n<p>Dona Ivone Lara deixa tr\u00eas netos, nora e o filho ca\u00e7ula. Seu primog\u00eanito, Odir, morreu na d\u00e9cada de 70. Em 1975, o marido da sambista n\u00e3o resistiu ap\u00f3s um acidente de carro.<\/p>\n<p>A sambista ser\u00e1 velada nesta ter\u00e7a-feira na quadra do Imp\u00e9rio Serrano, em Madureira, na Zona Norte do Rio. Ainda segundo a fam\u00edlia, o sepultamento ser\u00e1 no cemit\u00e9rio de Inha\u00fama.<\/p>\n<p>Nascida em Botafogo no dia 13 de abril de 1921, Ivonne Lara da Costa demonstrava um talento excepcional desde a inf\u00e2ncia, a facilidade na composi\u00e7\u00e3o. Filha de m\u00e3e cantora, pai violonista e com um tio cavaquinhista &#8211; era na casa dele onde assistia \u00e0s rodas de samba e choro.<\/p>\n<p>Aos 12 anos, ela comp\u00f4s sua primeira can\u00e7\u00e3o, o samba de partido-alto &#8220;Ti\u00e9, Ti\u00ea&#8221;. A inspira\u00e7\u00e3o veio a partir de um presente dado pelos rimos e futuros parceiros, H\u00e9lio e Fuleiro, um p\u00e1ssaro &#8220;Ti\u00ea-sangue&#8221;. Durante a adolesc\u00eancia, teve como professores de m\u00fasica erudita Za\u00edra de Oliveira, esposa do compositor Donga, e Luc\u00edlia Villa-Lobos, casada com o maestro Heitor Villa-Lobos.<\/p>\n<p>Aos 17 anos, Ivonne come\u00e7ou a estudar na Escola de Enfermagem Alfredo Pinto e passou a trabalhar como plantonista de emerg\u00eancia. Embora tenha dedicado sua vida adulta \u00e0 \u00e1rea da sa\u00fade, reservava as horas vagas para participar das t\u00edpicas rodas de choro organizadas na casa do tio, Dion\u00edsio Bento da Silva, que tocava viol\u00e3o de sete cordas e fazia parte de grupo de chor\u00f5es que reunia nomes como Pixinguinha, Donga e Jacob do Bandolim.<\/p>\n<p>Aos 25, foi contratada pelo Instituto de Psiquiatria do Engenho de Dentro, onde permanece por 37 anos at\u00e9 se aposentar. Especializada em terapia ocupacional, Ivonne trabalhou no Servi\u00e7o Nacional de Doen\u00e7as Mentais com a doutora Nise da Silveira, m\u00e9dica que revolucionou o tratamento psiqui\u00e1trico no Brasil.<\/p>\n<p>Ainda aos 25, casou-se com Oscar Costa, filho do fundador da escola de samba Prazer da Serrinha. Sempre priorizando o trabalho de enfermeira, mas com um p\u00e9 na m\u00fasica, programava suas f\u00e9rias em fevereiro para participar dos desfiles de Carnaval.<\/p>\n<p>Com o fim da escola Prazer da Serrinha, come\u00e7a a frequentar a escola de samba Imp\u00e9rio Serrano. Comp\u00f5s alguns sambas e partidos-altos para a agremia\u00e7\u00e3o &#8211; que eram mostrados aos outros sambistas pelo primo Fuleiro, como se fossem dele &#8211; j\u00e1 que o preconceito n\u00e3o abria espa\u00e7o para mulheres compositoras.<\/p>\n<p>Apesar das desaven\u00e7as, Dona Ivone foi a primeira mulher a integrar a ala dos compositores de uma escola de samba. Em 1965, a mais nova integrante da Ala dos Compositores do Imp\u00e9rio Serrano comp\u00f4s, com Silas de Oliveira e Bacalhau, o cl\u00e1ssico samba-enredo &#8220;Os Cinco Bailes Tradicionais da Hist\u00f3ria do Rio&#8221;.<\/p>\n<p>O envolvimento cada vez maior com a agremia\u00e7\u00e3o rendeu-lhe, entre outras alegrias, a conviv\u00eancia com Mestre Aniceto do Imp\u00e9rio, Mano D\u00e9cio da Viola e Silas de Oliveira, que mais tarde seriam seus parceiros em algumas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Somente aos 56 anos de idade, Ivone passou a dedicar-se exclusivamente \u00e0 m\u00fasica, lan\u00e7ando em 1978 seu primeiro disco, &#8220;Samba Minha Verdade, Samba Minha Raiz&#8221;, produzido por Sargenteli e Adelson Alves.<\/p>\n<p>Mesmo tendo assumido a carreira musical tardiamente, nas d\u00e9cadas seguintes consagrou-se como grande compositora com m\u00fasicas gravadas por Clara Nunes, Maria Beth\u00e2nia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Beth Carvalho e Marisa Monte. Entre seus maiores sucessos est\u00e3o \u201cSonho meu\u201d, &#8220;Acreditar&#8221; e &#8220;Algu\u00e9m me avisou&#8221;.<\/p>\n<p>Em 2002, Dona Ivone Lara foi a grande homenageada do pr\u00eamio Shell e, em 2012, escolhida como tema do enredo do Imp\u00e9rio Serrano. Ao longo da carreira, Dona Ivone Lara comp\u00f4s mais de 300 can\u00e7\u00f5es e gravou cerca de 20 discos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cantora e compositora, Dona Ivone Lara, morreu na noite desta segunda-feira, na Coordena\u00e7\u00e3o de Emerg\u00eancia Regional (CER) Leblon, Zona Sul do Rio. Ela sofreu uma parada cardiorrespirat\u00f3ria. A sambista estava internada desde a \u00faltima sexta-feira \u2014 dia em que completou 97 anos \u2014 quando deu entrada com quadro de anemia, e estava no Centro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":77540,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[30,16,31],"tags":[],"class_list":["post-77539","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-geral","category-principais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77539","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77539"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77539\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77541,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77539\/revisions\/77541"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77540"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77539"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77539"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77539"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}