{"id":80410,"date":"2018-05-29T19:51:21","date_gmt":"2018-05-29T22:51:21","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=80410"},"modified":"2018-05-29T19:51:21","modified_gmt":"2018-05-29T22:51:21","slug":"escolhas-que-matam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/escolhas-que-matam\/","title":{"rendered":"Escolhas que matam"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>*Clemente Ganz L\u00facio<\/p>\n<p>As crises econ\u00f4micas e as recess\u00f5es s\u00e3o fen\u00f4menos que atormentam as sociedades nesses dois s\u00e9culos de capitalismo. Causas diversas est\u00e3o na origem de cada crise e podem ser tratadas de formas diferentes, conforme as distintas correntes de pensamento econ\u00f4mico. O debate acompanha as escolhas de pol\u00edticas econ\u00f4micas dos governos e as decis\u00f5es de empresas, investidores, bancos, entre outros. As sociedades assistem, \u00e0s vezes participam, mas sempre sofrem as consequ\u00eancias das crises e das medidas tomadas para enfrent\u00e1-las. Desdobramentos assombrosos, como guerras, conflitos sociais, empobrecimento e mis\u00e9ria, desemprego, arrocho salarial e fome tecem a teia de mazelas que une cada contexto hist\u00f3rico espec\u00edfico.<br \/>\nPara poucos, quer dizer, para os mais ricos, as crises s\u00e3o oportunidade para enriquecerem ainda mais, comprando ativos baratos, ganhando com juros, arrochando devedores e garimpando oportunidades. Com as crises, esses poucos ganham com o sofrimento de muitos!<br \/>\nAs crises criam os derrotados pelo desemprego, destitu\u00eddos de capacidade para gerar a renda para o consumo da fam\u00edlia, muitos perdem casa e bens, e outros veem a fam\u00edlia se desagregar. O desespero abate e adquire faces perversas que destroem o horizonte das pessoas e as perspectivas de futuro de uma na\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMais dram\u00e1tico ainda \u00e9 o destino daqueles que n\u00e3o t\u00eam autonomia para lutar e se defender, como as crian\u00e7as. Estudo divulgado pela Funda\u00e7\u00e3o Abrinq (http:\/\/fadc.org.br) mostra que a mortalidade infantil voltou a crescer no Brasil, depois de uma d\u00e9cada de cont\u00ednua redu\u00e7\u00e3o. O n\u00famero de \u00f3bitos de crian\u00e7as entre 1 e 4 anos passou de 5.595, em 2015, para 6.212, em 2016, aumento de 11% no per\u00edodo. No caso das crian\u00e7as com entre 1 m\u00eas e 1 ano de idade, o n\u00famero de mortes subiu 2%, de 11.001 para 11.214.<br \/>\nQual o motivo? O desemprego faz os estragos conhecidos, mas as decis\u00f5es governamentais s\u00e3o ainda mais perversas, porque quando a crise afeta a receita fiscal do Estado, os gastos sociais s\u00e3o cortados. Diante de uma crise, o governo cobra mais impostos de quem pode \u2013 dos ricos \u2013 ou faz cortes. E os cortes deveriam atingir quem pode aguentar o tranco da recess\u00e3o. Os gastos com a manuten\u00e7\u00e3o do atendimento social e destinados a financiar a sa\u00edda da crise deveriam ser mantidos.<br \/>\nO pior corte \u00e9 aquele que fragiliza ainda mais as condi\u00e7\u00f5es dos mais fracos, quer dizer, de crian\u00e7as e pobres. A pr\u00f3pria Funda\u00e7\u00e3o Abrinq mostra onde acontecem cortes nos programas sociais. Um exemplo \u00e9 o programa Rede Cegonha, cuja aten\u00e7\u00e3o \u00e9 voltada \u00e0 m\u00e3e no pr\u00e9-natal, ao parto e \u00e0 crian\u00e7a, do nascimento at\u00e9 os dois anos, em que o governo aplica hoje somente pouco mais de 10% dos recursos que deveria aplicar. Os cortes se espalham pelos programas de alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, saneamento, Mais M\u00e9dicos, entre tantos outros. As consequ\u00eancias s\u00e3o graves, e podem levar a \u00f3bito pessoas que dependem desses servi\u00e7os ou ainda acarretar sequelas, muitas vezes, irrevers\u00edveis a outras.<br \/>\nPor isso \u00e9 sempre bom falar da import\u00e2ncia da escolha de parlamentares e governantes por meio do voto. Eles decidem como arrecadar impostos e como aplic\u00e1-los. Os trabalhadores s\u00e3o a maioria da popula\u00e7\u00e3o, mas se tornam minoria porque d\u00e3o poder, pelo voto, \u00e0queles que decidem contra seus interesses. S\u00e3o decis\u00f5es que podem desempregar, arrochar sal\u00e1rios, tirar direitos e matar. H\u00e1 caminhos para fazer a economia crescer, gerar empregos, proteger direitos e garantir a vida diante das adversidades. Por isso, aten\u00e7\u00e3o \u00e0s escolhas faz muita diferen\u00e7a!<\/p>\n<p>*Clemente Ganz L\u00facio \u00e9 Soci\u00f3logo, diretor t\u00e9cnico do DIEESE, membro do CDES \u2013 Conselho de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social e do Grupo Reindustrializa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Clemente Ganz L\u00facio As crises econ\u00f4micas e as recess\u00f5es s\u00e3o fen\u00f4menos que atormentam as sociedades nesses dois s\u00e9culos de capitalismo. Causas diversas est\u00e3o na origem de cada crise e podem ser tratadas de formas diferentes, conforme as distintas correntes de pensamento econ\u00f4mico. 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