{"id":82769,"date":"2018-06-28T21:25:28","date_gmt":"2018-06-29T00:25:28","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=82769"},"modified":"2018-06-28T21:25:28","modified_gmt":"2018-06-29T00:25:28","slug":"um-tombo-na-infraestrutura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/um-tombo-na-infraestrutura\/","title":{"rendered":"Um tombo na infraestrutura"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>Luiz Pladevall (*)<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o pa\u00eds acompanha at\u00f4nito os retrocessos em v\u00e1rios setores da economia brasileira. Os impactos das decis\u00f5es governamentais dificilmente se reverter\u00e3o no curto prazo e v\u00e3o deixar um rastro de recupera\u00e7\u00e3o pouco prov\u00e1vel nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. O setor de infraestrutura, por exemplo, passa por um momento de des\u00e2nimo e preocupa\u00e7\u00e3o. Um estudo divulgado recentemente, com dados de 2016, mostra que o gasto na \u00e1rea registrou forte queda e apresentou o pior resultado em 10 anos. A constru\u00e7\u00e3o de grandes obras recebeu R$ 111,6 bilh\u00f5es de investimentos em 2007, valor que despencou para R$ 99,2 bilh\u00f5es em 2016, uma redu\u00e7\u00e3o de 22,1%.<br \/>\nA queda acentuada de recursos para projetos de infraestrutura &#8211; que inclui saneamento b\u00e1sico, rodovias, ferrovias, hidrel\u00e9tricas, entre outros empreendimentos \u2013 pode ser explicada pelo tombo nos financiamentos. O BNDES diminuiu os empr\u00e9stimos de R$ 135,9 bilh\u00f5es em 2015 para R$ 88,3 bilh\u00f5es em 2016. Com isso, o pa\u00eds fica cada vez mais distante de cumprir compromissos anteriormente assumidos. Na \u00e1rea de saneamento, a proposta era universalizar os servi\u00e7os de abastecimento de \u00e1gua e de esgotamento sanit\u00e1rio at\u00e9 2033. Para isso, seriam necess\u00e1rios recursos anuais na ordem de R$ 20 bilh\u00f5es, mas o pa\u00eds vinha investindo uma m\u00e9dia de R$ 9 bilh\u00f5es por ano. Por\u00e9m, nos \u00faltimos dois anos, nem mesmo esse valor se manteve e os recursos para a \u00e1rea foram drasticamente cortados, assim como eliminadas as fontes tradicionais de novos investimentos.<br \/>\nInvestimentos no setor t\u00eam papel essencial para o desenvolvimento socioecon\u00f4mico brasileiro. Ampliar a oferta de servi\u00e7os nessa \u00e1rea traz impactos diretos na qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o, principalmente na sa\u00fade. Segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), para cada d\u00f3lar investido em saneamento, temos uma economia de US$ 4,3 d\u00f3lares em gastos com sa\u00fade p\u00fablica. Infelizmente, o panorama no setor ainda \u00e9 desolador, com 45% da popula\u00e7\u00e3o brasileira convivendo sem tratamento do esgoto e 70% dos 5.570 munic\u00edpios t\u00eam tratamento de esgoto com, no m\u00e1ximo, 30% de efici\u00eancia.<br \/>\nPara tornar o processo de universaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os ainda mais demorado, o governo vem acenando com favores aos munic\u00edpios, que retardam esses empreendimentos. No final de 2017, o presidente Michel Temer assinou decreto prorrogando por mais dois anos a entrega dos planos municipais de saneamento b\u00e1sico. A medida atendeu reivindica\u00e7\u00e3o da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Munic\u00edpios diante das dificuldades das cidades de produzirem o documento estabelecido pela Lei do Saneamento, que entrou em vigor em 2007.<br \/>\nEm ano eleitoral, a sociedade precisa ficar atenta aos programas de governo dos candidatos. O saneamento deve ser prioridade para todos aqueles que inspiram o cargo de presidente da Rep\u00fablica. Cabe a cada cidad\u00e3o cobrar dos seus representantes o avan\u00e7o nos servi\u00e7os de saneamento b\u00e1sico, estrutura b\u00e1sica para qualquer pa\u00eds que almeja alcan\u00e7ar patamares similares \u00e0s na\u00e7\u00f5es desenvolvidas. O saneamento precisa deixar de ser relegado a segundo plano pelas autoridades p\u00fablicas e se transformar em uma agenda priorit\u00e1ria, independentemente da cor partid\u00e1ria do governo de plant\u00e3o. Caso contr\u00e1rio, estaremos relegando um futuro de muitas dificuldades para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>(*) Luiz Pladevall \u00e9 presidente da Apecs (Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Empresas de Consultoria e Servi\u00e7os em Saneamento e Meio Ambiente) e vice-presidente da ABES-SP (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenharia Sanit\u00e1ria e Ambiental).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Pladevall (*) Nos \u00faltimos anos, o pa\u00eds acompanha at\u00f4nito os retrocessos em v\u00e1rios setores da economia brasileira. Os impactos das decis\u00f5es governamentais dificilmente se reverter\u00e3o no curto prazo e v\u00e3o deixar um rastro de recupera\u00e7\u00e3o pouco prov\u00e1vel nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. O setor de infraestrutura, por exemplo, passa por um momento de des\u00e2nimo e preocupa\u00e7\u00e3o. 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