{"id":87440,"date":"2018-08-14T19:54:15","date_gmt":"2018-08-14T22:54:15","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=87440"},"modified":"2018-08-14T19:54:15","modified_gmt":"2018-08-14T22:54:15","slug":"seis-em-cada-dez-criancas-no-brasil-vivem-na-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/seis-em-cada-dez-criancas-no-brasil-vivem-na-pobreza\/","title":{"rendered":"Seis em cada dez crian\u00e7as  no Brasil vivem na pobreza"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<figure id=\"attachment_87441\" aria-describedby=\"caption-attachment-87441\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-87441 size-medium\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/180814-H41-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/180814-H41-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/180814-H41.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-87441\" class=\"wp-caption-text\">Levantamento mostra que 18 milh\u00f5es de meninas e meninos vivem afetados pela pobreza<\/figcaption><\/figure>\n<p>Seis em cada dez crian\u00e7as no Brasil vivem na pobreza, de acordo com estudo in\u00e9dito apresentado hoje (14) pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef). S\u00e3o crian\u00e7as e adolescentes at\u00e9 17 anos que s\u00e3o monetariamente pobres e\/ou est\u00e3o privados de um ou mais direitos, como educa\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o, \u00e1gua, saneamento, moradia e prote\u00e7\u00e3o contra o trabalho infantil.<br \/>\nO levantamento, feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) 2015, mostra que 18 milh\u00f5es de meninas e meninos, ou seja, 34,3% do total, s\u00e3o afetados pela pobreza monet\u00e1ria, vivem com menos de R$ 346 per capita por m\u00eas na zona urbana e R$ 269 na zona rural. Desses, 6 milh\u00f5es, o equivalente a 11,2%, t\u00eam priva\u00e7\u00e3o apenas de renda. J\u00e1 os outros 12 milh\u00f5es, ou 23,1%, al\u00e9m de viverem com renda insuficiente, t\u00eam um ou mais direitos negados.<br \/>\nSomam-se a essas crian\u00e7as e adolescentes, mais de 14 milh\u00f5es de meninas e meninos que n\u00e3o s\u00e3o monetariamente pobres, mas t\u00eam um ou mais direitos negados. Juntos, os dois grupos representam 61% das crian\u00e7as e adolescentes do pa\u00eds.<br \/>\n&#8220;Para entender a pobreza, \u00e9 preciso ir al\u00e9m da renda e analisar se meninas e meninos t\u00eam seus direitos fundamentais garantidos&#8221;, diz a representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer, no estudo.<br \/>\n&#8220;Incluir a priva\u00e7\u00e3o de direitos como uma das faces da pobreza n\u00e3o \u00e9 comum nas an\u00e1lises tradicionais sobre o tema, mas \u00e9 essencial para dar destaque a problemas graves que afetam meninas e meninos e colocam em risco seu bem-estar&#8221;.<\/p>\n<p>Desigualdades<\/p>\n<p>Os dados analisados evidenciam desigualdades. O acesso aos direitos varia, entre outros fatores, de acordo com o local onde as crian\u00e7as e adolescentes moram e com a cor. O percentual de meninas e meninos da zona rural que n\u00e3o t\u00eam direitos garantidos \u00e9 o dobro daquele nas \u00e1reas urbanas, 87,5% contra 41,6%. Meninas e meninos negros registram uma taxa de priva\u00e7\u00e3o de 58,3%, entre crian\u00e7as e adolescentes brancos, n\u00e3o passa de 40%. As regi\u00f5es Norte e Nordeste aparecem com os maiores \u00edndices de priva\u00e7\u00e3o de direitos &#8211; com exce\u00e7\u00e3o de moradia, em que a regi\u00e3o Sudeste supera o Nordeste.<br \/>\n&#8220;As desigualdades de acesso a direitos entre negros e brancos ficam expressas neste estudo e s\u00e3o um dos principais aspectos que devem ser analisados quando se fala em redu\u00e7\u00e3o da pobreza&#8221;, diz o texto, que acrescenta: &#8220;\u00c9 preciso trabalhar mais e com maior precis\u00e3o no desenho de pol\u00edticas p\u00fablicas e programas para crian\u00e7as e adolescentes negros, com aloca\u00e7\u00e3o suficiente de recursos or\u00e7ament\u00e1rios para que tenham acesso a todos os servi\u00e7os, especialmente nas Regi\u00f5es Norte e Nordeste&#8221;.<br \/>\nO estudo mostra ainda que, no Brasil, entre as crian\u00e7as que vivem na pobreza, seja por priva\u00e7\u00e3o de renda ou de direitos, 13,9 mil n\u00e3o t\u00eam acesso a nenhum dos seis direitos analisados pelo estudo, &#8220;est\u00e3o completamente \u00e0 margem de pol\u00edticas p\u00fablicas&#8221;, diz o texto.<\/p>\n<p>Priva\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Os resultados mostram que, das 61% de crian\u00e7as e adolescentes brasileiros que vivem na pobreza, 49,7% t\u00eam um ou mais direitos negados. Muitas dessas meninas e desses meninos est\u00e3o expostos a mais de uma priva\u00e7\u00e3o simultaneamente. Em m\u00e9dia, tiveram 1,7 priva\u00e7\u00e3o. H\u00e1 14,7 milh\u00f5es de meninas e meninos com apenas uma, 7,3 milh\u00f5es com duas e 4,5 milh\u00f5es com tr\u00eas ou mais priva\u00e7\u00f5es.<br \/>\nO Unicef classifica as priva\u00e7\u00f5es como intermedi\u00e1rias, quando h\u00e1 acesso, mas limitado ou com m\u00e1 qualidade a cada um dos direitos; e extrema, quando n\u00e3o h\u00e1 nenhum acesso ao direito.<br \/>\nO saneamento \u00e9 a priva\u00e7\u00e3o que afeta o maior n\u00famero de crian\u00e7as e adolescentes, seja intermedi\u00e1ria ou extrema, atingindo 13,3 milh\u00f5es, seguido por educa\u00e7\u00e3o, com 8,8 milh\u00f5es; \u00e1gua, 7,6 milh\u00f5es; informa\u00e7\u00e3o, 6,8 milh\u00f5es; moradia, 5,9 milh\u00f5es; e prote\u00e7\u00e3o contra o trabalho infantil, 2,5 milh\u00f5es.<br \/>\nComparando os dados de 2005 e 2015, o Unicef conclui que a pobreza monet\u00e1ria na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia foi reduzida no Brasil na \u00faltima d\u00e9cada, &#8220;mas as m\u00faltiplas priva\u00e7\u00f5es a que meninas e meninos est\u00e3o sujeitos n\u00e3o diminu\u00edram em igual propor\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o estudo.<\/p>\n<p>Panorama brasileiro<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o: 20,3% das crian\u00e7as e dos adolescentes de 4 a 17 anos t\u00eam o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o violado. Os dados mostram que 13,8% est\u00e3o na escola, mas s\u00e3o analfabetos ou est\u00e3o em atraso escolar, estando em priva\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria e 6,5% est\u00e3o fora da escola, em priva\u00e7\u00e3o extrema.<br \/>\nInforma\u00e7\u00e3o: 25,7% da popula\u00e7\u00e3o de 10 a 17 anos n\u00e3o tiveram acesso \u00e0 internet nos \u00faltimos tr\u00eas meses antes da coleta da Pnad 2015, sendo considerados privados de informa\u00e7\u00e3o; 24,5% n\u00e3o acessaram \u00e0 internet, mas t\u00eam televis\u00e3o em casa, estando em priva\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria; 1,3% n\u00e3o acessou a rede e n\u00e3o tem televis\u00e3o em casa, estando em priva\u00e7\u00e3o extrema. Entre eles, 500 mil meninas e meninos n\u00e3o t\u00eam acesso a nenhum meio de comunica\u00e7\u00e3o em casa, seja r\u00e1dio, televis\u00e3o ou internet.<br \/>\nTrabalho infantil: 6,2% das crian\u00e7as e dos adolescentes de 5 a 17 anos exercem trabalho infantil dom\u00e9stico ou remunerado; 3% das crian\u00e7as de 5 a 9 anos e 7,4% de 10 a 13 anos, faixas et\u00e1rias em que \u00e9 ilegal, trabalham. Entre aqueles de 14 a 17 anos, 8,4% trabalham mais de 20 horas semanais, ou seja, acima do que determina a lei.<br \/>\nMoradia: 11% vivem em uma casa com quatro ou mais pessoas por dormit\u00f3rio e cujas paredes e tetos s\u00e3o de material inadequado; 6,8% vivem em casas de teto de madeira reaproveitada e quatro pessoas por quarto, em priva\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria; e 4,2% em casas com cinco ou mais por dormit\u00f3rios e teto de palha, em priva\u00e7\u00e3o extrema.<br \/>\n\u00c1gua: 14,3% das crian\u00e7as e dos adolescentes n\u00e3o t\u00eam o direito \u00e0 \u00e1gua garantido; 7,5% t\u00eam \u00e1gua em casa, mas n\u00e3o filtrada ou procedente de fonte segura, estando em priva\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria; e 6,8% n\u00e3o contam com sistema de \u00e1gua dentro de suas casas, estando em priva\u00e7\u00e3o extrema.<br \/>\nSaneamento: 24,8% das crian\u00e7as e dos adolescentes est\u00e3o em priva\u00e7\u00e3o de saneamento; 21,9% das meninas e dos meninos brasileiros vivem em domic\u00edlios com apenas fossas rudimentares, uma vala ou esgoto sem tratamento; 3,1% n\u00e3o t\u00eam sanit\u00e1rio em casa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seis em cada dez crian\u00e7as no Brasil vivem na pobreza, de acordo com estudo in\u00e9dito apresentado hoje (14) pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef). 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