{"id":88270,"date":"2018-08-22T21:12:43","date_gmt":"2018-08-23T00:12:43","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=88270"},"modified":"2018-08-22T21:12:43","modified_gmt":"2018-08-23T00:12:43","slug":"campanhas-de-vacinacao-devem-ser-impositivas-e-punir-as-omissoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/campanhas-de-vacinacao-devem-ser-impositivas-e-punir-as-omissoes\/","title":{"rendered":"Campanhas de vacina\u00e7\u00e3o devem ser impositivas e punir as omiss\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>*Luiz Carlos Borges da Silveira<\/p>\n<p>As not\u00edcias sobre campanhas de vacina\u00e7\u00e3o e seus resultados revelam sistematicamente que as metas n\u00e3o v\u00eam sendo atingidas. Esse fato gera natural preocupa\u00e7\u00e3o na sa\u00fade p\u00fablica devido ao recrudescimento de doen\u00e7as existentes e reaparecimento de outras que pareciam erradicadas. Al\u00e9m disso, h\u00e1 o surgimento de doen\u00e7as novas que igualmente merecem aten\u00e7\u00e3o em termos preventivos. At\u00e9 alguns tipos de gripes t\u00eam registrados casos fatais, segundo recentes informa\u00e7\u00f5es. Dados oficiais revelam baixa cobertura nas regi\u00f5es; no Sudeste, que apresenta o melhor desempenho registrado, n\u00e3o mais do que 77% do p\u00fablico-alvo foram cobertos.<br \/>\nSem d\u00favida, h\u00e1 uma esp\u00e9cie de conspira\u00e7\u00e3o contra a mobiliza\u00e7\u00e3o pela sa\u00fade p\u00fablica. Inacreditavelmente, h\u00e1 pessoas e grupos com ideias anti-vacina\u00e7\u00e3o que pelas redes sociais disseminam conceitos estapaf\u00fardios que v\u00e3o de cren\u00e7as religiosas a posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas. Esses grupos criam mitos e boatos, como sobre a imuniza\u00e7\u00e3o contra a gripe, de que a vacina faz com que a pessoa fique gripada, quando na verdade ela previne infec\u00e7\u00f5es e pode salvar muitas vidas. Esta realidade tem feito que os m\u00e9dicos se mostrem vigilantes e dediquem mais tempo para o convencimento sobre a import\u00e2ncia da imuniza\u00e7\u00e3o preventiva.<br \/>\nA vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 o meio de enfrentar o problema e isso depende de campanhas sociais, chamamento e efetivas a\u00e7\u00f5es. Se as campanhas n\u00e3o est\u00e3o produzindo os resultados esperados devem ser revistas e reestudadas para se saber onde est\u00e3o as falhas. Ultimamente, foram deflagradas campanhas contra poliomielite, sarampo, febre amarela, dengue, influenza, entre outras, com baixo n\u00edvel de imuniza\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 preocupante. No final da semana passada ocorreu o chamado dia D de vacina\u00e7\u00e3o contra sarampo e poliomielite. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou que a cobertura ficou em torno de 40% do p\u00fablico-alvo e a mobiliza\u00e7\u00e3o foi estendida at\u00e9 o final do m\u00eas.<br \/>\nEssa dificuldade de resposta positiva n\u00e3o \u00e9 problema atual, mas deve ser enfrentado com criatividade e rigor. Quando assumi o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em 1987, ainda havia casos de poliomielite, principalmente no Nordeste. A popula\u00e7\u00e3o se mostrava refrat\u00e1ria ao chamamento para comparecer aos postos de sa\u00fade. Foi necess\u00e1rio desenvolver uma campanha maci\u00e7a, at\u00e9 o Ex\u00e9rcito colaborou indo \u00e0s casas para vacinar a popula\u00e7\u00e3o e as metas foram cumpridas. Mas era preciso estimular a vacina\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds. Ent\u00e3o, o Minist\u00e9rio promoveu concurso nacional para criar um \u00edcone, um personagem que influenciasse principalmente crian\u00e7as. Surgiu a figura do \u201cZ\u00e9 Gotinha\u201d, at\u00e9 hoje mantida, mas ultimamente muito pouco utilizada. Na \u00e9poca, o Brasil se tornou modelo em vacina\u00e7\u00e3o e a p\u00f3lio foi erradicada. Em dezembro de 1987 assinei a portaria criando a figura do \u201cZ\u00e9 Gotinha\u201d.<br \/>\nAtualmente a poliomielite \u00e9 amea\u00e7a constante e somente pode ser barrada com imuniza\u00e7\u00e3o. De acordo com dados oficiais h\u00e1 risco de retorno da doen\u00e7a e que mais de 300 cidades est\u00e3o abaixo da meta preconizada para vacina\u00e7\u00e3o, o que levar\u00e1 \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de bols\u00f5es de pessoas n\u00e3o vacinadas, possibilitando, assim, a reintrodu\u00e7\u00e3o do poli v\u00edrus e do sarampo.<br \/>\nO Minist\u00e9rio da Sa\u00fade reconhece que h\u00e1 dificuldade em cumprir as metas e foi feito novo alerta para a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. Na sequ\u00eancia, campanhas foram realizadas sem modifica\u00e7\u00e3o do quadro.<br \/>\nTenho notado que as campanhas acabam prorrogadas, por n\u00e3o alcan\u00e7arem as metas previstas, h\u00e1 casos em que at\u00e9 sobram vacinas em alguns munic\u00edpios. Parece que h\u00e1 desinteresse da popula\u00e7\u00e3o, das fam\u00edlias, e as doen\u00e7as v\u00e3o se alastrando. Entendo que se campanhas educativas e de conscientiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o surtindo efeito desejado, que sejam obrigat\u00f3rias. H\u00e1 que se buscar formas e meios para isso e estabelecer puni\u00e7\u00e3o de pais e respons\u00e1veis que se mostrarem desinteressados ou omissos, algo como suspens\u00e3o de benef\u00edcios sociais ou mesmo multa pecuni\u00e1ria. N\u00e3o ser\u00e1 nenhuma arbitrariedade, pois se trata de sa\u00fade p\u00fablica, do bem-estar da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPara outras situa\u00e7\u00f5es que colocam em risco especialmente crian\u00e7as, como em educa\u00e7\u00e3o e quest\u00f5es sociais, h\u00e1 instrumentos legais para chamar \u00e0 responsabilidade e at\u00e9 puni\u00e7\u00f5es previstas. Por que n\u00e3o adotar salvaguardas semelhantes quando se refere \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica? Somente a possibilidade de puni\u00e7\u00e3o j\u00e1 seria suficiente para inibir eventuais omiss\u00f5es de respons\u00e1veis.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel que doen\u00e7a que se supunha erradicada reapare\u00e7a e que as end\u00eamicas sigam a crescer, fazendo v\u00edtimas, causando preocupa\u00e7\u00e3o e a passividade continue.<br \/>\nOs riscos s\u00e3o evidentes. A possibilidade de algumas doen\u00e7as graves que j\u00e1 haviam sido eliminadas no Brasil voltarem a atingir a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma realidade preocupante. Diante da amea\u00e7a do retorno do sarampo e da poliomielite, que podem ser prevenidas a partir da vacina\u00e7\u00e3o, os dados de cobertura vacinal no Pa\u00eds se mostram abaixo da meta. \u00c9 evidente a import\u00e2ncia de manter a vacina\u00e7\u00e3o em dia para evitar essas doen\u00e7as e suas sequelas.<br \/>\nEnfermidade n\u00e3o \u00e9 apenas quadro patol\u00f3gico que afeta a popula\u00e7\u00e3o, contamina tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o laboral e onera o sistema de sa\u00fade p\u00fablica. A vacina \u00e9 a melhor forma para evitar o retorno de doen\u00e7as eliminadas e para atacar as que est\u00e3o assediando a popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 na sa\u00fade que mais vale a m\u00e1xima de que \u00e9 melhor prevenir do que remediar. Imuniza\u00e7\u00e3o vacinal \u00e9 o caminho preventivo &#8211; todavia, com seriedade, responsabilidade e se necess\u00e1rio com r\u00edgida obrigatoriedade.<\/p>\n<p>*Luiz Carlos Borges da Silveira \u00e9 m\u00e9dico. Foi Ministro da Sa\u00fade e Deputado Federal. Como ministro foi o criador do \u201cZ\u00e9 Gotinha\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Luiz Carlos Borges da Silveira As not\u00edcias sobre campanhas de vacina\u00e7\u00e3o e seus resultados revelam sistematicamente que as metas n\u00e3o v\u00eam sendo atingidas. Esse fato gera natural preocupa\u00e7\u00e3o na sa\u00fade p\u00fablica devido ao recrudescimento de doen\u00e7as existentes e reaparecimento de outras que pareciam erradicadas. 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