{"id":88371,"date":"2018-08-23T14:11:44","date_gmt":"2018-08-23T17:11:44","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=88371"},"modified":"2018-08-23T14:11:59","modified_gmt":"2018-08-23T17:11:59","slug":"homem-relata-que-foi-abusado-pelo-menos-50-vezes-em-centro-religioso-na-ilha-do-governador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/homem-relata-que-foi-abusado-pelo-menos-50-vezes-em-centro-religioso-na-ilha-do-governador\/","title":{"rendered":"Homem relata que foi abusado pelo menos 50 vezes em centro religioso na Ilha do Governador"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<figure id=\"attachment_88372\" aria-describedby=\"caption-attachment-88372\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-88372\" src=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/h3-18-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/h3-18-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/h3-18.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-88372\" class=\"wp-caption-text\">Centro Espiritualista Semeadores da Luz (CESL), na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Um homem que frequentou por cerca de dois anos o Centro Espiritualista Semeadores da Luz (CESL), na Ilha do Governador, relata ter sido foi v\u00edtima de pelo menos 50 atos libidinosos praticados pelos l\u00edderes religiosos do local. Outro frequentador do centro sofreu abusos por 14 anos consecutivos. Uma terceira v\u00edtima se submeteu a cinco rela\u00e7\u00f5es sexuais e, ap\u00f3s questionar a pr\u00e1tica, foi convencida a manter os atos durante um ano, acreditando ser obrigada a cumprir o compromisso de ordem espiritual j\u00e1 assumido. Esses s\u00e3o alguns casos relatados na den\u00fancia que o Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual ofereceu \u00e0 Justi\u00e7a na ter\u00e7a-feira. De acordo com o documento, os l\u00edderes religiosos Marcelo Antonio Marques Prazeres, Leonardo Campello Ribeiro e Jayson Garrido de Oliveira abusaram sexualmente de seguidores em rituais de &#8220;inicia\u00e7\u00e3o t\u00e2ntrica&#8221;.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o sobre os abusos come\u00e7ou em julho do ano passado e foi conclu\u00edda em dezembro. Na ocasi\u00e3o, a Pol\u00edcia Civil indiciou os tr\u00eas suspeitos e pediu a pris\u00e3o de dois deles. Ao todo, 25 pessoas foram ouvidas. Ao longo dos depoimentos, constatou-se que Marcelo, Leonardo e Jayson simulavam incorporar entidades e usavam de sua posi\u00e7\u00e3o para manter rela\u00e7\u00f5es sexuais com homens e mulheres que frequentavam o local.<\/p>\n<p>Um dos frequentadores que denunciou o caso relatou ter sido submetido a pelo menos 50 atos libidinosos, entre maio de 2014 e agosto de 2016. De acordo com seu relato, Marcelo, um dos l\u00edderes espirituais do centro sugeriu que ele deveria praticar a inicia\u00e7\u00e3o t\u00e2ntrica para trabalhar seus conflitos sexuais. A partir da\u00ed, come\u00e7ou a manter rela\u00e7\u00f5es sexuais frequentes, sob o pretexto de eleva\u00e7\u00e3o espiritual e resolu\u00e7\u00e3o de conflitos internos.<\/p>\n<p>Outra v\u00edtima relatou que come\u00e7ou a frequentar o centro em 1997 e, desde aquele ano, foi convencido por Marcelo da import\u00e2ncia de realizar pr\u00e1tica t\u00e2ntrica e manter o sigilo &#8220;inici\u00e1tico&#8221;, a fim de alcan\u00e7ar maior evolu\u00e7\u00e3o espiritual, atrav\u00e9s do ato sexual, para despertar um chacra. Os abusos continuaram at\u00e9 2011, quando a v\u00edtima descobriu que estava sendo manipulada por Marcelo. De acordo com seus relato, durante o ato sexual os l\u00edderes religiosos usavam vestimentas brancas, repetiam mantras, utilizavam ervas e mel.<\/p>\n<p>Uma terceira v\u00edtima chegou a questionar as pr\u00e1ticas, ap\u00f3s ter cinco rela\u00e7\u00f5es sexuais com um dos l\u00edderes religiosos, mas foi convencido a continuar. As pr\u00e1ticas come\u00e7aram em maio de 2006 e duraram at\u00e9 o final daquele ano. Ao todo, foram 14 atos. De acordo com seu relato, os l\u00edderes religiosos, que se diziam instrutores t\u00e2ntricos fidedignos e de confian\u00e7a, o incentivaram a continuar a manter rela\u00e7\u00f5es para alcan\u00e7ar maior evolu\u00e7\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p>Ao todo, foram colhidos depoimentos de 12 v\u00edtimas que sofreram abusos por parte dos l\u00edderes religiosos. A maioria das v\u00edtimas afirmou, em depoimento, que os l\u00edderes ludibriavam e manipulavam os frequentadores com seus conhecimentos sobre diversas vertentes religiosas. Um dos l\u00edderes teria abusado de uma adolescente de 15 anos, em sua pr\u00f3pria casa, alegando estar sendo possu\u00eddo por &#8220;Exu Caveira&#8221; em um ritual chamado por ele de &#8220;magia vermelha&#8221;.<\/p>\n<p>A den\u00fancia do MP trata Marcelo e Leonardo como &#8220;pessoas inteligentes, com profundos conhecimentos religiosos e alto poder de persuas\u00e3o&#8221;. No centro, que alega pregar o universalismo como filosofia, reunindo vertentes religiosas de umbanda, candombl\u00e9, Igreja Gn\u00f3stica Crist\u00e3 e correntes orientais, os tr\u00eas, de acordo com a den\u00fancia do MP, diziam estar possu\u00eddos por entidades como &#8220;Caboclo Pena Branca&#8221;, &#8220;Preta-Velha Maria Conga&#8221;, &#8220;Vov\u00f4-Rei Congo de Aruanda&#8221; e &#8220;Boiadeiro Urubizara&#8221; para coagir os fi\u00e9is a ter rela\u00e7\u00f5es com eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acusado fingia ser psic\u00f3logo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Promotoria denuncia ainda que Leonardo, identificado como vice-presidente do centro, sabia dos abusos e n\u00e3o os impediu, inclusive incentivando as v\u00edtimas a obedecerem \u00e0 vontade de Marcelo. Ele tamb\u00e9m \u00e9 denunciado por praticar atos sexuais com fi\u00e9is, afirmando que uma entidade havia determinado. Leonardo foi denunciado ainda por fingir ser psic\u00f3logo e exercer irregularmente a profiss\u00e3o ao menos 67 vezes com diferentes v\u00edtimas, cobrando pelas sess\u00f5es realizadas em um consult\u00f3rio dentro do pr\u00f3prio centro &#8211; ele chegou a ter um filho com uma das v\u00edtimas, segundo o documento. Em um dos depoimentos \u00e0 pol\u00edcia, uma suposta v\u00edtima, que trabalhava como secret\u00e1ria no centro, afirma que Leonardo uma vez afirmou que seu problema de ins\u00f4nia era causado por abstin\u00eancia sexual.<\/p>\n<p>O trio foi denunciado no artigo 215 (viola\u00e7\u00e3o sexual mediante fraude), com pena prevista de reclus\u00e3o de 2 a 6 anos, e no artigo 171 (estelionato), com pena de 1 a 5 anos, ambos do c\u00f3digo penal. Em depoimento \u00e0 pol\u00edcia, Jayson Garrido de Oliveira negou os abusos. Marcelo Antonio Marques Prazeres admitiu ter mantido rela\u00e7\u00f5es sexuais com seguidores. Segundo ele, a maioria dos atos aconteceram fora do centro, e os atos praticados dentro do centro s\u00f3 ocorreram por insist\u00eancia da v\u00edtima. J\u00e1 Leonardo Campello Ribeiro admitiu ter mantido rela\u00e7\u00f5es com duas frequentadoras do centro, \u00e0s quais prestava supostos servi\u00e7os de psicologia, mas afirmou que foram rela\u00e7\u00f5es pessoais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um homem que frequentou por cerca de dois anos o Centro Espiritualista Semeadores da Luz (CESL), na Ilha do Governador, relata ter sido foi v\u00edtima de pelo menos 50 atos libidinosos praticados pelos l\u00edderes religiosos do local. Outro frequentador do centro sofreu abusos por 14 anos consecutivos. 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