{"id":96109,"date":"2019-01-03T19:57:35","date_gmt":"2019-01-03T21:57:35","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/?p=96109"},"modified":"2019-01-03T19:57:35","modified_gmt":"2019-01-03T21:57:35","slug":"abertura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalhoje.inf.br\/wp\/abertura\/","title":{"rendered":"Abertura!"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>*Jo\u00e3o Carlos Marchesan<\/p>\n<p>A necessidade de novidades, por parte de nossa sociedade, n\u00e3o se restringe ao campo da moda ou do consumo, mas alcan\u00e7a at\u00e9 \u00e1reas insuspeitas, como a economia. Nos \u00faltimos anos, por exemplo, a solu\u00e7\u00e3o para o crescimento econ\u00f4mico passou por v\u00e1rias ideias que foram consumidas rapidamente e substitu\u00eddas sempre pela novidade mais recente.<br \/>\nA moda atual, neste campo, n\u00e3o \u00e9 propriamente nova, e elege a abertura comercial, de prefer\u00eancia ampla e unilateral, como o rem\u00e9dio infal\u00edvel para aumentar a produtividade e a competitividade dos produtos brasileiros tanto de bens quanto de servi\u00e7os, via maior concorr\u00eancia com os produtores externos, o que traria como consequ\u00eancia a retomada do crescimento.<br \/>\nA ferramenta para tanto \u00e9 uma forte redu\u00e7\u00e3o das atuais al\u00edquotas do imposto de importa\u00e7\u00e3o, eventualmente at\u00e9 zer\u00e1-las. Ora, se isto resolve nossos problemas, porqu\u00ea temos e mantemos o imposto de importa\u00e7\u00e3o? Antes que algu\u00e9m pense que se trata de mais uma jabuticaba, \u00e9 bom esclarecer que todos os pa\u00edses do mundo taxam, em maior ou menor grau, os produtos e servi\u00e7os que eles importam.<br \/>\n\u00c9 bom deixar claro que as tarifas alfandeg\u00e1rias n\u00e3o foram criadas para os governos arrecadarem mais, ainda que, eventualmente, seu efeito n\u00e3o seja desprez\u00edvel. A raz\u00e3o para sua exist\u00eancia \u00e9 a de cumprir outra fun\u00e7\u00e3o, ou seja, equalizar a diferen\u00e7a de custos de produ\u00e7\u00e3o internos e externos ou em casos mais espec\u00edficos proteger a ind\u00fastria local da concorr\u00eancia externa.<br \/>\nNo caso brasileiro houve alguns per\u00edodos nos quais as tarifas alfandeg\u00e1rias foram utilizadas para proteger setores nascentes como no caso da ind\u00fastria da inform\u00e1tica ou, mais antigamente, os governos usaram e abusaram deste recurso para restringir importa\u00e7\u00f5es, em fun\u00e7\u00e3o das hist\u00f3ricas dificuldades do pa\u00eds em conseguir d\u00f3lares suficientes para pagar nossas importa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNas \u00faltimas d\u00e9cadas, entretanto, o imposto de importa\u00e7\u00e3o, em maior ou menor grau, tem cumprido seu papel de compensar as eventuais diferen\u00e7as de custos internos face aos externos, quando devidas a fatores sist\u00eamicos e n\u00e3o especificamente \u00e0s defici\u00eancias da ind\u00fastria brasileira. Assim, antes de afirmar que nossas tarifas s\u00e3o altas, \u00e9 necess\u00e1rio verificar se elas cumprem o papel para o qual foram criadas, ou seja, se elas compensam o custo Brasil.<br \/>\nOs custos adicionais, em rela\u00e7\u00e3o aos principais concorrentes externos, que o Brasil imp\u00f5e a quem aqui produz, ou seja, o custo Brasil \u00e9 atualmente da ordem de trinta pontos percentuais o que significa que a tarifa m\u00e9dia brasileira deveria ser de 21% apenas para compensar o fato de que produzir aqui \u00e9 mais caro do que l\u00e1 fora. A consequ\u00eancia \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o brasileira, com uma tarifa nominal m\u00e9dia ao redor de 14%, n\u00e3o est\u00e1 sendo protegida.<br \/>\nNossas tarifas alfandeg\u00e1rias tem muitos defeitos come\u00e7ando com o fato das al\u00edquotas de mat\u00e9rias primas serem, \u00e0s vezes, assemelhadas \u00e0s de produtos finais mas, as acusa\u00e7\u00f5es de que s\u00e3o muito altas levam em conta apenas o valor nominal do imposto, quando, na realidade, face ao elevado custo Brasil, s\u00e3o um verdadeiro subs\u00eddio \u00e0s importa\u00e7\u00f5es, fato comprovado pelos enormes deficits na balan\u00e7a comercial dos manufaturados, em per\u00edodos de crescimento do pa\u00eds.<br \/>\nAssim, por uma quest\u00e3o de bom senso, a prioridade a ser enfrentada pelo pr\u00f3ximo governo, dentro de uma agenda de competitividade, \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do custo Brasil promovendo uma reforma tribut\u00e1ria que simplifique o sistema e redistribua impostos entre os diversos setores e uma redu\u00e7\u00e3o dos juros reais de mercado ao n\u00edvel de nossos concorrentes, apenas para ficar com os dois principais fatores. Depois disto poderemos voltar a falar de abertura, sempre negociada.<\/p>\n<p>*Jo\u00e3o Marchesan \u00e9 empres\u00e1rio e presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da ABIMAQ \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de M\u00e1quinas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Jo\u00e3o Carlos Marchesan A necessidade de novidades, por parte de nossa sociedade, n\u00e3o se restringe ao campo da moda ou do consumo, mas alcan\u00e7a at\u00e9 \u00e1reas insuspeitas, como a economia. 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