Mobilização por mais recursos para Hospital da Posse

Segundo a Prefeitura de Nova Iguaçu, mais de cinco mil pessoas participaram da mobilização
Marcelle Abreu/PMNI

Milhares de pessoas participaram ontem da mobilização popular “Todos pelo Hospital da Posse”. O objetivo foi chamar a atenção dos governos Estadual e Federal para a necessidade de regularizar os repasses e, com isso, melhorar o atendimento na unidade. O ato foi organizado por diversas instituições governamentais e religiosas, movimentos sociais, sindicatos, sociedade civil, ONGs, conselhos municipais, entre outros.
A manifestação começou por volta das 9h, em frente ao campus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), na Avenida Governador Roberto Silveira, Centro. De lá, mais de cinco mil pessoas (número divulgado pela prefeitura) seguiram em caminhada que levou cerca de uma hora até o Hospital Geral de Nova Iguaçu, na Posse. O ato interrompeu o fluxo de trânsito e causou grande congestionamento em diversos pontos da cidade.

Com faixas, cartazes e palavras de apoio, manifestantes caminharam até o Hospital da Posse
Ivan Teixeira/Jornal de Hoje

O Hospital da Posse é a maior emergência da Baixada Fluminense. Além de atender pacientes de Nova Iguaçu e outros municípios é porta de entrada para os acidentados na Rodovia Presidente Dutra e do Arco Metropolitano. A unidade é cedida ao município através de um acordo que prevê investimento de 70% com verba federal, 15% estadual e 15% municipal. No entanto, segundo o prefeito Rogerio Lisboa, a prefeitura está custeando a unidade sozinha.
“Não podemos deixar que isso aconteça. É uma obrigação dos governos Federal e Estadual repassarem os recursos para que possamos recuperar o nosso hospital. O município que por contrato deve colaborar com 15% da verba, está com sobrecarga, pois estamos tendo que retirar recursos de outras unidades para manter o funcionamento da Posse”, alertou Lisboa.

Baixada se une pela unidade

A mobilização reuniu sociedade civil, religiosos, políticos e representantes do poder público de pelo menos oito cidades da Baixada Fluminense. Vereadora do município de Mesquita, Cristiane Pelinca do Amaral, a Cris Gêmeas, lembrou que o Hospital da Posse é a principal emergência da região ao falar da importância de todos se unirem em prol da unidade.
“Esse Hospital atende a toda a população da Baixada, vítimas de acidentes são socorridas e trazidas para a Posse. É importante que o Governo Federal invista na unidade, pois estará investindo na sociedade, no povo”, disse a vereadora. Segundo ela, quase 50% da população de Mesquita que precisa de atendimento emergencial procura a unidade.
De acordo com dados da prefeitura, o Hospital da Posse recebe em média cerca de 13 mil pacientes por mês, sendo 45% deste total pessoas de outros municípios.

Dívida ultrapassa os R$ 30 milhões

O prefeito Rogerio Lisboa liderou a mobilização
Ivan Teixeira/Jornal de Hoje

Segundo o diretor do Hospital da Posse, Dr. Joé Sestello, para manter a unidade seria preciso repasses em torno de R$ 14 milhões. Entretanto, recebe do Ministério da Saúde R$ 6,3 milhões. Outro fator que vem agravando a situação são os atrasos da Secretaria Estadual de Saúde no repasse da verba. A dívida já chega a quase R$ 33 milhões.
“O hospital está sobrecarregado, atendendo uma população em mais de três milhões de pessoas. O Ministério da Saúde precisa entender a prioridade desta unidade. Mesmo com plano de saúde, o primeiro atendimento de um acidentado, por exemplo, é no Hospital da Posse. É aqui que se salva vidas”, afirmou Sestello.

Prefeito ameaça ir à Brasília cobrar repasses

A manifestação contou com o apoio de autoridades religiosas como o bispo Dom Luciano Bergamin, que representou a arquidiocese do Rio de Janeiro. Segundo ele, o ato representou a união da Baixada. “A força do povo esteve hoje aqui demonstrada. Diante das dificuldades que o hospital enfrenta, essa é uma mobilização ecumênica, sem partido. A saúde da Baixada está doente. É um apelo da população para que as autoridades olhem para nós”, ressaltou.
Ao final da manifestação, Rogerio Lisboa garantiu que não irá descansar enquanto as reivindicações não forem atendidas. “O recado foi dado: a Baixada não irá se calar mais diante da falta de investimentos. O Hospital da Posse é de todos. Se o governo federal não entendeu o recado, vamos pessoalmente à Brasília”, decretou o prefeito de Nova Iguaçu.
Colaboração: Élida Machado
Edição: Raphael Bittencourt

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