Para moradores ocupação não reduziu tráfico na Vila Kennedy

Um militar das Forças Armadas na Vila Kennedy
Foto: divulgação

“As Forças Armadas vieram e foram embora. Mas a violência continua”. A frase é de um morador da Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, e foi dita nesta terça-feira, um dia depois de o Comando Militar do Leste (CML) anunciar a saída de suas tropas da comunidade — agora, apenas a Polícia Militar vai patrulhar o local. A ocupação da Vila Kennedy pelas Forças Armadas começou em fevereiro e foi considerada um modelo da intervenção federal na segurança do Rio.
Segundo relatos de quem vive no local mesmo com a presença dos militares das Forças Armadas, o tráfico continuou nas ruas e outros bandidos chegaram à Vila Kennedy — são traficantes da Cidade de Deus, também na Zona Oeste. Pichações em muros contêm ameaças, apresentam a comunidade como a “Faixa de Gaza” e trazem as letras da facção criminosa que age no local, o Comando Vermelho.
“O que mudou foi a maneira de os bandidos se comportarem. Agora andam disfarçados. Traficantes têm chegado e saído da VK vestidos de gari, trabalhadores de obras da prefeitura e roupa de estudantes do Ensino Médio. É a maneira que encontraram para circularem sem serem incomodados”, contou o morador.
Além disso, menores foram recrutados pelo tráfico para atacar equipes das Forças Armadas com pedras e até mesmo garrafas cheias de gasolina.
“Enquanto o Exército estava aqui, foi usada a tática de ataque aos militares pelas ruas, jogando pedras. Até garrafa com gasolina já foi usada. Os menores de idade que atuam na venda de drogas faziam esse papel de atacar os militares. Na semana passada mesmo, durante uma revista em uma região conhecida como Manilha, houve uma confusão durante uma revista. Esses menores apareceram e começam a xingar os militares”, revelou uma moradora.
De acordo com ela, é possível notar que, mesmo com a presença das tropas, houve um aumento do número de traficantes na Vila Kennedy:
“O pessoal da CDD (Cidade de Deus) veio para cá. Por isso sofremos. Eles (bandidos de outras comunidades) vêm sempre se esconder aqui. Sempre foi assim e aparentemente vai continuar sendo. As Forças Armadas não mudaram isso.
Traficantes da Cidade de Deus buscaram refúgio na Vila Kennedy para evitar a série de operações da Polícia Militar para prender os suspeitos envolvidos na morte do capitão Estefan Cruz Contreiras, de 36 anos, durante uma tentativa de assalto no último dia 3.
Local com ocupações irregulares é esconderijo
Um dos pontos que os bandidos usam como esconderijo na Vila Kennedy é a calçada ao lado do Rio das Sardinhas, onde há mais de 50 construções irregulares.
“Aquele local é abandonado. As construções não param de surgir. Eles (os traficantes) ficam lá, onde o poder público não chega”, contou um morador.

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