Niterói tem 20 dos 28 homicídios registrados em agosto contra polícia


Viaturas do 12º BPM, responsável pela região de Niterói Foto: reprodução

Em agosto uma pessoa morreu em confronto com a polícia a cada quatro horas no Rio. Dados do Instituto de Segurança Pública do estado revelaram um aumento de 150% nos casos de homicídios por intervenção policial, que dispararam de 70 ocorrências em agosto de 2017 para 175 no mesmo período de 2018. Mas, em algumas regiões, o aumento foi ainda maior. A Área Integrada de Segurança Pública de Niterói (AISP12) registrou aumento de 566% dos casos e liderou os casos de confronto de agosto: dos 28 homicídios ocorridos em agosto, 20 foram em decorrência de intervenção policial. No mesmo mês, em 2017, foram registrados três casos.

Quando analisados os totais de homicídios (dolosos e por decorrencia de intervenção policial) do ano, a política de confronto fica ainda mais evidente. De 4.530 mortes registrados nos oito meses de 2018, 1.073 foram em confrontos. Ou seja, em cada cinco mortes no estado, uma foi em confronto com a polícia. Um dos casos emblemáticos foi a região do 23º BPM (Leblon), onde estão localizados os morros da Rocinha e do Vidigal. Ali, dos 45 homicídios de janeiro a agosto, 29 foram por mãos de policiais.

“Está ocorrendo um fenômeno novo e surpreendente no Rio de Janeiro, em que a queda de registros de homicídios está ocorrendo ao mesmo tempo em que aumentam as as mortes decorrentes de ação policial, como se houvesse uma substituição de dinâmicas de violência letal. Na Baixada Fluminense, em Nova Iguaçu (20ª AISP) e em Caxias (15ª AISP), os homicídios caíram 20% e 30%, mas as mortes decorrentes de ação policial aumentaram 60% e 25% respectivamente.— analisou a socióloga Sílvia Ramos, coordenadora do Observatório da Intervenção.

Segundo maior registro de mortes em confronto, Belford Roxo teve aumento de 157% dos casos de homicídios por intervenção policial. Dos 34 casos de mortes registradas em agosto passado, 18 foram praticados por agentes da lei. Na região do 20º BPM (Nova Iguaçu), os casos de autos de resistência saltaram de 7 para 16 no mês.

— Quando olhamos para todas as AISPS da Baixada Fluminense (são 6) comparando os dados de fevereiro a julho (2017 e 2018), a redução de “homicídios” foi de 194 e o aumento de “mortes decorrentes” foi de 123. Ou seja, estamos tendo uma forte dinâmica de substituição de modelo de letalidade. As mortes continuam – e as vitimas devem ter um perfil muito semelhante. Mas agora a polícia passou a “assumir” mais as mortes – que antes eram atribuídas às quadrilhas ou crimes interpessoais — concluiu Sílvia.

 

Índices importantes melhoram

 

Embora tenham aumentado esponencilamente os casos de mortes em confronto, houve queda em índices importantes em agosto. Os homicídios no estado caíram 9,82%, descendo de 397 em 2017 para 358 casos no último mês. Já na região de Niterói, que liderou o problema de confrontos, os casos de homicídios caíram 42,8%, de 14 para oito casos; os roubos de veículos reduziram 28,8%, de 224 para 164 e os roubos a transeuntes tiveram queda de 12,36% de 380 para 333 ocorrências.

No estado, os crimes contra patrimônio continuam contabilizando queda. Os roubos de carga caíram 20,16%, saindo de 843 casos em agosto de 2017 para para 673, no mesmo período deste ano. Os roubos de veículos também apresentaram redução pelo mês consecutivo, caindo de 4.613 ocorrências para 3.909 (15,26%). Os casos de roubos a transeuntes caíram pelo quinto mês consecutivo, baixando de 8.815 registros para 7.269 (- 17,51%).

Em nota, a Secretaria de Segurança informou que está analisando os dados de agosto do Instituto, que, segundo a Seseg, reforçam a queda nos crimes contra o patrimônio, a redução dos homicídios dolosos, apontam o recorde de apreensão de armas neste ano e o aumento de óbitos decorrentes de intervenção policial.

“A análise preliminar mostra que o crescimento do número de óbitos

 

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