Citroën: alternativa à febre dos SUVs

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Foto: Márcio Maio/Carta Z Notícias e Divulgação
Foto: Márcio Maio/Carta Z Notícias e Divulgação

Já há algum tempo a Citroën tenta trabalhar em cima da racionalidade no Brasil. E, assim como a Peugeot, que lançou recentemente o compacto 2008 no país, quer se manter na briga dos veículos voltados para o uso familiar. Mas no lugar de seguir o fluxo do mercado e apostar na onda de sucesso dos SUVs, a marca do “double chevron” reacende sua investida nas minivans com a chegada da nova geração do C4 Picasso e sua versão de sete lugares, o Grand C4 Picasso. Os modelos são os primeiros da fabricante francesa a chegar no Brasil montados sobre a nova plataforma EMP2 – Efficient Modular Platform 2 –, mesma usada na segunda geração do Peugeot 308 e que, entre outras inovações, conseguiu uma redução de peso de até 140 kg.
A “dieta” é resultado principalmente de novos tipos de aço – mais resistentes – e mudanças nos processos de industrialização, com o uso de chapas mais finas, mas que sustentam a rigidez estrutural. Isso, claro, além da adoção maior de alumínio e assoalho em materiais compostos. As dimensões também foram mexidas. O novo Citroën C4 Picasso é mais compacto 4 centímetros no total, mas com ganho de quase 6 cm no entre-eixos, com 2,78 metros – no Grand C4 Picasso, esse aumento chega a 11 cm. Com isso, o porta-malas foi ampliado em 40 litros, somando 537 litros – a versão de sete lugares comporta 704 litros com a última fileira abaixada.
As mudanças externas são bem expressivas, principalmente à frente. A dianteira chama atenção pelo filete horizontal de luzes diurnas de leds sobre cada farol. Os “chevrons” do logotipo da Citroën se alongam em duas linhas cromadas, a primeira de ponta a ponta, na tampa do capô. A segunda é menor e aparece logo abaixo, na parte superior do para-choque. A grade hexagonal típica da nova identidade visual da fabricante também marca presença, mas uma característica é herdada da primeira geração: a grande área envidraçada, que soma 5,30 m² no total.
O perfil esboça a preocupação da Citroën em transmitir requinte: os vidros das portas são emoldurados por uma peça cromada, mais protuberante na parte de trás. Um proeminente vinco se estende pela lateral e insere boa dose de robustez. Já a traseira é menos chamativa, com lanternas em leds maiores e horizontais e tampa de porta-malas que cobre toda a traseira do veículo. Até para brigar no segmento dos utilitários esportivos, o C4 Picasso prima pela conforto. Os assentos dianteiros podem receber sistema de massagem e o do carona, extensão para as pernas, similar ao que se vê em classes superiores de companhias aéreas. Atrás, os três bancos são individuais e reclináveis. O motorista se beneficia ainda com o painel de instrumentos estruturado em torno de duas telas. A inferior é de 7 polegadas e direcionada à central multimídia – GPS opcional na versão de entrada Seduction e de série na mais cara, a Intensive. A superior é em LCD preto e branco ou, na configuração de topo, de 12 polegadas com alta definição e personalizável – inclusive em relação ao “layout”.
Sob o capô, ambos se movimentam a partir de um motor que já é velho conhecido dos brasileiros. Trata-se do 1.6 THP de 165 cv que, ao contrário do que já acontece em outros modelos da marca, como o C4 Lounge, só roda com gasolina. O câmbio é sempre automático de seis velocidades e quem prefere manter o controle das trocas de marchas pode usar os paddle shifts localizados atrás do volante.
A lista de itens de série é “gorda”. A versão de entrada Seduction já recebe seis airbags, sensores de estacionamento traseiros com indicação gráfica, controle de estabilidade e tração, sensores crepuscular e de chuva, freio de estacionamento elétrico, sistema multimídia, limitador e regulador de velocidade, retrovisores externos rebatíveis eletricamente, assistente de partida em aclives e ar-condicionado bi-zone com saídas traseiras com regulagem individual de fluxo de ar. A de topo Intensive sai de fábrica acrescida de acesso ao carro e partida do motor por botão, alarme, câmara de ré e o painel de instrumentos em alta definição e 12 polegadas. Há ainda opcionais como park assist, porta-malas motorizado e kit de relaxamento para bancos – que também insere partes em couro nos assentos.
Produzido em Vigo, na Espanha, o C4 Picasso começa em R$ 110.900 na configuração Seduction e R$ 117.900 na Intensive. Já o Grand C4 Picasso Seduction parte de R$ 120.900 e Intensive, R$ 127.900. A Citroën não informa o valor dos modelos com todos os opcionais, mas afirma que ultrapassa a barreira dos R$ 140 mil na carroceria de cinco lugares. Apesar do valor alto, a marca francesa planeja emplacar 800 unidades por ano, 70% delas do C4 Picasso. E, mesmo caro, o modelo tem seus atributos para ganhar espaço nas ruas.

 

Por Márcio Maio
Auto Press

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