Eduardo Cunha nega renúncia e rebate Dilma

“Aqueles que querem minha saída vão ter que esperar uma nova eleição para a presidência da Câmara", disse Cunha Foto: Lula Marques/Agência PT

“Aqueles que querem minha saída vão ter que esperar uma nova eleição para a presidência da Câmara”, disse Cunha
Foto: Lula Marques/Agência PT

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), concedeu entrevista coletiva na tarde de ontem e deu uma resposta à declaração da presidente Dilma Rousseff, que afirmou no domingo, em viagem oficial à Suécia, que “lamenta que seja com um brasileiro” um escândalo de corrupção que atinge o chefe de um dos Poderes.
“Eu lamento que seja com um governo brasileiro o maior escândalo de corrupção do mundo”, rebateu o presidente da Câmara, em alusão à operação Lava Jato.
Questionado se estava sem apoio tanto de partidos da base aliada do governo quanto da oposição, Cunha afirmou que não precisa de tal apoio, já que foi eleito para a presidência da Casa. O peemedebista reiterou, mais uma vez, que não irá renunciar. “Não me sinto isolado, não estou trabalhando, nem buscando, nem dependendo de apoio pela minha situação. Fui eleito para a Casa, aqui só cabe uma maneira para sair, que é renunciar. Mas esqueçam, porque eu não vou renunciar. Aqueles que querem minha saída vão ter que esperar uma nova eleição para a presidência da Câmara”, disse o deputado.
Denunciado ao Conselho de Ética da Câmara, Cunha disse que sua defesa contra representação de mais de 50 deputados que pedem sua cassação não será política, mas técnica. “Vou precisar provar o contrário do que me acusam, mas essa situação não é política, é uma situação técnica”, argumentou.
Mais cedo, a assessoria de Eduardo Cunha emitiu nota oficial sobre as notícias a respeito das contas que o deputado mantém na Suíça e sobre mais uma denúncia da Procuradoria-Geral da República no Supremo, que, segundo ele, é uma “espetacularização”.
Nota à imprensa divulgada

Tendo em vista a estratégia ardilosa adotada pelo procurador-geral da Republica de vazar maciçamente supostos trechos de investigação e movimentações financeiras, atribuídas ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, com o único objetivo de desestabilizar sua gestão e atingir sua imagem de homem público; Considerando ainda que há uma omissão proposital sobre outros personagens da investigação em curso; Considerando que a espetacularização adotada pelo procurador-geral da República coloca em xeque a respeitabilidade de um processo que deveria ser sério – de combate à corrupção –, denigre as instituições e seus líderes e evidencia a perseguição política contra o presidente da Câmara dos Deputados; Considerando ainda o objetivo maldoso de desviar o interesse geral dos reais responsáveis pelos malfeitos e tornar o Presidente da Câmara o foco principal de todo o noticiário a respeito da operação sobre os desvios na Petrobrás, destacamos: 1) O presidente da Câmara nunca recebeu qualquer vantagem de qualquer natureza, de quem quer que seja, referente à Petrobras ou a qualquer outra empresa, órgão publico ou instituição do gênero. Ele refuta com veemência a declaração de que compartilhou qualquer vantagem, com quem quer que seja, e tampouco se utilizou de benefícios para cobrir gasto de qualquer natureza, incluindo pessoal.
2) Os seus advogados terão agora, finalmente, a oportunidade de conhecer os supostos dados e documentos alardeados pela mídia ao longo das duas últimas semanas, em uma tentativa de constranger e desgastar politicamente o presidente da Câmara. Trata-se de uma clara perseguição movida pelo procurador-geral da República. É muito estranha essa aceleração de procedimentos às vésperas da divulgação de decisões sobre pedidos de abertura de processo de impeachment, procurando desqualificar eventuais decisões, seja de aceitação ou de rejeição, do presidente da Câmara.
3) Os seus advogados, tão logo tenham acesso aos documentos e ao inquérito, darão resposta precisa aos fatos existentes.
4) Durante esse período, foram divulgados dados que deveriam, em tese, ser protegidos por sigilo, sem permitir ao presidente da Câmara o direito de ampla defesa e ao contraditório, garantido pela nossa Constituição. Essa divulgação foi feita, estranhamente, de forma ostensiva e fatiada em dias diferentes e para veículos de imprensa variados. O fato de esses vazamentos, costumeiramente, ocorrerem às vésperas de finais de semanas ou feriados é outro indicativo de seus objetivos persecutórios.
5) A propositura de inquérito sem preservação de sigilo, em oposição a outros que contenham dados que a lei protege o sigilo, evidencia a diferenciação do tratamento dispensado ao presidente da Câmara. Provavelmente, essa forma busca dar um verniz de legalidade aos vazamentos ocorridos, preservando-os de possíveis consequências. Por exemplo: os inquéritos propostos contra os ministros Aloizio Mercadante e Edinho Silva foram, a pedido do PGR, com sigilo. Por que a diferença?
6) O presidente da Câmara reitera o que disse, de forma espontânea, à CPI da Petrobrás, e está seguro de que o curso do inquérito o provará.
7) Por várias vezes, desde o início desse processo, o presidente da Câmara tem alertado para a atuação política do PGR, que o escolheu para investigar, depois o escolheu para denunciar e, agora, o escolhe como alvo de vazamentos absurdos e ilegais, que impõem o constrangimento de ser incluído em tudo que se refere à apuração de responsabilidades nesse processo de corrupção na Petrobras, que tanto envergonha o Brasil e está muito distante dele. Parece que a única atribuição que resta ao PGR é acusar o presidente da Câmara.
8) Em relação ao aditamento da denúncia já existente, o presidente e seus advogados ainda não tiveram acesso ao conteúdo, que será contestado nos autos, dentro do novo prazo legal. É de se estranhar, novamente, que passados 60 dias da primeira denuncia, ela precisasse ser aditada, reiterando que aquela denuncia foi mais uma escolha do PGR.
9) O presidente volta a formular as perguntas que não querem calar: onde estão as demais denúncias? Cadê os dados dos demais investigados? Como estão os demais inquéritos? Por que o PGR tem essa obstinação pelo presidente da Câmara, agora, covardemente, extensiva a sua família? Alguma vez na história do Ministério Público um procurador-geral respondeu a ofício de partido político da forma como foi respondido com relação ao presidente da Câmara, em tempo recorde para ser usado em uma representação ao Conselho de Ética? A quem interessa essa atuação parcial do PGR? Onde está a responsabilização dos verdadeiros culpados pela corrupção da Petrobras? A sociedade brasileira gostaria de conhecer essas respostas.
10) A Constituição assegura o amplo direito de defesa e a presunção da inocência, e o presidente pede que esse seu direito, como o de todo cidadão, seja respeitado. Não se pode cobrar explicação sobre supostos fatos aos quais não lhe foi dado o acesso para uma digna contestação, já que a ele, até o momento, só restava acompanhar o noticiário para conhecer as acusações.
11) O presidente da Câmara reitera sua confiança no Supremo Tribunal Federal, que certamente fará justiça ao apreciar os fatos imparcialmente e anulando essa perseguição ao presidente da Câmara.
>> Assessoria de Imprensa/Presidência da Câmara dos Deputados.

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