Avaliação do Fiat Toro Endurance 1.3 Turbo Flex 2022

A Toro foi apresentada pela Fiat em 2016, inaugurando um segmento novo no país: picape com características de SUV urbano.  Trata-se de um novo conceito de picape, cujo nome técnico é “Sport Utility Pick-Up (SUP). Uma picape considerada “SUP” é capaz de combinar características típicas de SUV, como conforto e dirigibilidade, à força, robustez e praticidade de uma picape.  É, sem dúvida, um modelo único, capaz de servir tanto ao trabalho como ao lazer.

CONFIRA O VÍDEO: https://youtu.be/zGDqH-H9qV0

Em alguns países, como Chile, Colômbia, Peru e República Dominicana, a Toro é comercializada com a marca RAM. Nesses países a Toro chama-se RAM 1000. Mesmo em países onde a Toro não é vendida, o modelo gera discussão na imprensa especializada. A plataforma sob a qual a Toro é construída denomina-se “Global Small-Wide”. Flexível e modular, apresenta uma estrutura reforçada monobloco, composta por materiais nobres, como aço de alta resistência. Graças ao projeto caprichado, essa plataforma confere à Toro alta rigidez torcional e durabilidade, além de excelente capacidade de absorção de impactos.

Destaca-se que o modelo 2022 representa a mais importante evolução da Toro desde o seu lançamento em 2016. Após longas e elaboradas pesquisas de mercado, a Fiat decidiu atualizar o design, performance, conectividade e tecnologia da Toro.  É sabido que, em matéria de design, os italianos são a referência. Assim, recorrendo à sua grande expertise na matéria, a marca ítalo-brasileira deixou o desenho da Nova Toro 2022 ainda mais moderno na dianteira.

O capô é novo, com vincos bastante agressivos e marcantes, dando um aspecto de maior robustez para o carro. A grade da entrada de ar principal do motor é nova. A peça inclui um novo logo script (a marca FIAT com uma nova fonte) e uma bela bandeira com as cores da Itália (a “italian flag”).  Na versão testada (Endurance), os faróis seguem divididos em duas partes, sendo que na parte superior há um filete em led com função de luz diurna de condução. Próximo a esse filete está a luz de seta (nas demais versões o filete em LED também funciona como seta). Os faróis principais ficam na parte inferior e são halógenos, apresentando um novo desenho (faróis Full LED equipam as versões a partir da Freedom). Na versão Endurance, não há faróis de neblina.

As rodas da versão Endurance são aro 16, em aço com calotas. São bonitas, parecem rodas de liga leve. Nelas são montados pneus de perfil alto 215/65R16, que proporcionam mais conforto ao rodar nos pisos esburacados e remendados facilmente encontrados em qualquer canto do nosso país. Nesse aspecto, as rodas da versão Endurance levam vantagem sobre as rodas de liga leve que equipam as versões mais caras, que são maiores e acompanhadas de pneus de perfil mais baixo, privilegiando a estética. Mas não é só… A roda menor da versão Endurance melhora perceptivelmente a agilidade do carro no trânsito urbano, favorecendo as acelerações e ultrapassagens. Não há teto solar disponível para a versão Endurance. Esse item é opcional na versão Volcano, não estando presente na versão testada.

O interior da Toro 2022 também foi objeto de mudança. Completamente renovado, o interior do modelo ganhou um novo painel de instrumentos digital, disponível já na versão Endurance! Mesmo optando pela versão mais simples, o consumidor leva para casa o mesmo cluster digital com tela de 7” TFT que equipa as versões topo de linha (Ultra, Ranch). O cluster é de fácil visualização e operação. Apesar de recomendável, não é necessário ler o manual para descobrir todas as suas funções.

Para aqueles que curtem acompanhar o desempenho do carro, vale destacar a interessante configuração de mostradores que apresenta o percentual de potência e torque produzidos pelo motor no momento, além de um pequeno indicador de força “G”, permanecendo o velocímetro e contagiros visíveis a todo momento. Confesso que essa foi a configuração de painel que mais utilizei durante o tempo que fiquei com o modelo.

Em termos de conectividade, a Toro Endurance vem com uma nova central multimidia com tela de 7”, com suporte para Android Auto e Apple Car Play sem fio. Isso mesmo, os sistemas funcionam sem necessidade de conectar cabo USB, solução que muito carro de luxo ainda não oferece. Ponto para a Fiat neste quesito!

Internamente, a Toro Endurance chama a atenção pela boa qualidade dos materiais, principalmente após a evolução que brindou o modelo 2022. A Toro Endurance oferece 6 airbags de série (frontais, laterais e cortina), sendo que nas versões superiores (Volcano, Ranch e Ultra) a Fiat adiciona o airbag de joelho para o motorista.

O freio de mão da Toro Endurance é convencional, nada de eletrônica… Puxou, travou. Simples, direto, menos propenso a falhas. Ponto positivo, na minha opinião. Senti muita falta do apoio de braço para o motorista, não disponível na versão Endurance. Ok, é possível instalar um na concessionária, pagando um valor relativamente baixo. O ponto é que carro automático demanda esse apoio, por isso a Toro já deveria vir de fábrica com ele.

Os botões de regulagem da climatização ficam no novo console central, abaixo da multimidia. Na versão Endurance, o ar condicionado não dispõe de comandos digitais e não oferece a função “auto”. De qualquer forma, gela muito bem a cabine, sendo necessário regular o termostato para deixar a temperatura em um nível confortável. Abaixo dos controles da climatização, a Toro apresenta botões estilo “painel de avião” que permitem ativar o modo Sport (modifica respostas do acelerador e direção, dentre outros ajustes), TC+ (exerce função similar ao sistema de bloqueio de diferencial das rodas conhecido como Locker, porém realizado de forma eletrônica pelo controle de estabilidade), Alerta e desligamento do sensor de ré.

Não há câmera de ré na versão avaliada. Quando a ré é engrenada, entretanto, surge uma representação gráfica do carro no painel digital com a indicação da área traseira onde se encontra o obstáculo mais próximo (central, esquerda ou direita). A Toro Endurance conta com piloto automático convencional. O piloto adaptativo está disponível apenas nas versões topo de linha. O comando de acionamento fica no volante, onde também estão os tradicionais comandos de som dos carros da Fiat/Jeep.

Há também no modelo 2022 novidades importantes em termos de performance. A partir da versão de entrada Endurance, é possível equipar a Toro com o novo motor GSE 1.3 16v Turbo Flex da Fiat/Stellantis. Quando configurado com esse motor, o carro traz também uma caixa automática convencional de 6 marchas e tração 4×2. Produzido no polo automotivo de Betim (MG), esse propulsor é considerado o motor turbo flex mais moderno produzido no país, oferecendo potência e torque capazes de deixar muito motor 2.0 com inveja! São 185 cavalos de potência máxima a 5.750 rpm e 270 Nm de torque máximo com etanol, a incríveis 1.750 rpm. Nada mal para um motor 1.3!!

O motor oferece variador de fase na admissão e escape, injeção direta de combustível e sobrealimentação. Com o novo motor a picape ficou mais ágil e confortável, sem vibrações excessivas e bastante silenciosa no uso diário. O motor 1.8 16v ETorQ Evo Flex de 139cv continua sendo uma opção para a versão Endurance. As unidades equipadas com esse motor são oferecidas apenas em venda direta, ou seja, a fábrica da FIAT fatura diretamente o cliente, sem intermediários.

Na versão avaliada também é possível optar pelo excelente motor 2.0 16v turbo diesel (Multijet II) oferecido pela Fiat, derivado de um projeto da Alfa Romeo. Neste caso, ao invés do câmbio automático de 6 marchas que equipa as versões a gasolina, o carro ganha um câmbio de 9 marchas e tração 4×4. Entendo que a Toro com o antigo motor 1.8 seria a versão voltada exclusivamente para o trabalho, focada portanto em economia e baixo custo de manutenção. Para quem vai usar a Toro como carro particular, a versão 1.3 Turbo é, sem dúvida, a mais indicada.

Há quem diga que o motor 1.8 consegue ser mais econômico do que o novo motor 1.3 turbo. Acredito que, no mundo real, isso é pouco provável, dado que o motor 1.8 é relativamente fraco para a picape, que pesa 1.650kg. Quem tem sabe perfeitamente do que estou falando. Isso significa que o proprietário precisa “afundar o pé” para o carro andar, comprometendo o consumo. Já o motor 1.3 turbo tende a ser muito mais eficiente. Mais potente e mais “torcudo”, não é necessário abusar do acelerador para fazer a picape desenvolver velocidade.

Durante o teste, inclusive, a Toro Endurance 1.3 Turbo mostrou-se bastante ágil no trânsito urbano, tanto nas saídas de sinal quanto nas retomadas de velocidade. Na estrada o desempenho também foi ótimo, permitindo ultrapassagens com total segurança. Não há motivos para sentir saudade do antigo motor 1.8.  O motor GSE 1.3 deixa a Toro 1s mais rápida no 0-100 km/h, quando comparado com o motor diesel (10.7s contra 11.6s, respectivamente). Na prática, a versão flex passa a impressão de ser bem mais rápida.

O câmbio 6 marchas acoplado ao motor funciona muito bem, permitindo trocas de marcha rápidas, tanto no modo automático, quanto no modo manual (através da alavanca localizada no console central, não há aletas atrás do volante). Há um botão no painel que ativa o modo Sport, deixando as trocas de marcha ainda mais rápidas. Faço questão de registrar que a alavanca do câmbio permite a passagem de marchas da forma que considero a mais intuitiva, ou seja: puxando a alavanca na sua direção a marcha “sobe” e empurrando para frente a marcha “desce” ou “reduz”. Destaco o ponto porque a maioria das montadoras configura o sistema da forma inversa, o que para mim não é a melhor alternativa.

Em movimento, a Fiat Toro se mostra agradável de guiar. A suspensão é macia e absorve bem as imperfeições do asfalto, sem transmitir para a cabine pancadas secas desagradáveis. Na dianteira a suspensão traz o consagrado sistema McPherson, enquanto que na traseira há uma sofisticada solução multilink, garantindo conforto e agilidade nas ruas e estradas.

A caçamba da Toro Volcano tem um bom tamanho. São 820 litros de capacidade, sendo que o carro suporta até 750kg de carga (100kg a mais que a versão anterior). As versões a diesel carregam mais peso, alcançando 1000kg de capacidade. Considero, entretanto, que 750kg é suficiente para a proposta do carro. Durante a minha experiência com o carro, usei a caçamba para transportar a minha bicicleta aro 29, que coube na caçamba com facilidade, não sendo necessário desmontar nada.

Ainda em relação a caçamba, é importante ressaltar que, mesmo com a capa marítima original, fabricada pela Mopar, água e poeira podem invadir a caçamba. Esse aviso consta, inclusive, no manual do carro. Até a tampa de caçamba das versões Ranch e Ultra, em fibra, deixam passar água e poeira. Assim, se o proprietário precisar de um espaço estanque na caçamba, deverá instalar um daqueles bolsões em lona, ou uma caixa em fibra, devendo usa-los em conjunto com a capa marítima original da Toro, de modo a garantir a estanqueidade desejada.

Partindo dos R$130 mil (versão 1.3 turbo), pode-se dizer que a Toro ocupa hoje uma faixa de mercado sem concorrentes. Vale a pena, como já mencionado, optar pelo motor 1.3 turbo ao invés da versão 1.8, que é R$5 mil mais barata. A diferença em desempenho é bastante significativa.  É comum pensar que a Renault Oroch é concorrente da Fiat Toro, mas engana-se quem pensa assim. A Renault é mais voltada ao trabalho, apresentando um preço menor e um pacote menor de itens. O design interno e externo é consideravelmente mais simples.

Há, entretanto, uma lista de opções “anti-Toro” que deverão chegar ao mercado em 2022, a saber: Ford Maverick, Hyundai Santa Cruz, Nova Chevrolet Montana e Volkswagen Tarok. Resta saber se esses modelos terão atributos capazes de domar a Toro. Do jeito que veio o modelo 2022, recheado de equipamentos, com novo design externo e interno, a missão dos modelos das outras montadoras não será fácil. Ainda mais se forem importados, o que possivelmente fará com que sejam comercializados a um preço superior àquele praticado pela Fiat. (Por Arnaldo Bittencourt / Fotos: Marcus Lauria

Fonte: www.carpointnews.com.br)

*FICHA TÉCNICA:

Mecânica

Motorização 1.3

Combustível             Álcool            Gasolina

Potência (cv)            185     180

Torque (kgf.m)         27,5    27,5

Consumo cidade (km/l)      6,4

Consumo estrada (km/l)    7,8

Câmbio          automática com modo manual de 6 marchas

Tração           dianteira

Direção          elétrica

Suspensão dianteira          Suspensão tipo McPherson e dianteira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.

Suspensão traseira            Suspensão tipo multibraço e traseira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.

Dimensões

Altura (mm)   1.733

Largura (mm)           1.844

Comprimento (mm)             4.945

Tanque (L)    60

Entre-eixos (mm)     2.990

Ocupantes    5

*Dados do fabricante

error: Conteúdo protegido !!